Costa a Costa, grupo cearense de rap arrombava as portas do rap nacional 10 anos atrás, e produziam um clássico hoje plenamente reconhecido!
Por Paulo Brazil
Houveram muitos grupos geniais na história do rap nordeste, que consequentemente é rap brasileiro. No entanto, eram sempre tidos como exóticos, ou como gratas surpresas, porém não alcançavam ou não alcançaram ainda um lugar digno dentro do cânone do rap nacional. O que começou a ser rompido com a mixtape lançada pela grupo Costa a Costa, formado por Nego Gallo e Don L. Essa dupla pesada juntou forças com Berg Mendes e Dj Flip Jay pra formar e fazer um dos maiores acontecimentos do rap nacional. Junto com Thafilaz que fortalecia a banca/selo DuNego, junto com outros 30 manos no Conjunto São Pedro em Santa Tereza, Fortaleza-CE.
O Costa a Costa não foi o primeiro grupo/ artista do rap nordestino a quebrar a cortina que distanciava o Rap produzido na região e de adentrar o eixo do sudeste, porém, ainda que não reclamem tal patente, de longe, essa trupe cearense figura em nossa cena como os mais ousados e audaciosos.
Tal feito tem nome e ano, chama-se: Dinheiro, sexo, drogas e violência , a antológica mixtape lançada em 2007, considerada por muitos amantes do Rap nacional, como um dos discos mais ousados da história do Rap nacional. Muitos torceram o nariz para a mixtape, enquanto muitos outros viram no trabalho dos caras a abertura de uma nova janela de possibilidades dentro do Rap brasileiro. O fato é que o Costa a Costa trouxe um novo tempero ao rap, não somente na forma de construção poética inovadora e singular, mas também como na exploração de novas sonoridades, que vão do brega ao ragga, passando pela música latina e caribenha como o mambo e a salsa, sem nenhum medo de experimentar o novo e agregar valor a cena.
Engraçado como a história precisa sempre ser recontada e nesse recontar, a depender de quem o faz, capítulos importantes vão sendo incorporados. Nessa maravilhosa saga é importante ressaltar que a Tia esteve presente, sim, ela mesmo, a Tia que você mais respeita, Lívia Cruz. única participação do disco, estava lá, 10 anos atrás rimando nesse clássico.
Um soco no estômago dos conservadores. Passado 10 anos do seu lançamento original, a mixtape do Costa a Costa segue sendo estrategicamente um dos discos mais importantes do Rap brasileiro, lançado num momento onde o Rap nacional já vinha dano sinais de uma exaustiva estética de repetição do que se vinha produzindo. Salvo, claro, algumas boas exceções as quais poderíamos listar e que vinham na contra corrente da fórmula “mais do mesmo”. Ainda assim, vale repetir, nada tão audacioso e eficaz quanto esse disco que por diversos motivos, já nasceu clássico e a frente da cena e o contexto o qual foi concebido.
Analisando a cena atual, sobretudo, o que vem sendo produzido na região nordeste, não é difícil imaginar de onde se bebeu e seguem bebendo. Uma fonte de ousadia inovadora aberta pelo Costa a Costa uma década atrás. Dez anos depois – Dinheiro, sexo, drogas e violência se mantém atual e segue contaminando” e se proliferando nos ouvidos de quem sempre busca o novo, sendo um eficaz antídoto contra a mesmice do rap nacional.
Recentemente o grupo anunciou um retorno para a comemoração de 10 anos do lançamento desse clássico. Ao mesmo tempo tanto Don L (RPA Vol.3) quanto Nego Gallo, estão na eminência do lançamentos de trabalhos solo. Para os fãs do grupo é hora de pressionar os contratantes locais para levarem o show dos manos para as suas respectivas cidades. Imaginem comigo, é possível assistir nessa pegada, um show do grupo e respectivamente solos com os trampos que os mesmos manos vem lançando ao longo dos anos e estão prestes a lançar.
Seria um sonho? Não custa né? Mas enquanto ele não se realiza, escutem essa pedrada fundamental do rap nacional.
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