Feralkat lança “Colapso Tropicaos”, terceiro single rumo ao primeiro álbum que será lançado em novembro de 2023.
Tou escrevendo esse texto na noite de 12 de outubro, dia das crianças. Nesta data somos bombardeados nas redes sociais, por tanto conteúdo que remete à infância, que fica difícil você não relembrar da sua própria.

A data já me deixou propenso a pensar na minha infância e adolescência, ouvir Colapso Tropicaos, fez minha mente focar numa lembrança específica, o dia em que assisti Bladehunner: O Caçador de Androides pela primeira vez.
Eu pirei assistindo aquilo, a ponto de acreditar ser aquela uma revelação do futuro a me esperar na vida adulta. Você nascido na metade dos anos noventa em diante e não se interessa muito por cinema pra além das franquias da Disney, deve estar sem entender a referência.
Bom, acontece que filmes de ficção científica na virada dos anos setenta pros oitenta tinham essa coisa de usar sonoridades eletrônicas pra ajudar a compor a atmosfera futurística dos filmes. Rola nessas produções muito new age, synth pop, krautrock e todo repertório da música eletrônica disponível naqueles tempos.
Por conta disso, música eletrônica sempre me leva a imaginar cenários distópicos, desprovidos de natureza e composto de paisagens com todo tipo de aparato tecnológico à vista.
E claro, sendo Feralkat, alterego de Natasha Durski, uma alquimista dos sons produzidos por vias eletrônicas, o resultado sob minha percepção e mente não poderia ser outro. Já vou logo avisando, pra você, que assim como eu, curte uma penumbra, um clima darkzeira, entra pro seu quarto fecha as cortinas e bota Colapso Tropikaos pra rolar.
A música começa com arpejos na guitarra e o sintetizador produzindo texturas sonoras densas fazendo vocês sentir todo peso da existência deste mundo à beira do colapso ambiental.
Tanto na letra, quanto em sua sonoridade, a composição se desdobra de maneira sombria, gerando em nós ouvintes o sentimento de medo, por nos colocar diante da situação vivenciada neste momento, em que sentimos, literalmente, na pele os sinais de um desfecho apocalíptico iminente da humanidade.
Natasha nos fala a respeito do processo de composição e criação do conceito de Colapso Tropicaos:
“Escrever Colapso Tropicaos foi uma maneira de, como diz a letra, soltar esse grito que explodia silenciosamente dentro de mim há vários anos, de alguém que desde muito cedo se viu preocupada com as questões sociais, ambientais e políticas, e em dado momento se afastou da luta como ativista política pra tentar mudar as coisas através da música. Essa música, portanto, é uma conexão dessa Natasha ativista com a Natasha que vê a música também como um caminho de transformação“.
As condições sob as quais vivemos vão escancarando a realidade cada vez mais opressora e decadente na qual vivemos. Artistas como Feralkat produzem obras fortemente ligadas ao momento que vivemos, obrigando-nos a sentir o peso de viver sob essa pressão constante.
Os experimentos sonoros realizados por Feralkat lançam sobre nós aflições, inseguranças e uma angústia dilacerante. Porém, não com o propósito de nos prostrar, mas de nos despertar pra necessidade de atuar sobre a realidade a fim de transformá-la.
Já não podemos nos dar ao luxo de ficar apenas contemplando o mundo, produzindo obras de artes decorativas e efêmeras. Permanecer neste caminho é se aproximar cada vez mais do abismo.
Mais de Feralkat no Oganpazan:
FERALKAT lança seu segundo single
FICHA TÉCNICA
“Colapso Tropicaos”
Música por: FERALKAT
Composição: Natasha Durski
Letra: Natasha Durski
Gravação:
Voz, Guitarra e Sintetizadores: Natasha Durski
Bateria: Babi Age
Baixo: Daniel Kaplan
Engenharia de som/gravação: Felipe Sad (Laje Estúdio/ Zoom Discos), Fellipe Dantas e Natasha Durski
Mixagem: Luiz Sadaiti e Matheus Reinert
Master: Stéfanos Pinkuss
Produção musical: Natasha Durski
Foto e Arte da Capa do Single: Fellipe Dantas e Natasha Durski
Fotos de divulgação: Fellipe Dantas
Concepção artística: Natasha Durski
Carlim
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