Apesar do nome, o EP da A Sangue Frio acaba de sair do forno. E só digo uma coisa, vai ser difícil superá-lo!!
Na primeira metade da década de 2000 surgia em Salvador a A Sangue Frio, uma banda que aparece como um projeto paralelo da Adcional, com uma proposta de som bem semelhante a de bandas da Dischord Records, Descendents, Dag Nasty e toda essa coisa emotiva, melódica que adoramos.
A Sangue Frio foi daquelas bandas que botavam geral pra dançar. O clima do evento poderia estar frio como fosse que os caras chegavam animando, talvez pela positividade das letras e por dialogar tanto com as pessoas presentes, por ter uma temática mais pessoal.
Com uma discografia compreendida pela Demo de estréia, produto raro e de colecionador; o disco “Sonetos do Asfalto”, o Split com a banda potiguar Dead Funny Days, lançado em K7, também peça de colecionador e o último disco lançado, “Uma vida é muito pouco”, a banda conseguiu fazer shows em diversos estados, angariando assim adoradores e adoradoras nos sete cantos do país.
O disco “Uma vida é muito pouco” apesar de ter sido gravado por Léo Villas na bateria, foi executado ao vivo por Jera Cravo, marcando assim a alteração na formacao da banda e sendo também o último disco do grupo, que tempos depois encerrou suas atividades.
Contudo no final de 2019 os 04 integrantes originários, Léo Villas (bateria), Marcelo Adam (Guitarra), Jonas Pacheco (Baixo) e Fabiano Passos (voz) foram ao estúdio para gravar dois sons que foram lançados agora nas plataformas digitais, é o EP 2019.Necessário se faz discorrer sobre essa duas faixas, principalmente por ser uma versão mais amadurecida daquela A Sangue Frio da década de 2000. As crianças cresceram, e agora?
Agora Fabiano Passos é pai de Fábio e tem 1000 contas a pagar, com poucos dias para descansar, então a única coisa possível a se falar nesse 2020, com mais de 30 anos é:
“Aquele que não queria ser como você
Se fudeu e teve que envelhecer
Aquele que não queria ser como você
A língua pagou e teve que envelhecer”
Acho que sempre acabamos pagando por isso, porém necessário lutar “para manter o brilho dos meus olhos”, e tentar impor nosso estilo de vida em meio a uma sociedade que nos sufoca, onde diariamente termos “vontades e choques de realidade”.
Será que morremos? Ou apenas estamos precisando desembolsar mais uma grana extra com um divã para tentar nos entendermos como indivíduos em uma sociedade onde passamos a vida inteira criticando e que, por vezes, acabamos sendo parte de toda engrenagem escrota?
Diante toda essa reflexão sobre a faixa Peter Pan no Divã, a única certeza é que a A Sangue Frio permanece boa em nos instigar a refletirmos.
E a reflexão prossegue na audição de Presos em uma panela, baseada em um textinho de 2016, sobre o Sapo na Panela. O texto faz uma breve reflexão, utilizando o sapo como exemplo, sobre como temos a capacidade em se adaptar mesmo estando na merda, permanecendo numa zona de conforto, ainda quando tudo é desconfortável.
A faixa é mais como um chacoalho em todos e todas que parecem viver numa apatia coletiva, do tipo: Galera estamos nos fudendo demais, e ai?
Vale à pena destacar o seguinte trecho:
“Um plano que tira todas as nossas energias.
Criando um problema, um problema por dia.
Uma forma cruel de nos minar.
Uma eterna briga para o foco desviar.”
Um verdadeiro retrato dessa distopia que estamos degustando.
Não sou das pessoas mais esperançosas desse mundo, mas confesso que essas duas faixas me fez crer que, minimamente, uma apresentação da A Sangue Frio pode rolar esse ano. Acho que não seria nada demais pros caras nos darem esse presente.No mais, obrigado A Sangue Frio por existir em minha vida, cada palavra dita foi realmente importante pra mim.
Ouçam o EP 2019 da A Sangue Frio em:
Dudu
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