
É interessante como a dinâmica da internet transformou vários aspectos da produção musical ao longo dos últimos anos.
Um deles é o hábito que os artistas adquiriram de fazer lyrics-videos. Já que produzir um vídeo clipe geralmente não sai muito barato, os lyrics-videos são uma opção mais viável de ter conteúdo oficial sendo veiculado em plataformas populares como o youtube.
Esse costume surgiu por conta dos próprios usuários dessas plataformas que começaram a compartilhar as músicas acompanhadas de suas respectivas letras. O sucesso que esses vídeos fizeram fez com que a ideia se multiplicasse chamando a atenção de bandas e produtoras que também começaram a produzir suas próprias lyrics-videos, claro, com um produção melhor do que as iniciativas caseiras.
Recentemente descobri um lyric-video da banda canadense Arcade Fire que me chamou a atenção. Trata-se do vídeo feito para a música Afterlife do disco Reflektor (2015), último registro do grupo. As imagens utilizadas no vídeo foram tiradas do filme Orfeu Negro (1959) de Marcel Camus, que foi baseado na peça Orfeu do Conceição escrita por Vinícius de Moraes.
Apesar da distância que separa esses dois universos, curiosamente a escolha funcionou muito bem. Em linhas gerais, a letra fala sobre a angústia suscitada pela perda de alguém que amamos e pela torturante possibilidade de você nunca mais voltar a encontrar essa pessoa. Bom, guardando as devidas proporções, a história de Orfeu apresenta algumas semelhanças com esses temas.
Na mitologia grega Orfeu era um trovador e poeta – filho do deus Apolo e da musa Calíope – que precisou descer ao mundo dos mortos para resgatar a sua amada esposa, a ninfa Eurídice. Vinícius de Moraes adaptou essa história ambientando-a nas favelas do Rio de Janeiro e utilizou elementos do candomblé e da umbanda para fornecer o teor místico que a narrativa pede.
As belíssimas imagens da cerimônia do candomblé captadas por Camus no filme são embaladas pela música do Arcade Fire, provocando um certo estranhamento, mas conseguindo, ao mesmo tempo, um efeito interessante e difícil de explicar.
O melhor mesmo é conferir com os próprios olhos.
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