Gorinez lança mixtape em meio ao agravamento da crise política e sanitária em nosso país que nos lança em uma situação de vida ou morte.
A escalada de ódio no Brasil ao longo dos últimos anos nos colocou à beira do caos social. Declarações proferidas pelo presidente da república inflamam a massa bolsonarista contra tudo aquilo que não são eles próprios ou seus valores. Enxergam, portanto, inimigos em toda parte. O descaso do governo federal quanto às medidas de prevenção ao avanço do contágio do corona vírus aumenta o número de vítimas fatais do covid 19. Esses números mórbidos são responsabilidade do governo federal, claramente assumindo os traços de um necrogoverno.
Contaminado pelo espírito moribundo desses tempos sombrios, Gorinez lança uma mixtape pesada, com tom mórbido, refletindo o tipo de sociedade na qual vivemos. O título remete a essa condição fatídica em que vida e morte se apresentam como formas de estar nessa realidade desesperadora. Fomos empurrados para uma situação em que a morte é uma realidade factível, na qual estamos cotidianamente tensos, experimentando o medo contante de sermos lançados à própria sorte na luta pela vida.
Bom, essa é uma realidade nova pra muitas pessoas, contudo, essa luta cotidiana pela sobrevivência, o convívio diário com o medo e a tensão diante da possibilidade real da morte já faz parte da realidade da maior parte das pessoas. Nas periferias essa condição é constante e já existe um aparato de repressão e extermínio das pessoas consolidado ao longo da nossa história de controle social das pessoas oriundas das classes sociais populares. O descaso do governo quanto o efeito devastador da pandemia sobre as periferias brasileiras é mais um elemento opressor voltada contra essas pessoas.
Em suas rimas Gorinez trata dessa realidade e o modo como ela afeta as pessoas, diminuindo o campo de possibilidades de vida para elas e apresentando apenas como certo, os caminhos que levam à morte prematura. Quando há sorte melhor, apresenta-se uma sobrevivência subserviente, como mão de obra barata dentro da estrutura de produção.
Nessa mixtape Gorinez estabelece conexões diversas. Primeiro, indiretamente com Danilo Cruz com quem divide a letra de Contexto, que tem ainda o beat de autoria de Calibre. Em Então Vem os beats ficaram por conta de Turbo Paul e Alemanha, enquanto na faixa que encerra a mixtape, Viver, Gorinez divide a letra com Infoguerra. A Capa e a Contra Capa são de autoria do próprio Gorinez, a gravação, mixagem e masterização ficaram a encargo da Underhouse Records.
Carlim
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