Ainda mais se a banda em questão for o Motorhead, um dos atos mais brutos, velozes e sem direção que o Rock abraçou. Joel foi sagaz, pois não perdeu nenhum detalhe, por isso seu relato é bastante relevante, direto (assim como o som da banda) e grandioso na medida em que exalta uma som que nem sempre teve o respeito merecido.
Lançado em 2013 pela Edições Ideal, esta bela brochura de 276 páginas passa rápido igual uma dose de speed. A narração dos fatos é elementar ao mesclar trechos de entrevistas com escritos do autor e aproxima o ouvinte de toda essa supernova que é o som do Motorhead.
Narrando os fatos do cara que no final das contas é o Motorhead em pessoa, esse registro mostra o background de toda a vida do senhor Lemmy Kilmister. Passando por sua temporada como Roadie do Hendrix, o gosto do sucesso com os caras do Hawkwind e toda a montanha russa que foi liderar (e manter vivo) o Motorhead, coletivo que aos trancos e barrancos, conseguiu se estabelecer no cenário e hoje é um dos pilares do mesmo.
Todo esse mar de incertezas é narrado de forma direta, enumerando os hábitos saudáveis de Lemmy, contando a história de todos os membros que passaram pela banda e exaltando a música que em mais de 40 anos de história, rendeu 22 discos de estúdio para a banda do cara que (como bem disse Glenn Hughes no prefácio), é o Rock ‘N’ Roll personificado.
Lemmy é um ser indestrutível até certo ponto. Um velhaco surpreendentemente inteligente no âmbito geral e que conhece o meio em que atua como poucos. Ele não liga para o que você pensa, quer apenas tocar e polir sua memorabília Nazista. O britânico é uma antítese gritante dentro dentro de uma mundo povoado por rockstar’s, um cara que entrou no meio só para ter garotas, mas que hoje possui muitos mais do que isso.
Em meio a vários dias acordados, muitas doses de Jack e relatos sobre a dita ”fase clássica” da banda, com ”Fast” Eddie Clarke e ”Philthy Animal” Taylor, Lemmy se mostra alheio ao passado e focado no futuro, afinal de contas as letras que nós tanto amamos não serão escritas sozinhas, elas necessitam de algumas horas de estúdio e de 15 minutos para que ele possa criá-las.
Imerso num relato tão pulsante como o som do Rickenbacker do mestre, Joel nos mostra um mito que não quer ser um mito. Seu único desejo é ter dinheiro suficiente para comprar um Kinder Ovo e montar o brinquedinho, mas essa crise é foda, por isso que ele (e eu), apreciamos um whisky. Um brinde ao Motorhead!
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