Depois que o Earthless liberou o ”From The Ages” (2013), confesso que nem fiquei muito preocupado com a sequência. A banda lança discos periodicamente e está sempre por aí tocando, mas até a abordagem musical do trio mostra que eles não tem pressa para suceder seus discos imediatamente.
Não tem pressa nem pra gravar sozinho, quanto mais fazendo split com outras bandas do mesmo quilate na cena. O ano de 2014 provou isso. Depois de chamar o Heavy Blanket pra uma jam o negócio ficou tão sério que quando saiu tivera que dividir os créditos.
50% Earthless e 50% para os também americanos do Heavy Blanket. E como resultados temos um dos melhores splits que já ousei ouvir nesta vida, a agradabilíssima surpresa de ”In A Dutch Haze”, trabalho colaborativo lançado dia 8 de Julho de 2014. O CD que mais me causou danos auditivos naquele ano… Sem sombra de dúvida.
Line Up Earthless:
Mario Rubalcaba (bateria)
Mike Eginton (baixo)
Line Up Heavy Blanket:
J. Mascis (guitarra)
Graham Clise (guitarra)
Track List:
”Paradise In A Purple Sky I”
”’Paradise In A Purple Sky II”
”Paradise In A Purple Sky III”
”Paradise In A Purple Sky IV”
>Gravado ao vivo no Roadburn fest no dia 14 de Abril de 2012 (na Holanda), esse registro chega para, mais uma vez, atordoar ouvidos de todas as partes do planeta, com a cozinha do Earthless na mesma pegada de sempre, ultrapassando limites sônicos no padrão FIFA. Mostrando seu arsenal de peso contrabalanceado com psych, somando-se ao puro néctar do creme Stoner do Heavy Blanket, que após esse disco, começou a ter a visibilidade que tanto almejava e merecia.
Em relação ao resultado, juntando ambos, devo salientar que o entrosamento é formidável e que se você não conhece o som do Heavy Blanket, recomendo fortemente que apresente seus ouvidos ao peso descomunal dos caras, só faço aqui uma ressalva: a cozinha do Earthless é mais eclética, o som do Blanket é mais engessado e as vezes a audição pode vir a ser um pouco cansativa.
O disco é formado por apenas um tema, ”Paradise In A Purple Sky”, jam que foi dividida em quatro sessões, sendo que para efeitos demonstrativos, a menor faixa tem 13 minutos e alguns quebrados de duração. Temos praticamente 60 minutos de caos e nesse experimento todo vale destacar o trampo do Mario Rubalcaba (bateria) e do Mike Eginton (baixo), ambos do Earthless, que arrebentam durante cada nanosegundo em que qualquer tipo de som é emitido nesse CD.
São faixas muito longas e com um peso estarrecedor. A base rítmica do Earthless proporcionou o emprego dos sonhos para a dupla de guitarristas de J. Mascis e Graham Clise. Creio que não é preciso ser nenhum gênio para perceber que eles fazem o grosso dessa cozinha, preenchendo todos os espaços vazios, inundando a timbragem do som e deixando o caminho livre para que a dupla de guitarras apenas fritasse ao seu bel prazer. Um registro que espanta (positivamente) até os ouvidos mais experientes.
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