Frank Zappa ao vivo no Roxy, com uma de suas formações mais enxutas e paradoxalmente completas. Groove de orquestra em configuração reduzida.
Quem escuta o “Roxy & Elsewhere“, icônico ao vivo do senhor Frank Zappa, gravado ao lado do Mothers Of Invention e lançado em 1970 e quatro, não deve ter nem ideia dos perrengues que quase impediram que o LP visse a luz do dia.
A residência de Zappa/Mothers no Roxy não poderia ter sido melhor. Os anos 70 como um todo foram fantásticos para Frank, mas ainda assim, a banda que o acompanhou em 1973 foi de longe uma de suas melhores, tanto que o bigode fez questão de filmar todos os shows realizados em west Hollywood naquele ano.
Foram 2 sets por noite, totalizando 4 apresentações no recinto, na verdade 5 se você contar um show fechado para convidados. O único problema foi que no final das contas – praticamente todos os planos de Frank – deram errado.
Em função de problemas técnicos, o live teve que receber overdubs em estúdio e os temas da parte “Elsewhere” (“Son Of Orange County” e “More Trouble Every Day”) foram pinçados do show que o grupo fez na Pensilvânia, na universidade de Ediboro, no dia 08 de maio de 74, além de passagens presentes em “Son Of Orange County”, retiradass da gig dia 11 de maio, no auditório de Chicago, em Illinois, que não possuem overdubs.
Durante esse período, vale ressaltar que Zappa pôde se dar ao luxo de compor, pensando justamente no time de músicos que ele tinha ao seu dispor, que além do próprio, contava com George Duke nos teclados, experimentando demais com sintetizadores, além de Ruth Underwood na percussão e Napoleon Murphy Brock no sax tenor, flautas e vocais.
Alguns discos excelentes que compreendem esse período são: “The Grand Wazoo” (72), “Over-Nite Sensation” (73) e o excelente “Apostrophe“, lançado um ano depois, já em 74. Esses discos servem de plano de fundo para entender como essa nova reencarnação do Mothers era envenenadíssima e teve grande impacto nos clássicos que surgiriam mais tarde.
Agora você que pode escutar todo esse colosso criativo com é a caixa de 7 discos e as quase 8 horas de som que compreendem o excelente “The Roxy Performances”.
Mais um lançamento da Zappa Records, liberado no dia 02 de fevereiro de 2018, esse trampo trata-se de um item obrigatório pra qualquer Zappamaníaco, além de ser um registro histórico da grandeza de um mestre da música e dos sintetizadores de um certo George Duke.
Line Up:
Frank Zappa (guitarra/vocal)
George Duke (teclados/sintetizadores)
Tom Fowler (baixo)
Chester Thompson (bateria)
Bruce Fowler (trombone)
Napoleon Murphy Brock (saxofone/vocal)
Ruth Underwood (percussão)
Ralph Humphyrey (bateria)
Track List CD1:
“Sunday Show 1 Start”
“Cosmik Debris”
“We’re Makin’ a Movie”
“Pygmy Twylyte”
”The Idiot Bastard Son”
”Cheepnis”
”Hollywood Perverts”
“Penguin In Bondage”
”T’Mershi Duween”
“The Dog Breath Variations”
“Uncle Meat”
“RDNZL”
“Montana”
“Dupree’s Paradise”
“Dickie’s Such An Asshole”
Track List CD2:
“Dickie’s Such An Asshole”
“Sunday Show 2 Start”
“Inca Roads”
“Village Of The Sun”
“Echidna’s Art (of You)”
“Don’t You Ever Wash That Thing?”
“Slime Intro”
“I’m The Slime”
“Big Swifty”
Track List CD3:
“Tango #1 Intro”
“Be-Bop Tango (Of Tge Old Jazzmen’s Church)”
“Medley: King Kong/Chunga’s Revenge/Son Of Mr. Green Genes”
“Monday Show 1 Start”
“Montana”
“Dupree’s Paradise”
“Cosmik Intro”
“Cosmik Debris”
Track List CD4:
“Bondage Intro”
“Penguin In Bondage”
“T’Mershi Duween”
“The Dog Breath Variations”
“Uncle Meat”
“RDNZL”
“Audience Participation”
“RDNZL”
“Pygmy Twylyte”
“The Idiot Bastard Son”
“Cheepnis”
“Dickie’s Such An Asshole”
“Monday Show 2 Start”
“Penguin In Bondage”
“T’Mershi Duween”
“The Dog Breath Variations”
“Uncle Meat”
“RDNZL”
Track List CD5:
“Village Of The Son”
“Echidna’s Art (Of You)”
“Don’t You Ever Wash That Thing?”
