Aminoácido e Muñoz – Jam session no covil dos azeiteiros, uma reunião onde só tem pissadinha para extrair a essência da criação!
O azeite é uma iguaria nobre. Tem extra virgem, o virgem, o mequetrefe e diversos outros que se dizem azeite, mas são apenas óleos fazendo cosplay do líquido dourado que faz a cabeça de espanhóis, gregos, portugueses e de quem mais quiser dar um xablau no quitute ou prevenir uma ressaca.
A versatilidade desse óleo essencial é sem precedentes. O mundo no entanto, consome avidamente – esse estupefaciante – já dizia Tim Maia – sem ao menos saber se é Andorinha, Gallo ou óleo de motor. E não, isso aqui não é um publipost.
E enquanto o mundo gira – terraplanista roda – e as autoridades ignorarem a relevância desse assunto, é bom saber que o Brasil possui artistas engajadas em prol do néctar das azeitonas.
Foi para ressaltar as propriedades antioxidantes desse deboche de azeitona sem caroço – criado com o mesmo viés filosófico do frango desossado – que duas das bandas mais interessantes do cenário nacional se reuniram para uma jam session em nome dos poderes da essência de oliva.
O Aminoácido – quinteto de prog-psych-funk londrinense – sucede o excelente “Sem Açúcar“, lançado em 2018 (já aquecendo as turbinas pra lançar o terceiro disco de estúdio), enquanto o Muñoz segue expandindo os novos caminhos encontrados em “Nekomata“. Um dos melhores discos do calendário nacional de 2019, esse trabalho foi algo disruptivo e muito importante para a continuidade prolífica do projeto, mantendo a vitalidade criativa do duo.

Juntos, os 2 grupos – que já se conhecem de outras jam sessions – entraram no estúdio dos irmãos Samuel e Mauro Fontoura (Infrasound Records) e o resultado são dois takes que mostram o etílico equilíbrio entre o improviso e uma jam.
Como constante, apenas o groove e a paixão pelo azeite. O resultado são duas faixas. “Azeitona” e “Óleo de Oliva” que totalizam 41 minutos de embates instrumentais, revelando a alquimia orgânica que é fazer um som com os amigos.
Tem o Samuel tocando bateria naquele pegada que lhe é peculiar? Tem. O Mauro tá na guitarra? Tá sim, meu caro, fique tranquilo, mas não é só isso.
Line Up:
Douglas Labigalini (bateria)
Lugue Henriques (baixo)
Cristiano Ramos (guitarra)
Thiago Franzim (guitarra)
Samuel Fontoura (bateria)
Mauro Fontoura (guitarra)
João Bolognini (percussão)

Track List:
“Azeitona”
“Óleo de Oliva”
Nesse entreveiro instrumental, o som sai também do cockpit bateirístico do Douglas Labigalini (PIMBA), isso sem exaltar o Jazz Bass do Lugue – surfando no slap – com participação de João Bolognini na percussão, toques de Reggae Roots, Thiago Franzim como quem não quer nada – só Zappeando – e o meliante Cristiano Ramos groovando no passsinho.
É prog. É psicodélico, mas acima de tudo é brasileiro e mostra novas aspirações, além das quais as duas bandas já desenvolvem dentro de seus respectivos projetos.
Vale ressaltar que essa jam foi gravada em 2018. Na época, o Aminoácido ainda era um quinteto com percussão e hoje o som já expandiu – se mantendo em quinteto – mas agora com pitadas de Jazz Funk, desde a adição do japonês meliante Fabio Tanaka.
É interessante ouvir esses takes até com esse olhar de evolução, pois as duas bandas cresceram muito nos últimos anos. A gravação é de 2018, mas saiu agorinha, no dia 10 de julho, cortesia da Tapete Voador Records.
Coloque um leve toque de azeite e pode degustar.
Tá na medida.
-Aminoácido e Muñoz – Jam session no covil dos azeiteiros
Por Guilherme Espir
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