Primeira parte do projeto sobre Andre Matos mostra o nascimento da era de ouro do metal nacional e de uma das bandas mais importantes da nossa história.
Celebrando a vida e obra de Andre Matos
O Andre Matos foi o artista mais completo que já tivemos na nossa música pesada. Não nos resta dúvidas de que Andre e Max Cavalera foram o mais próximo que tivemos de ícones como Ozzy Osbourne, Steve Harris ou James Hetfield, entre outros, que alcançaram status de rockstars ou metal gods no mercado internacional. E ainda foram além, conseguiram estender seu legado à tal ponto que dividiram espaço real na história com esses gigantes estrangeiros.
Temos orgulho, é claro, mas, por diversas vezes, acompanhamos muito mais, em mesas de bares e filas de shows, bangers questionando as realizações dos ídolos nacionais, e se realmente deveriam estar em páginas especializadas, charts, ou grades de lendários festivais ao lado dos artistas de fora. Aqui, no documentário Andre Matos – Maestro do Rock, projeto que celebra os 50 anos do artista, e que teve início lá atrás, como uma homenagem ao Andre ainda em vida, o incrível vocalista e instrumentista, enfim, é coroado.
A primeira parte
Essa semana, tivemos a oportunidade de conferir a Parte I do material que conta com depoimentos fortes, inéditos e reveladores do próprio frontman, já em seu período mais recluso, em uma entrevista exclusiva de mais de 4 horas de duração. O filme é capitaneado e meticulosamente organizado pelo diretor Anderson Bellini, acompanhado pelo Thiago Lahal Mauro na produção, e grande equipe, e com total apoio da família, ou melhor, como diria o próprio Andre, clã. E logo nos primeiros minutos da película, entendemos, em uma condução muito serena, que o tal clã era mesmo a fortaleza do artista, e que as portas de suas propriedades eram o perfeito ambiente que o blindava da vida de contratos com grandes gravadoras e eventos, e turnês extensas e exaustivas ao redor do mundo.
Andre, o filho, irmão, primo, não se confundia com o performático e intrigante deus metal brasileiro, que conhecíamos dos maiores palcos da música pesada. Nos braços da família, a conexão era realmente muito intensa, e a busca pelo “nada”, como relatado no filme, era tudo para ele.
Aos poucos, o tom da narrativa vai mudando, e nos tirando desse lugar seguro para entregar as grandes dimensões que o encontro com Felipe Machado, Pit Passarell, Nando Machado, Marcos Kleine, Val Santos, Yves Passarell, Cassio Audi, e Guilherme Martin, nos embriões do Viper, o fariam atingir muito rapidamente. Com relatos inéditos, divertidos e emocionantes dos próprios, e de outras lendas da cena, como os irmãos Busic, Ricardo Batalha, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, João Marinho, entre outros, aprendemos como o garoto que parecia com Bruce Dickinson, entendeu o seu chamado e transformou em viável um formato que antes só se acreditava ser possível na casa da New Wave of British Heavy Metal. 
Ainda no mês passado, em nossa última live Moshers Zine, que está disponível no IGTV do Oganpazan, e logo estará no nosso canal no YouTube, tive a oportunidade e a honra de entrevistar o Felipe Machado. O guitarrista é um dos grandes personagens do documentário, e em momentos super descontraídos, falamos muito sobre Matos, sobre o vindouro novo álbum da banda, que será dedicado à ele, e discutimos o passo importantíssimo que o Viper deu na criação do Power Metal, e no reconhecimento do metal nacional como uma realidade no mercado mundial, com o debut Soldiers of Sunrise.
A conclusão da Primeira Parte
A primeira parte da obra em questão ainda detalha as gravações do disco mais ambicioso do heavy metal brasileiro até então, aquele que encabeça diversas listas de melhores álbuns criados por aqui, Theatre of Fate. Sim, ele mesmo!
Ainda no fim da adolescência, o vocalista mostra sua forma definitiva como o grande intérprete do nosso metal, dando vida às incríveis composições do Pit Passarell, que agora buscavam um tom conceitual e abordagem neoclássica, com orquestrações, coros e produção orientada para o mercado europeu. Todo esse pacote seria abraçado totalmente como identidade artística do Andre em seus trabalhos seguintes, que influenciaria uma geração inteira de bandas, e mudaria o mundo metálico brazuca para sempre.
A perda do maestro é irreparável, e é muito bonito e inspirador ver o heavy metal nacional, que sempre teve problemas com união, de mãos dadas, tanto na telona, como nas cadeiras. É necessário saudar o homem que transformou a nossa música pesada em um verdadeiro mundo de sonhos, um verdadeiro espetáculo.
Andre Matos – Maestro do Rock (Episódio 1) cumpre seu papel com destreza. O filme se encerra entregando de forma catártica uma pedra fundamental do momento de nascimento de um artista, de uma cena que se tornaria referência para todos que vieram depois, e o mais importante, nos confirmando o que aquela tal música já dizia, que através da luz nos nossos olhos, ele sempre estará vivo.
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