Os Antiporcos lançam novo Ep pra elevar os picos de adrenalina através da fúria sonora presente em cada uma de suas faixas.
Estamos vivendo sob a égide da tirania. Submetidos à vontade de um grupo que se apossou das instituições políticas e jurídicas do país afim de fortalecer seu poder e consequentemente explorar ainda mais as camadas populares. Trabalhadores veem seus direitos serem usurpados, são transformados em mão de obra ainda mais barata, destinada a trabalhar à exaustão. Fadados a perderem sua condição de cidadãos e se tornarem meras ferramentas.
A linha de frente da luta contra a opressão necessita da presença massiva da população. Indivíduos dispostos a enfrentar a violência que este governo ilegítimo nos direciona. Os Antiporcos personificam essa energia presente entre os explorados e usurpados, combustível que movimenta as pessoas rumo às revoltas. Os dois últimos Eps (Enquanto Houver Injustiça Estaremos No Front (2016) e Seguimos No Front (2017)) lançados pela banda canalizam essa energia, direcionando-a através de suas músicas e performances em seus shows para todos que entram em contato com ela.
Lançado no dia 05 de maio, Seguimos No Front, pode ser considerado a extensão de seu antecessor. A presença marcante da temática político/social dá substancialidade às letras, cuja agressividade de seu conteúdo, ao se mesclar à natureza selvagem do instrumental/vocal, potencializam assustadoramente o efeito sonoro das faixas sob quem as escuta. A curta duração das músicas leva o ouvinte a perceber a passagem do tempo numa velocidade ainda maior, absorvendo a intensidade do som em alta intensidade.
Esse clima gerado pela sonoridade do álbum nos coloca direto no front de batalha, onde a rapidez dos conflitos e o choque com os agentes de repressão são experienciados com a adrenalina lá em cima. Neste momento o referencial temporal desaparece e tudo parece ocorrer em fração de segundos. O calor do confronto aparece já na faixa de abertura A.C.A.B sigla para All Cops Are Bastards (Todos os policiais são uns bastardos). O lema é usado pelas torcidas em jogos de futebol na Europa. Podemos fazer uma apropriação e dizer que também reflete bem os confrontos entre manifestantes e a polícia, usada como instrumento de repressão de manifestações pelo estado. Nesta faixa o lema é repetido sistematicamente do início ao fim, tal qual ocorre em momentos pré-confronto, quando lemas são usados para inflamar a massa para iniciar o embate.
Para dar contornos ainda mais vivos a tal experiencia, os Antiporcos trazem para as músicas uma de suas paixões, o futebol. A melodia dos hinos das torcidas organizadas é trazida para as faixas, fazendo trovejar em uníssono a potência de milhares de vozes. Em Antiporcos Dale Ô! a mescla entre a forma, o canto das torcidas, com o conteúdo, a letra, harmoniza perfeitamente o que é o encontro entre a massa humana e aquilo que tenta contê-la. Nesses contextos a polícia encarna o papel de instrumento repressivo, cujo canto da “torcida” busca inflamar seus integrantes à luta.
Já a faixa Meu Esporte é Arquibancada expõe a vivência do ato de torcer, que vai além de ter um time de coração, convertendo-se num estilo de vida. Os tempos também são sombrios no terreno do futebol. Nos bastidores, cartolas, patrocinadores, mídia e órgãos responsáveis por gerir o futebol buscam estabelecer uma relação mercantil entre torcedores e clubes. Torcedores tornam-se clientes que encaram os estádios como restaurantes, os jogadores seus empregados e o resultado, o produto de consumo, a vitória e conquista de títulos. A crítica a este modelo dito moderno de futebol, fica subjacente à exaltação da cultura da arquibancada feita pela letra. Essa faixa conta ainda com os dedilhados frenéticos de Gigito em seu banjo, que perpassa toda música do início ao fim, dando-lhe movimento e brilho.
Proletários evoca fortemente o espírito de contestação, buscando alertar para a necessidade de união contra a exploração que coloca cada trabalhador em condição social de extrema dificuldade. Somos Fortes encerra o Ep mantendo a tônica político/social, característica marcante da banda, lançando ainda mais gasolina nas chamas da revolta popular.
Ouça o novo Ep dos Antiporcos acessando o perfil da banda no Bandcamp clicando aqui.
Os Antiporcos são:
Guitarra: Paulo Sérgio
Bateria: TP77
Baixo: Pellegrini
Vocal: Dudu
Ficha Técnica/ Créditos:
Gravado em 31/07/2016 e 30/10/2016, no Golden Tone Estúdio (Salvador/BA), por Dill Pereira. Produzido por Dill Pereira.
Sing Alongs por: Antiporcos, Dill, MSK e Eder “Lobo Mal” Lucas.
Banjo em “Meu esporte é arquibancada” por Gigito
Ilustrações: Gigito.
Roteiros: Paulo Sérgio
Capa/Contracapa: Diego Mira
Todas as faixas por Antiporcos, exceto “Somos Fortes” (versão de “Where Have All the Boot Boys Gone” da banda The ACAB)
Carlim
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