Colaboração entre Diana Ross e Marvin Gaye marcou uma geração. Duas das maiores vozes da música negra, juntas em estúdio nos anos 70.
E se você acha que resignações são características exclusivas do corporativismo, fique sabendo o senhor que o universo criativo também orbita conflituosos ambientes. Muitos deles, inclusive, foram tratados, resolvidos ou até mesmo serviram como o estopim para alguns dos melhores registros que já tivemos notícia – ”Diana & Marvin” – fruto dos duetos de Diana Ross com o Marvin Gaye, que o diga.
Track List:
”You Are Everything”
”Love Twins”
”Don’t Knock My Love”
”You’re A Special Part Of Me”
”Pledging My Love”
”Just Say, Just Say”
”Stop, Look, Listen (To Your Heart)”
”I’m Falling In Love With You”
”My Mistake (Was To Love You)”
”Include Me In Your Life”
Tammi Terrell pode não significar nada, mas não é bem assim que a banda toca. Juntos, a dupla registrou três trabalhos magníficos e esse número tinha tudo para duplicar ou até mesmo triplicar, tamanha a regularidade com que eles gravavam juntos.
Primeiro surgiu ”United” lançado em 1967. No ano seguinte, ”You Are All I Need” e em 69 o entrosamento atingia níveis quase telepáticos com a gravação do LP ”Easy”. Esses discos acabaram ficando esquecidos – muito em função da prematura morte da cantora – mas essas gravações tiveram uma importância ímpar dentro da música do Sr. Gaye.
Se você não conhece esses trabalhos, recomendo que os escute, a química que Marvin tinha com Tammi era uma daquelas coisas inexplicáveis. A paixão, o sentimento, a maneira como os timbres casavam… É de arrepiar, inclusive acho superior ao nível musical desse trabalho com Diana, por exemplo, que por si só já é um deleite.
Tammi ficou cega, confinada em uma cadeira de rodas até seus últimos dias e sua morte teve um grande impacto na vida e na carreira de Marvin. Alguns até afirmam que o músico entrou em depressão e começou seu flerte vicioso com a cocaína depois do ocorrido, fora que ele mesmo dizia abertamente que Tammi era sua parceira musical perfeita. Era fácil prever que não seria fácil fazê-lo participar de um novo disco num formato semelhante. Foram três anos de negociações para tirar esse projeto do papel.
É importante ressaltar a negligência da gravadora, pois além de não ter prestado suporte em seu tratamento, ainda pressionou Marvin a divulgar ”Easy”, seu último disco com com ela em vida. Como se tudo isso já não bastasse, esse LP teve claras segundas intenções, afinal de contas a Motown precisava de uma fagulha para que Diana explodisse.
Foi um projeto pensado de maneira quase que exclusivamente mercadológica, mas o resultado final passa longe dos caça niqueis. A dinâmica das vozes faz o ouvinte se lembrar do sentimento orgânico dos grandes intérpretes, da beleza de apreciar faixas repletas de grandes arranjos e inebriantes detalhes que engrandecem essa reunião entre as melhores vozes que existiam na época.
O resultado são 30 minutos de uma musicalidade primorosa e que inclusive rendeu disco de ouro, cumprindo com os objetivos que a gravadora tinha em vista. Ao lançar Diana para um novo patamar artístico – mesmo que indiretamente – o groove ajudou Marvin a superar esse problema criativo-colaborativo, contribuindo para o mundo da música com um lançamento para a posteridade.
Com grandes hits como ”You Are Everything”, o puro romantismo ao som de ”Don’t Knock My Love” e recheado por um instrumental brilhante em toda prensagem, o Funk/Soul dos Funk Brothers fez miséria pra acompanhar a realeza. As vozes flutuam. As baladas ecoam com um brilho insular, rodeadas por belos arranjos e cordas que elevam a carga emocional da gravação.
Escute esse disco e depois flagre as colaborações ao lado da Tammi Terrell. Você não vai se arrepender. Quem escuta o LP nem imagina que a gravação levou 2 anos pra ser concluída. O sentimento está presente em cada sílaba. Marvin deu tudo de si e com certeza gravou essas linhas com sua grande parceira na cabeça. Simplesmente magnífico.
Mais sobre Marvin Gaye no Oganpazan:
Marvin Gaye em três momentos 50 anos depois
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