A Vez das Minas cheias de Vivências, seu Prego EP, as três princesas pretas do Sertão chegam com um trampo que só tem ideia agravante e peso!
Trabalho muito bem produzido, discurso afiado como uma foice, três pretas na linha de frente, referências perfeitas, musicalidade pesada, trabalhando no diálogo entre a tradição e o mais contemporâneo. O primeiro Ep do coletivo A Vez das Minas é a continuação de um projeto que vem aos poucos conquistando os ouvintes mais atentos com materiais de primeira qualidade. Estamos diante de três excelentes artistas mas que sobretudo são mulheres pretas com uma visão de mundo muito bem estruturadas. E essa junção entre muito talento para o oficio de serem Mc’s muito técnicas e muito bem municiadas com ideias agravantes com uma excelente visão de mundo, tem feito elas apresentarem trabalhos irrepreensíveis.
Exemplo disso são seus primeiros singles que vieram com um clipe muito bem produzido: Luxo E Muito Ouro e o lyric: Virus, duas produções que nos criaram a expectativa para os próximos passos. E hoje nos apareceu na timeline o lançamento do primeiro EP das manas. Vivências, Prego!(2019), não por acaso, lançado agora no novembro negro. Formado por três heroínas pretas do interior da Bahia, mas especificamente em Feira de Santana, a cidade agora tem três heroínas para chamar de sua: Tulipa Negra, Storm e Crioulafro.
Essas Super Afro Heroínas não são de boca e com muita batalha apresentam um EP que desde já se insere na história dolorida e dificil, que é a caminhada das mulheres no rap nacional, e da Bahia em particular. Recentemente esse que vos escreve pensava no quão é triste ver imensos talentos como Sil Kaiala e La Lunna pararem seus trampos no rap. E com esse lançamento, mais uma vez torcemos para que tal força e qualidade de trabalho encontrem os ouvidos de uma cena que precisa oxigenar trabalhos de mulheres, e sobretudo de mulheres pretas!
Em Vivências, Prego (2019) as três mcs transmutam suas experiências em rimas muito bem escoradas em referencial teórico que aqui serve apenas de articulação e apuro conceitual para as dores e desejos de melhora, não como penduricalho e ou capital simbólico. Em quatro músicas, elas fazem mais do que muitxs em albúns duplos, com muita técnica e com um discurso muito forte contra o genocidio do povo negro, contra o machismo escroto, contra o racismo…
Evocando outras aliadas, como Drik Barbosa, Clara Lima, Nega Fya, homenageando figuras como Dona Claúdia e Marielle Franco, entre outras e outros, elas estabelecem seu próprio estilo com muita autenticidade. As três mcs vem pro arregaço com uma força musical amparada nos beats GhovaUm nus beat, Ryan e Neon Beats, que produzem traps e boombaps com muita qualidade, dando uma cara musical singular ao epzinho. Como participação nas linhas, tem o Preto Charus que chega pra somar com as manas!
As linhas que elas mulheres trazem são fundamentais para entendermos de uma vez por todas que somente a luta virá a nos dignificar como povo, aqui não tem rami rami, conversinha furada, é enfrentamento, todas as linhas são ataques, e tudo resumido diríamos: As Preta Pesadona chegaram para a Discórdia…
Danilo
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