David McCallum é ator e músico, famoso por seu papel na série de TV “The Man From U.N.C.L.E” e por seus LP’s via Capitol Records.
Um dos discos de maior impacto na cena do Hip-Hop no fim da década de 1990 e no começo dos anos 2000 foi o sucessor do “The Chronic“, que saiu em 1992. Falo sobre o “2001“, segundo disco de estúdio do Dr. Dre. Conhecido também como “The Chronic 2001” e “The Chronic II“, esse trabalho de estúdio – lançado em 1999 – é o mais vendido da carreira do rapper e produtor, com mais de 10 milhões de cópias tocando pelo mundo.
Dr. Dre e 2001
É difícil encontrar uma faixa do álbum que não tenha se transformado num hit. Com um time estelar de convidados que incluiu Snoop Dogg, Nate Dogg, Hittman, Kurupt, Eminem e Xzibit, o projeto conta com faixas lendários do cancioneiro do Hip-Hop, como “Still Dre” (que foi escrita pelo Jay-Z), “Forgot About Dre“, “The Next Episode” e “The Watcher“, por exemplo.
Samples, G-Funk e “The Next Episode”
No hall de samples selecionados para montar o plano de fundo das tracks, vemos um repertório que vai do Jazz à música orquestrada. Um dos samples no entanto é pouquíssimo divulgado e conhecido pelo grande público. Durante muitos anos achei esse beat um dos mais cabulosos do Dr. Dre. Falo sobre a base de um dos singles, vulgo “The Next Episode“.
Esse que é um dos hinos do G-Funk – que foi amplamente influenciado pelo P-Funk do George Clinton e seu coletivo funkeado (Parliament-Funkadelic), mostra como o trabalho de pesquisa musical é importante, principalmente pensando na curadoria de samples.
Não só isso, mas esse sample do Dr. Dre mostra como foi importante o movimento dos produtores, beatmakers e etc no sentido de sair um pouco da seara do Jazz, Blues, Funk/Soul e R&B, em busca não só de novas sonoridades, mas também estéticas que pudessem trazer um molho diferente no som.
Mas afinal de contas, quem foi David McCallum?
David McCallum foi um músico e ator britânico que fez muito sucesso, principalmente durante a década de 1960. O cidadão se transformou numa espécie de símbolo sexual, em função de seu papel de destaque na série televisiva “The Man From U.N.C.L.E”, que foi exibida entre 1964 e 1968. O artista ficou famoso por seu papel como ”Illya Kuryakin“, um agente secreto russo. Um salve para a guerra fria!
Uma prática muito comum na época era se aproveitar da fama dos astros da TV e com David não foi diferente. O britânico assinou um contrato com a Capitol Records e lançou 4 LP’s entre 1966 e 1968. Todos esses registros contam com a produção cirúrgica do norte americano David Axelrod, célebre produtor, arranjador e compositor.
Discografia do David McCallum
- “Music…A Part of Me” (1966)
- “Music…A Bit More of Me” (1966)
- “Music…It’s Happening Now!” (1967)
- “McCallum” (1968)
Só que diferentemente de todos os atores que eram chamados para gravar discos, David McCallum possui vasto conhecimento musical. Instrumentista de formação clássica, ele tocou oboé, corne inglês, além de conduzir os arranjos de corda nas gravações.
O usual na época era que os atores apenas cantassem, mas David realmente fez um trabalho musical bastante interessante nesses 4 discos. A identidade das orquestrações é bastante própria e o som possui uma unidade estética bastante interessante. Ele definitivamente sabia o que estava fazendo.
Dos 4 discos lançados, “Music…A Bit More of Me“, lançado em 1966 se destaca em função da faixa “The Edge“, que foi sampleada pelo Dr. Dre para se transformar no hit “The Next Episode“.
É muito interessante observar como Dr. Dre captou a movimentação e a crescente do arranjo para montar a base de um de seus clássicos. O suspense é a alma da faixa!
O disco saiu em 1966 e ganhou sobrevida num projeto lançado em 1999. Acho que isso resume um pouco da importância do Hip-Hop, não só para a pesquisa, mas também para o resgate musical.
Não pense que o único momento de destaque da carreira musical do David McCallum é resumido apenas por uma faixa que foi sampleada pelo Dr. Dre. Esses 4 registros mostram um tear musical que merece seu próprio lugar ao sol. Os arranjos são bastante sensíveis e a condução valoriza cada um dos desdobramentos que acontecem durante as faixas.
Creio que o fato do Oganpazan trazer essa informação em 2023 evidencia a força incontestável desse repertório. Um salve para o David McCallum e outro para o Dr. Dre. Quem diria, eles formaram uma grande dupla.
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