Carlin voltou é camisa 9 e ouro de tudo, separamos três discos do rap nordeste side, pra vocês sentirem o clima e verem nossa diversidade!!!
Um dos manos mais relevantes da cena nordestina, possuidor de uma história muito importante pro rap nacional, esta de volta. Nego Gallo, membro do Costa a Costa, nos presenteou com uma mixtape onde já podemos perceber a qualidade do trabalho que se anuncia em seu disco solo. Com produções de Côro Mc e Billy Gringo, emana um clima muito intenso e gostoso, conseguindo harmonizar as perspectivas gangueiras e as vibrações positivas, numa fronteira tênue como só quem é verdadeiramente do gueto sabe.
Nego (Carlos) Gallo, o homem, educador, recolhe uma vivência profissional pra além das rimas, adequando sua atuação como educador com a arte. Numa simbiose onde uma coisa se complementa na outra, sem separações nítidas. Arte e vida em continua retroalimentação. Como de resto, ao que parece, muitos dos que lidam com o rap pretensamente querem ser, ou se inserem dentro da cena, aproveitando-se dessa perspectiva. Porém nesta prévia do trabalho, o mano já escurece o papo, num clima Chiaroscuro. É interessante notar essa dualidade, ou essa passagem de um clima ao outro, onde as posturas se dão, onde as sensações emanam.
Quem não nasceu pra cativo dificilmente se volta a uma vida de escravidão, seja ela qual seja, e Carlim é um desses exemplos indigestos. Por que confundem as percepções dos que querem tudo preto-no-branco. E com sua arte consegue prover uma visão mais ampla em direção ao Oeste. A abertura daquilo que sempre foi o ponto de desterritorialização da palavra poética, a terra a ser desbravada. Vamos aguardar a pedrada do disco cheio que esta anunciado pra esse ano ainda!
Faz alguns meses noticiamos uma banca do interior de Sergipe, mais exatamente da cidade de Estância. Vandré Nig, era parte deste coletivo, na verdade, ainda é. Mas ainda não tinha um disco solo, com essa qualidade, apenas algumas músicas soltas, lançadas como singles. Camisa 9, Vol.1 é uma excelente reafirmação do que colocávamos lá naquela primeira matéria. Fazer rap no nordeste é ruim? E no interior do menor estado da região é o que? Vandré nos responde, com sua evolução e agregando muita qualidade ao seu flow sem desdobro. E com isso, nos entregando um EP muito pesado e que faz jus a qualidade do atual rap sergipano. A banca Oxeniggas está muito bem representada pelo mano que vem no interior. mas que traz em sua interioridade muito conteúdo pra fechar com qualquer mano de outras quebradas. “Noite Calada” é um excelente exemplo de como os manos dos nossos interiores estão expostos aos mesmos problemas que os nossos. Mas não fica por aí: “Voa” é mais uma das continuações do EP, que mostra o quanto a malandragem estar também no interior!
Na capital e no interior, em todos os lugares do nosso país as condições são iguais, pelo menos nas condições técnicas, as diferenças são poucas. Afinal se ouve algo que a globalização igualou foram as condições de acesso a tecnologia. Obviamente pra quem esta no mesmo patamar financeiro, mas também com relação a informação, e isso fica bem claro com a faixa “Soul Rap”. Onde é fácil perceber o quanto os moleques de outros centros podem sentir, pensar, se vestir de foram igual. Com as mesmas referências objetivas e com os mesmos espelhos intelectuais.
Porém, é muito bom notar que as diferenças permanecem mesmo nessa terra dos “paraíbas”, onde aos olhos de muitos, todos se igualariam pelos simples fato de vir da mesma região do país. Vandré Nig, nos mostra aquilo que nos iguala e nos diferencia, e continua caminhando e cantando, sem perder o flow e azideia!
https://www.youtube.com/watch?v=v6se5SxJ24M&list=PLOJS6VaQg15qmdAmfmNRDFQID-gOg-XXm&index=7
Trem Bala do Litoral, com um maquinista alucinado, Marcos Morcegão, nos apresenta Ouro de Tudo (2016). Mas uma mixtape que te coloca a pergunta: O que é que você quer? Flow, Rima, Beat, Técnica? E diante dessa pergunta o mc responde com um trabalho muito sólido, cheio de nuances temáticas, de técnicas diversificadas e de produções sui generis. Marcos Morcegão que antes fazia parte do grande grupo baiano Turma do Bairro, completou suas horas de trilho, e sentiu a necessidade de um trampo, onde só ele estivesse na direção. Capaz de dar vazão a sua criatividade de modo mais solto, ou pelo menos, mais independente. Engraçado as referências a mitologia grega não cessam em Midas, e talvez passem ao largo dessa referência mais óbvia. A primeira música “Ouro de Tudo”, já traz uma questão que parece uma questão mais subterrânea no trampo de Marcos Morcegão, o pouco espaço pra emoção; O amarra-se ao mastro (ou aos trilhos?) para não perder a direção. Um clara referência ao grande Ulisses e sua longa odisseia. E isso pode ser percebido em “Adianto” (Prod. Christian Dactes), quando o mano se pergunta o que nós ouvintes queremos, quase que como uma contra efetuação ao canto da sereia, que dita a moda do rap. Mete mão, mete mão? Não parece ser esse o caminho, que o mano vai rumar…
A mixtape de Morcegão parece algo vindo de um bom e velho vampiro, porque Frank Lucas algum conseguiria nos viciar tão facilmente. As linhas e beats que o mano desfila, insinuam o tempo inteiro uma visão mais realista da vida, ao mesmo tempo que não abre mão do bom humor. O deboche por exemplo pode ser visto em “Jogos de Signos” (part. Tácio Pirez) com produção de MDN Beatz, onde o mc nos narra um pouco sobre seu carater e a relação desse com uma conquista. “Cama pequena e poemas, cobertas de amor?” Ainda temos “Simbiose” (part. Rixar) e com produção de MDN e Cidade de Plástico com produção de ServoBeats.
https://www.youtube.com/watch?v=fXWtE1D1Rn8&list=PLpgxIOGeoDB83L_BqSE1ztXcDVk6ERm9Z&index=5
Danilo
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