Série de compilações da Trojan Records – responsável pela popularização do Reggae – a Tighten Up tinha um fã especial: Paul McCartney.
Paul McCartney e o fim dos Beatles
Quando Paul McCartney foi decidir o futuro dos Beatles no tribunal… Os anos 70. A música, sua maior virtude, o acordou na manhã seguinte e quase foi o motivo de seu fim. A pressão, imensa, impedia o baixista de seguir com sua vida, algo no mínimo compreensível, afinal de contas ele não estava saindo de qualquer banda, ele estava se divorciando da maior banda do planeta.
Mas não só isso, existia também um ambiente de banda, perder isso, de forma tão dolorosa e abrupta e pensar num futuro sozinho, parecia um pesadelo surrealista. Mas o futuro ”Sir” seguiu a vida entre voos de Nova York até a Inglaterra e nos intervalos de turbulência, voltou a sentir o feeling que lhe consagrou, o mesmo que impediu uma catástrofe: seu silêncio.
Foi doloroso, mas ele domou o leão, que antes era sua inofensiva musa, ensinou a patroa à acompanhá-lo no groove (da mesma forma que Linda fazia no baseado), e enfim teve um novo começo. A versão lenhadora de McCartney foi para o meio do mato refletir, tal qual pregam na filosofia Southern Rock do Lynyrd Skynyrd, sim, até Paul McCartney já foi um simple man.
Foi sua época Hippie, bêbado e levemente maltrapilho. Sempre cool, mas nesse período de transição, seus melancólicos discos solo foram sua trilha para o fundo do poço. O britânico tinha 27 verões quando o Beatles acabou, estaria ele também acabado?
Não, a saída foi colocar a criançada numa van e sumir do mapa, deixar os ataques de Lennon e ir pra Escócia, santa terra do Scotch, whisky que o gestor dos Wings bebeu igual água.
Esse pode parecer um tempestuoso recomeço. Na realidade não parece, foram tempos de tormenta, só que foi com coragem que Paul virou o jogo, mostrou que sua genialidade não precisava fazer mitose e saiu do abismo solo para um novo e frutífero período de relevância não apenas comercial, mas criativa.
É claro que tudo isso levou alguns meses e uma boa dose de bauretes para acontecer, mas é bom saber que as coisas mudam e que e que tiveram até trilha sonora pra isso.
Track List:
”Tighten Up” – The Untouchables
”Kansas City” – Joya Landis
”Spanish Harlem” – Val Bennett
”Place In The Sun” – David Isaacs
”Win Your Love” – George Penny
”Donkey Returns” – Brother Dan All Stars
”Ob-La-Di, Ob-La-Da” – Joyce Bond
”Angel Of The Morning” – Joya Landis
”Fat Man” – Derrick Morgan
”Soul Limbo” – Byron Lee
”Mix It Up” – The Kingstonians
”The Uniques” – Watch This Sound
Tighten Up Vol 1 e 2
Enquanto Paul arrumava o telhado e as demais dependências de sua fazenda, a ”High Farm”, a rotina de sua família era bem tranquila. Nesse ponto, seu lado pastoril foi bom para um cotidiano que incluía longos passeios à cavalo com sua esposa, brincadeiras com as crianças e sessões de epifania, enquanto o primeiro volume da compilação, ”Tighten Up”, girava na vitrola.
Fundado em 1968 por Lee Gopthal, a Trojan Records era um selo britânico especializado em música Jamaicana. A paleta de sons aglutinava Ska, Rocksteady, Reggae, Dub e não seria exagero dizer que os caras foram um dos responsáveis, não só pela popularidade do Reggae no Reino Unido, mas sim por ter um dos melhores catálogos da cena, contando com combos como Lee Parry & The Upsetters, Nicky Thomas e Bruce Ruffin.
Trojan Records e Island Records
O único detalhe é que a principal tarefa do selo não era revelar e lançar novos músicos, eles serviam como uma empreitada complementar em relação à Island Records. Por isso, o dinheiro só começou a surgir quando o selo começou a contratar produtores da cena jamaicana (como Byron Lee, por exemplo), e apostou no lançamento de compilações baratas.
Logo nos primeiros anos de vida eles criaram várias séries, como a ”Club Reggae”, ”Reggae Chartbusters” e a ”Tighten Up”, o momento de maior sucesso dessa colonização Roots Reggae. Hoje o selo pertence ao grupo da Sanctuary e, apesar do sucesso com as já citadas coletâneas, isso não foi o suficiente para sustentar as fontes criativas e quem sabe elevar os padrões de qualidade quando pensamos no lançamento, produção e qualidade das edições.
Hoje essas gravações se tornaram cult’s e servem como o legado de uma cultura em crescimento. Um som marcante e característico que ajudou Paul a recomeçar e que jogou várias edições de preciosidades no mercado.
Como diria Stevie Wonder: boogie on Reggae woman! Escolha o volume de sua preferência e prepare-se para conduzir uma viagem especial no submundo dos singles com pegada raiz.
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