Cory Henry é um dos nomes do groove contemporâneo quando o assunto é Hammond B3. Ao lado do Funk Apostles, o americano gravou um discaço.
Cory Henry nas teclas
O Cory Henry virou uma mistura de Billy Preston, Booker T. Jones e Jimmy Smith da nova geração. Um dos músicos mais técnicos do nosso tempo e que emana sentimento em cada nota de seu Hammond, Cory é responsável por trazer essa forte cultura musical do Gospel, num blend exuberante de Jazz, Funk e Soul. R&B da melhor espécie ou o seu dinheiro de volta.
Só que depois de 3 discos solo muito enraizados nas verdades e vivências do próprio artista, acredito que “Gotcha Now Doc” (2012), “First Steps” (2014) e “The Revival” (2016) nunca fizeram frente a real capacidade musical de Cory… Faltava algo, um lance surpreendente, disruptivo, e foi aí que o The Funk Apostles caiu como uma luva.
Cory Henry & The Funk Apostles
Depois que o “The Revival” saiu, Cory foi promovê-lo, mas o que chamou atenção foi que ele reservou poucas datas para focar nesse novo repertório. Tão logo as apresentações acabaram, Henry começou a figurar nos mais tradicionais festivais de Jazz do circuito europeu, como o festival de Frankfurt e Vienna, por exemplo, só que ao lado de uma nova banda.
Tanto o final de 2016 quanto o ano de 2017 (em sua totalidade), foram dedicados a esse novo experimento e essa drástica mudança de approach resultou no melhor disco do cidadão até então. Dessa vez como frontman, o músico virou a chave, colocou um Moog acoplado no órgão e lançou um dos melhores discos do ano.
“Art Of Love”, lançado no dia 22 de junho de 2018 é o primeiro trabalho de estúdio de Cory com esse novo projeto. Agora ele brinca de George Duke católico por aí enquanto sua banda destila um dos mais ácidos repertórios da atualidade.
Track List:
“Trade It All”
“In The Water”
“Our Affairs”
“Just a Word”
“Takes All Times”
“Send Me a Sign”
Olha só a cara do chefe com a sua gangue. Essa foto resume tudo. Nunca senti tanto tesão, Funk e groove num só disco do multi instrumentista. É interessante como essas mudanças de cenário fizeram bem para a música… “Art Of Love” acertou em cheio, são poucas composições é verdade e as 6 faixas compreendem apenas cerca de 35 minutos, mas acredite, serão excelentes 35 minutos.
O esquema de Big Band sempre agradou Cory. No Snarky Puppy ele colecionou Grammys e sempre liderou bandas desde muito jovem, então eis que chega a pergunta: o que mudou? A resposta é simples: Funk.
Nos outros discos, tanto o próprio Cory, quanto sua banda, pareciam limitados pela proposta. O Gospel conta com milhares de possibilidades, mas antes ele parecia muito focado nisso e os discos as vezes acabavam saindo meio quadrados, parecia que ele ainda estava delineando sua linguagem.
Agora, com uma banda de Funk, o grande negócio com esse disco é ver como ele se enquadra nisso e como o seu Gospel raiz ajuda a emoldurar a cozinha.
Tem música pra tocar no rádio como “Trade It All”. Sons pra deixar rolando num lounge, como “In The Water”. Overdose de camadas de Sintetizadores em “Our Affairs”, e pra não falar que ele virou a casaca do Gospel, ainda surgem dois hinos ao som de “Takes All Times” e “Send Me a Sign”, composições criadas ao lado de nada mais nada menos que Robert Randolph (mestre do pedal steel guitar), amigo do meliante.
Esse disco mostra como é importante ter um equilíbrio entre a forma e o conteúdo. Foi só mudar a abordagem que bastou, esse é o som do Funk para o século XXI. Que timbre de Sintetizador hein Cory?! “Send Me a Sign” é de chorar.
Vale lembrar que no mesmo dia que esse disco saiu, também foi liberada uma gravação ao vivo do Cory com seus apóstulos do Funk. “Live In LA” sintetiza como esse projeto fez bem para o prodigioso instrumentista. Esse disco foi muito importante para sua carreira e seus efeitos ainda reverberam por ai. Vale lembrar que em 2020 Cory lançou “Something To Say” e “Best Of Me”, lançado em 2021 – discos que bebem dessa proposta que foi desenvolvida à partir de 2018.
multi instrumentista premiado, com larga experiência em estúdio e também fora dele, é um prazer ser contemporâneo das criações mirabolantes desse cidadão. Numa eventual lista de grandes músicos com menos de 40 anos de idade, Cory com certeza é figurinha carimbada. A melhor coisa que ele fez na vida foi virar essa chave e trazer os grooves crocantes repaginados no moog. Como se não bastasse, o americano natural do Brooklyn ainda surpreende nos vocais.
Aperte play e apenas aprecie. O jeito que ele modernizou a produção a partir dos timbres mostra o tamanho da sensibilidade desse grande expoente da música negra mundial.
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