Elvis Kazpa segue num pique cabuloso, voltando a carga artística com um clipe pesado, elevando a amizade e o trabalho.
O pique de jogador desse mano parece incansável, pois o cabra trabalha em várias frentes, seja como produtor de uma das maiores festas da cidade, a bombada Trap Crew, responsável por trazer diversos nomes importantes do rap para a cidade, seja abrindo o pioneiro espaço para as dançarinas de Twerk. Mas não para por aí e seus dotes artísticos (e não são poucos) também estão em evidência, pois Elvis Kazpa lançou recentemente um clipe de seu novo single Rolé de Gang.
Dois anos após o lançamento de seu álbum de estreia, o excelente e um dos percussores do trap em nossa city: Mestre de Cerimônia (2014), o rapper segue a mensagem da capa deste disco, com a verdadeira disciplina dos samurais, cortando sem dó a mediocridade e abrindo a golpes de katana espaço dentro da cena. Espaço que abre para si mesmo e para muitos outros artistas, sejam os rappers ou as dançarinas locais.
Rimar solução, essa é a mensagem principal trazida na letra da música recentemente lançada. O Rolé de Gang possui uma base sólida e é construído a troco de muito trabalho. Onde podemos pensar a gang como uma analogia para empresa ou para o agrupamento de artistas trabalhando juntos, para proporcionar as condições do rolé. Afinal, para que nada falte no kit é preciso trabalho, da mesma forma que a moral conquistada pela cidade deve advir do reconhecimento dos seus pares e do público. A ostentação aqui, na beira da piscina, não se baseia meramente num sonho de consumo inalcançável como no funk, mas sim, nas possibilidades que o trabalho pode angariar.
Se por um lado falta-nos – ou não se quer – uma problematização maior do sistema que (capitalista e racista que é) nunca propiciará a ascensão de todos os que trabalham, como pregam os hipócritas argumentos meritocráticos. Por outro, adere-se a uma perspectiva liberal onde não existe nenhum sentimento cristão de vergonha ao mostrar – não ostentar – conquistas que são frutos de trabalho honesto e que obviamente não são conquistas apenas individuais. Sendo fruto de movimentações intensas com a cultura, se revelam oportunizadoras de geração de renda e emprego a outros tantos.
Tal perspectiva está presente no clipe de Rolé da Gang, desde sua feitura – Deds, Raal, Pedro Gabriel e Iâneque Ferreira – até os “atores” que são capturados nas imagens. Dj Tau, Luâ Faya, Gleyce Manu, Mc Zidane, entre outros que ilustram as cenas na beira da piscina e na laje da Trap Crew. O que nos leva a deduzir que a tão criticada ostentação é tratada de forma mais apropriada, como uma conquista muito mais coletiva que individual. O que não deixa de lado a perspectiva presente na essência do hip-hop: “progresso para os nossos”.
Musicalmente a produção fica por conta de WC Beats, que preparou uma pista pesada por onde Kazpa desfila toda a excelência da sua caminhada e rolés no rap. Num flow seguro, que podemos trazer como uma analogia da união entre o seu discurso e prática, o artista eleva o trap novamente ao lhe colocar rimas seguras e conscientes.
Ele segue vencendo individualmente e apoiando outros tantos na mesma corrida, ficamos na espera de mais e mais festas e principalmente que ele encontre tempo para o sucessor de seu primeiro disco. Que o rolé da gang siga conquistando mais e mais territórios e alcance muitos outros, tantos quanto possível. Sendo assim, vamos falar de arte e cultura, o resto: “Olho viu, Boca piu”. Beleza?
Pega a Visão:
Danilo
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