Os baianos da G.O.R. (Game Over Riverside) estão de volta e marcam seu retorno com o lançamento dos singles Sadness Online e Deep Waters.
O rock baiano está sempre esfregando em nossas caras sua força e mostrando se compor de uma diversidade de estilos e sonoridades. Entretanto, percebe-se latente nas rodas de discussão a ideia de nada estar acontecendo no cenário rocker da Bahia.
Pura desinformação. No segundo semestre de 2015 o rock baiano ficou ainda mais forte com a subida aos palcos de Salvador da G.O.R. (Game Over Riverside). A banda nasceu em 2002 e se manteve em atividade até 2008. Desde os primórdios a banda se preocupou em construir sua identidade sonora, levando seus integrantes a compor suas próprias músicas, ao invés de serem uma banda de covers.
2015 terminou e fevereiro de 2016 teve carnaval como acontece todo ano, mas trouxe novidades para o rock. Sadness Online e Deep Waters foram lançadas e apontam para a possibilidade de um álbum da banda vir ainda este semestre. As duas músicas foram compostas durante a primeira fase da G.O.R., mas ainda não haviam sido lançadas.
Os membros da G.O.R. bebem de fontes abstratas, principalmente da psicodelia dos anos 60 e 70, bem como do indie dos 80 e 90. Além das condensações sonoras e experimentações próprias desses gêneros, sustentam sua linguagem musical na simplicidade furiosa do punk. Essa combinação resulta numa sonoridade intensa, que estimula o sistema nervoso, colocando o ouvinte a movimentar seja o corpo todo ou apenas uma parte dele.
Essas características estão bem evidentes em ambos os singles. Antes de mais nada, vale dizer que a produção, gravação e mixagem de ambos os singles são excelentes. Em Deep Waters a influência punk se sobressai e determina a natureza da música. Contudo há momentos de quebra dessa pegada mais agressiva, que nos joga em um ambiente antigravitacional. A sensação de velocidade de repente dá lugar à sensação de viagem ácida.
A velocidade aumenta ao longo da execução da música. O início é uma espécie de aquecimento dos motores. Primeiro vem a paletada nas cordas produzindo um som aberto, distorcido, despertando a banda de seu sono. Começa a seqüência de notas, ainda envenenadas pela distorção, tocadas uma a uma preparando o terreno para que os demais instrumentos entrem e deem início à marcha.
Entra a segunda guitarra explorando as notas ao longo do braço, produzindo notas com efeitos mais limpos. Ao fundo, baixo e bateria pulsam, imprimindo o andamento da música. A condução da música segue a linha punk britânico até cair numa espécie de interlúdio, momento em que suspende-se a “gravidade”. Uma atmosfera amena se estabelece, ruídos vagam soltos pelo ar, estendemos as mãos para pegá-los e tão repentinamente como começou, esse momento se esvai e a dinâmica anterior é retomada.
O lançamento de Sadness Online rolou logo após ao de Deep Waters, apenas alguns dias entre um lançamento e outro. Sadness aborda a dicotomia na qual nos vemos inseridos. Vivemos vidas paralelas, uma real e outra virtual. Lançados nesse duplo-existir nos vemos lidando com situações muitas vezes bizarras, levando-nos a misturar real e virtual. Embora a letra tenha sido escrita no início da banda, mantem-se bem atualizada. Evidencia a sensibilidade da banda em fazer a leitura de seu tempo, posicionando-se frente às transformações que afetam nossa percepção de mundo.
A linha melódica vocal dessa música remete aos bons tempos de Bowie, enquanto o instrumental une bem riffs sujos e dedilhados limpos e cristalinos feitos pela dupla de guitarras. Os efeitos usados para “temperar” instrumentos e voz são calibrados na medida exata, proporcionando a fluidez da música. É preciso estar atento aos detalhes. No transcorrer de Sadness surgem diferentes licks de guitarra fazendo a música ganhar diferentes contornos sonoros, conferindo heterogeneidade ao som.
Ambos os singles aguçam a curiosidade para ouvir o álbum que vem por aí. Fiquemos atentos aos canais da banda para acompanhar as novidades! Para ouvir Sadness Online e Deep Waters basta acessar o perfil da G.O.R. no Bandcamp, o link está logo abaixo.
G.O.R nas redes sociais:
Ficha Técnica:
Gravado em: Virgo Studio
Masterização: André Virgo, S.Moraes e L. Cima
Mixagem: André Virgo, L.Cima
Produzido por: André Virgo
Direção: Game Over Riverside
Banda: L.Cima (Bateria), A. Psica (Baixo), L. Miranda (guitarra solo), John-John (Guitarra base e efeitos), S.Moraes (Vocal e guitarra base).
Fotografia: Fernando Fernandes
Tipografia e arte: Ricardo Cidade
Capa em Deep Waters: Rodrigo Sputter
Sadness Online
Gravado em: Virgo Studio
Masterização: André Virgo, S.Moraes e L. Cima
Mixagem: André Virgo, L.Cima
Produzido por: André Virgo
Direção: Game Over Riverside
Banda: L.Cima (Bateria), A. Psica (Baixo), L. Miranda (guitarra solo), John-John (Guitarra base e efeitos), S.Moraes (Vocal e guitarra base).
Fotografia: Fernando Fernandes
Tipografia e arte: Ricardo Cidade
Capa em Sadness Online: Rodrigo Sputter
Carlim
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Oddish “Castro” & Degraus Beats: “A arte de não ser suicidado pela sociedade” = “Deus me Louvre”
Oddish Castro lançou o seu 3º disco com feats de Max BO, ManoWill, Ravi Lobo, ALFÃO, Lezin e mais em seu melhor trabalho até aqui! Vivemos uma era de filtros, onde “personas” são vendidas como manequins portadoras de verdades humanas, com narrativas sendo engolidas como…
O lançamento de “Ajucity for Life” solidifica a relevância de BW para o trap sergipano
Uma análise sobre os elementos singulares que construiram a relevância do artista sergipano BW dentro do cenário de seu estado O festival Tambor cimentou uma das minhas já convictas certezas: BW é um dos maiores nomes do rap sergipano. Ao lado de Preto JB, Dayo,…
Oddish “Castro” solta single e EP como um prólogo para o “ÉPICO da SUJEIRA”
Um dos grandes nomes do Rap baiano, Oddish “Castro” lançou o single “Gargantilha” e o EP “Pernambués” com produção do El Piva. O mês de abril tem marcado o retorno do MC Oddish “Castro” ao cenário do Rap baiano, com lançamentos que preparam o seu…
Pós-Salvando “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, resposta ao seu áudio Mattenie!
Saiu hoje o segundo disco da dupla Matéria Prima & Goribeatzz: “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, contando com 13 tracks pelo boombap e o house! Disco novo da dupla Matéria Prima & Goribeatzz, com baixos estratégicos do Cizco, DJ Novset riscando, Cravinhos em guitarras…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…

