Câmbio Negro e X são dois nomes fundamentais na história do rap nacional e tem seus discos aterrizando nas plataformas de streaming!
Câmbio Negro e o retorno do clássico
Recentemente os fãs mais antigos do Rap nacional foram surpreendidos pela boa notícia de que toda a discografia do grupo, além dos álbuns solos do X, foram disponibilizados nas plataformas digitais.
Toda rebeldia tem seu preço
A postura e as letras do grupo logo chamou a atenção do público, da cena e também de diversos veículos de comunicação da época ( aqui, leia-se rádios). Disposto a manter a postura alinhada ao próprio discurso o Câmbio Negro em grande parte de sua carreira sofreu grande boicote, por não abrir concessões em falar o que pensa. Uma postura que fazia com que aumentasse ainda mais a sua legião de fãs, ao tempo em que também colhia desafetos.
Câmbio Negro e um rápido rolê pela bio
Fundado em 1990, pelos integrantes X e DJ Jamaika, que além de DJ, dividia com X os vocais do grupo. Três anos após a sua formação o Câmbio Negro solta o primeiro petardo sonoro, o bombástico disco de estreia intitulado: Sub-raça (Discovery/1993).
Em 1995, já com banda e sem o DJ Jamaika, o grupo lança seu segundo disco, o bem recebido: Diário de um Feto (Discovery/1995), disco em que o grupo alcançou a impressionante marca de 2 mil cópias vendidas em apenas 15 dias. Algo pouco convencional para um grupo de Rap independente na época.
Em 1998, com uma caminhada de quase 10 anos e com o lançamento do terceiro álbum da carreira, já com o suporte da Trama, lançam o homônimo: Câmbio Negro, disco que ficou conhecido pelos fãs pelo nome de: “Ciclo Vicioso”. Que é o nome da música que abre o álbum e que também rendeu vídeo clipe vinculado a grade de vídeos da MTV, onde recebeu indicação na categoria de: Melhor Edição.
Consagração nacional e o fim do grupo
A consagração nacional do Câmbio Negro veio no mesmo ano de 1999, porém, com outro vídeo clipe. Assinado pela dupla de diretores: Alex Miranda e Adriano Goldman, o rapper X, narra de maneira irreverente, mas sem perder a acidez de sua crítica, sobre como seria acordar num distópico Brasil em que tudo realmente funciona como deveria. A película é de 1999, mas infelizmente a crítica continua atual e não envelheceu nenhum segundo. No ano seguinte, X encerra as atividades com o grupo. Era o fim do Câmbio Negro.
Um Homem Só (2001)
Após o fim do grupo e da ausência dos palcos por um período de pouco mais de um ano, X retoma os trabalhos com o Rap, agora em seu primeiro projeto solo. Onde nos apresenta um álbum consistente, seguindo a linha que o consagrou, com uma coleção de canções fortes e inéditas, além da ótima releitura de “Auto-estima”, música do segundo álbum do grupo.
Curto e Grosso (2005)
Cinco anos depois de “Um Homem Só”, X apresenta outro trabalho solo, com apoio da Secretaria de Cultura do DF e de outros parceiros, em 2005 chega as ruas o álbum Curto e Grosso. Com produção assinada pelo incansável DJ Raffa, o álbum novamente é uma mescla de canções inéditas e releituras clássicas, como “Sub-raça” e “Ceilândia Revanche do Gueto”, canções originalmente extraídas do primeiro e segundo álbum da banda respectivamente. O álbum há muito encontra-se esgotado, hoje considerado item raro e cobiçado entre os colecionadores.
Câmbio Negro ao vivo DVD (2015)
Dez após o lançamento do segundo álbum solo, e depois de mais um longo período de hibernação, X resolve reunir novamente o Câmbio Negro. Agora com nova formação, Além de X nos vocais e os parceiros de longa data, DJ Marcelinho, temos Bell na guitarra e Riti Santiago na batera, a novidade ficou por conta adesão de Alf no baixo.
Produzido pelo próprio grupo e gravado ao vivo no Teatro Sesc Garagem, de Brasília, o show ganhou mixagem e masterização dirigida por Marcos Pagani, dos estúdios Orbis Estúdio. E para presentear os fãs, a apresentação ganha uma versão em DVD (atualmente disponível também no YouTube), com uma arte de capa sensacional, assinada pelo design Manoel Neto. O áudio desse poderosa perfomance pode ser conferido na íntegra também nas plataformas digitais.
