Bianca Gismonti lançou no final de 2024 o álbum “Gismonti 70”, uma homenagem aos 70 anos do seu pai Egberto Gismonti. Nele revisita períodos importantes da carreira de seu pai.

Em 2017, Egberto Gismonti celebrou sete décadas de vida. Para Bianca Gismonti, pianista, compositora e filha do mestre, não havia tributo mais genuíno do que interpretar a música que sempre foi a espinha dorsal de sua própria história.
“As composições dele traduzem parte da minha vida. Desde o nascimento, acompanho suas sementes se transformando em árvores grandiosas”, reflete Bianca. E assim nasceu o projeto Gismonti 70, uma ode musical ao pai, um dos maiores gênios da música brasileira.
O álbum foi gravado em 2018, em Budapeste, pelo Bianca Gismonti Trio que conta com Bianca no piano e voz, Julio Falavigna na bateria, e Antonio Porto no baixo de seis cordas. Em Gismonti 70, o trio nos leva a um passeio pela vasta obra de Egberto.
No repertório, peças emblemáticas como “O Sonho”, eternizada por Elis Regina, e os clássicos instrumentais “Palhaço” e “Lôro”, entre outros. Cada interpretação carrega um profundo respeito às melodias originais, mas com arranjos que revelam a sensibilidade e o toque único do trio.
Apesar de pronto para ser mixado em 2020, o álbum teve sua jornada interrompida pela pandemia. Apenas em 2024, Bianca finalizou o projeto, registrando as imagens que traduzem a essência do trabalho. “As fotos foram feitas na casa onde morei com meu pai até os 19 anos, um lugar de silêncio e grandiosidade, quase um museu da vida dele”, conta.
Os outros integrantes do trio também têm conexões profundas com a obra de Egberto. “Na adolescência, Egberto e Hermeto eram as fontes para quem buscava caminhos criativos no Brasil”, diz Julio Falavigna. Para Antônio Porto, a música de Egberto é “a música do silêncio, onde cabem as coisas verdadeiramente imensas”.
Finalmente, após sete anos da ideia original, Gismonti 70 chega ao público pela Hunnia Records. O álbum, que será lançado em versão física em janeiro de 2025, é mais do que um presente de aniversário. Temos em seu lançamento uma celebração da eternidade da música e da linhagem Gismonti.
Bianca resume a profundidade desse trabalho com a mesma poesia que embala o álbum: “Ser filha de Egberto é uma dádiva celestial. Sua música é minha certidão de nascimento, e segui-la é regar essa dádiva todos os dias. A raiz e as folhas conversam e florescem em eternidade.”
Carlim
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