“Cheepnis – Percusssion”
“I Love Monster Movies”
“Cheepnis”
“Turn The Light Off/Pamela’s Intro”
“Pygmy Twylyte”
“The Idiot Bastard Son”
“Tango #2 Intro”
“Be-Bop Tango (Of The Old Jazzmen’s Church)”
Track List CD6:
“Dickie’s Such An Asshole”
“Big Swifty – In Rehearsal”
“Village Of The Sun”
“Farther O’Blivion – In Rehearsal”
“Pygmy Twylyte”
“That Arrogant Dick Nixon”
“Kung Fu – In Session”
“Kung Fu – With Guitar Overdub”
‘Tuning And Studio Chatter”
“Echidna’s Art (Of You) – In Session”
“Don’t You Ever Wash That Thing? – In Session”
“Nanook Rubs It – In Session”
“St. Alfonzo’s Pancake Breakfast – In Session”
“Father O’Blivion – In Session”
“Rollo – (Be-Bop Version)”
Track List CD7:
“Saturday Show Start”
“Pygmy Twylyte/Dymmy Up”
“Pygmy Twylyte – Part II”
“Echidna’s Art (Of You)”
“Don’t You Ever Wash That Thing?”
“Orgy, Orgy”
“Penguin In Bondage”
“T’Mershi Duween”
“The Dog Breath Variations”
“Uncle Meat/Show End”
Só de ouvir 15 minutos do primeiro disco já dá pra ficar perplexo. Com uma de seus formações mais enxutas, 8 músicos sob o também pequeno palco do Roxy, fizeram um som digno de orquestra.
A Sunset Strip fervilhou pra pegar esses shows e todos sabiam não só da força desse repertório, mas do nível que os músicos envolvidos conseguiram atingir, tudo com um material extenso e bastante complicado nas mãos.
Além dos 4 shows abertos ao público, um quinto apenas para convidados, uma sessão de estúdio (no Bolic Studios, casa do senhor Ike & Tina Turner), ainda teve uns takes para mais um doc que acabou ficando engavetado por décadas, até virar o “A Token Of His Extreme“.
Está tudo aqui, com um certo atraso, mas chegou. Uma aula sobre teoria musical, harmonia, improviso e o poder do Jazz como linguagem, forma e catalizador de conteúdo sonoro, esse lançamento contempla a música como um prisma remasterizado com algumas das maiores performances da vida de nomes como Chester Thompson (bateria) e Tom Fowler, por exemplo.
Essa é uma das encarnações mais cavernosas do Mothers, uma das maiores bandas da história da carreira Zappiana e um de seus combos menos celebrados, muito em função de todo esse material não ter saído na época. Agora isso tudo está nas ruas, nos becos mais descolados e nas vielas onde quem não tem bigode nem pensa em aparecer.
Depois de meses ensaiando mais de 40 horas semanais, esse combo eternizou um nível quase telepático de entrosamento. Zappa com certeza não era fácil de se trabalhar, mas conseguia o melhor de seus músicos e depois do play é fácil entender por que todo mundo sente falta desse cara.
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Killa Bi em “É Nosso Tudo O Que Eu Olho”, a expertise de uma grande MC
Em seu disco de estreia, Killa Bi mostra-nos por que é uma das grandes MC’s surgidas no Rap brasileiro nas últimas décadas, “É nosso Tudo O Que Eu Olho” Nos últimos 6 anos, o nome de Killa Bi se tornou obrigatório para quem está atento…
NEGGS & YANGPRJ, arte e cultura Hip-Hop piauiense expandidas e renovadas, e agora?
Após 3 discos lançados, NEGGS & YANGPRJ expandiram e renovaram a arte e a cultura Hip-Hop piauiense, “Libertador part. II, o fim de um ciclo! Em seu último movimento, a dupla de artistas piauienses NEGGS & YANGPRJ, lançou o disco “Libertador part. II”, no final…
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…