Ninguém Toma (Single/2017)
Há quem afirme que antiguidade é posto, se tal afirmação flerta com a verdade, então podemos dizer que ela se aplica a esse incansável guerreiro do Hip Hop brasileiro. Dono de uma sólida e respeitada obra, X nunca se dar por satisfeito como um grande artista/ativista que é.
Dois anos após lançamento do bem recebido DVD ao vivo e fugindo um pouco do conceito estabelecido em sua geração de só entregar “Full álbum”, o mano nos entrega o seu primeiro single: “Ninguém Toma (2017)”, onde, além de reafirmar sua posição de grande pilar do Rap nacional, ele nos propõe uma (re)conexão com sua ancestralidade. O vídeo clipe que X nos apresenta, conta com direção de: Leandro G. Moura e fotografia: Sérgio Oliveira e denota a força espiritual que o artista carrega consigo.
Câmbio Negro e a Trama: Digital sim, mas não de hoje
Recentemente os fãs mais antigos do Rap nacional foram surpreendidos pela boa notícia de que toda a discografia do grupo, além dos álbuns solos do X, foram disponibilizados nas plataformas digitais.
Quando no ano de 1998, X e sua banca entregava ao Rap brasileiro o terceiro e mais premiado álbum da carreira do grupo, pelo selo Matraca (vinculado a gravadora Trama), trazia não só um álbum de inéditas (há muito esperado pelo público) do grupo naquele período do Hip Hop nacional, após um hiato de 3 anos em relação ao seu disco anterior (Diário de Um Feto/Discovery-1995).
Ainda que de maneira experimental a gravadora Trama lançava no ano de 2008, seu ambicioso projeto, que hoje entendemos como a já consolidada plataforma de streaming, inaugurando assim a sua própria plataforma, de nome: Trama Virtual, onde o usuário da mesma, pagando um determinado valor estabelecido pelo selo, poderia ter acesso aos trabalhos de artistas vinculados e distribuídos pelo vasto catálogo da gravadora.
Sempre antenada com tendências tecnológicas, nesse período a gravadora segue avançado rumo às novas tendências apresentadas pelo mercado dentro do espectro digital no mundo da música.
Enquanto gigantes hegemônicas do mercado fonográfico como a EMI (Virgin) e a Sony Music investem em tecnologia e propaganda para proteger seus arquivos/artistas, afim de brecar a inevitável pirataria de suas mídias físicas. A Trama, percebendo o inevitável, resolve caminhar na contramão e se aproveita da abertura desse nicho do mercado.
Criando o seu pioneiro projeto: Álbum Virtual Trama, para que seus usuários pudessem realizar downloads de maneira legal, preservando os direitos sobre as propriedades intelectuais de cada artista e de suas obras musicais. O usuário do serviço também tinha acesso com exclusividade aos encartes, capas, fichas técnicas e material exclusivo disponibilizado pela gravadora. E muito mais completo do que o que se tem atualmente nas plataformas digitais. E tudo isso sem abrir mão da produção dos CD’s físicos.
Partindo dessa ideia, não só o Câmbio Negro mas outros artistas do Hip Hop nacional que faziam parte do casting da gravadora, foram os pioneiros do Rap nacional a utilizarem, ainda que de maneira experimental o uso desse recurso no Brasil.
Aos que já conhecem a obra, uma ótima maneira de revisitar clássicos que registram em letras e versos combativos, parte significativa da história do Hip Hop de Brasília e nacional. Aos que não conhecem, uma grande oportunidade de terem acesso a esse acervo digital de um dos mais icônicos grupos do Rap brasileiro.
Desde o início de sua trajetória X/Câmbio Negro já destoava da cena da qual fazia parte. Os inconfundíveis vocais pesados do seu frontman, e suas letras agressivas, eram as principais cartas de referências onde quer que chegassem para se apresentar, sim o Câmbio Negro era e ainda é a “Revanche do Gueto”.
Entender um pouco da história do Rap nacional também passa pela discografia do Câmbio Negro e que agora encontra-se cuidadosamente reunida e disponibilizada nas plataformas digitais e vale ocupar posição de destaque na sua playlist.
-Câmbio Negro e X tem seus discos aterrizando nos streamings!
Por Paulo Brasil
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