Quando Mariô Onofre veste a pele de Egito Rock, o som muda: guitarras cortantes, clima soturno e alma pós-punk em um single de identidade própria.

Mariô Onofre é presença recorrente da cena underground de São Paulo. Como baterista e percussionista participou de bandas preocupadas em explorar sonoridades construídas a partir de elementos ritualísticos.
Através do “rock xamânico” do duo Mescalines e da “macumba psicodélica” da banda Fuzzuês moldou uma sonoridade visceral, beirando a materialidade radical de um primitivismo instintivo.
Contudo Mariô se apresenta como um espírito nômade e não faz parada no mesmo lugar durante muito tempo. Prova disso está no último single lançado pelo artista. Assumindo a persona de Egito Rock nos brinda com “EXU é meu amigo.
A música traz consigo toda força do simbolismo de Exu, o orixá responsável por fazer a ligação entre o mundo das divindades e o mundo dos humanos; por guardar os caminhos de quem o reverencia. Por isso Egito Rock celebra a amizade entre ambos.
Além disso, a figura de Egito Rock remete à ligação intrínseca de Mariô com a cultura africana. Egito, nascedouro da ciência e da filosofia. Nesse sentido essa persona evoca a força da cultura negra em sua totalidade.
Em “EXU é meu amigo” Mariô preserva o minimalismo presente em outros projetos musicais. Recorre, contudo, a uma matéria prima tecnológica. Explora elementos eletrônicos, tanto na parte rítmica, quanto melódica.
Efeitos tornam as melodias vocais mais atmosféricas, expansivas, imprimindo um tom sombrio à música. Intensificado através das marcações rítmicas da bateria eletrônica, dando uma sensação de se estar num ritual afrofuturista.
Tal sensação ritualística afrofuturista ainda tem na melodia simples, desdobrada a partir do compasso em que a frase “Riders On The Storm”, pegada de empréstimo da música dos The Doors, repetida numa dinâmica mântrica, envolve o ouvinte.
Carlim
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