Bolodoido Musical Vol.08 Vamos dar um passeio em Sergipe e conferir o que a cena sergipana nos tem a ofertar quando se fala de punk/hardcore
Inspirado pela coluna Panorama do Rap Baiano, aqui mesmo do Oganpazan, escrita pelo chefinho, resolvi dar uma passeada por alguns estados nordestinos no intuito de apresentar algumas bandas que julgo relevantes a nível de punk / hardcore e suas subdivisões. Claro que não tem como eu ir muito a fundo nas dicas, o espaço será limitado em apenas 10 bandas por estado, mas vocês podem contribuir na lista indicando bandas que não foram mencionadas no espaço de comentários.
Necessário frisar que, diferente do Panorama do Rap Baiano, que visa mostrar o que de mais atual tem rolado na cena do rap baiano, minha viagem pelos estados visa tão simplesmente apresentar o que eu acho que deve ser ouvido, independente da banda existir ainda ou não, afinal a música é atemporal.
O primeiro estado que vamos dar esse passeio é o estado do Nordeste que tenho a maior vontade de morar, Sergipe. Não apenas gosto de Aracaju, acho uma cidade foda, como tenho grandes amigos e amigas por lá. Além disso, sempre fui muito feliz nas viagens feitas a essa cidade, eu amo demais AJU.
Sempre tive uma ligação bem forte com Aracaju, com as pessoas da cidade e sempre rolou um intercâmbio massa entre as bandas de lá com as bandas de cá, um verdadeiro estado irmão, um estado parceiro de furadas undergrounds. E de Aracaju eu trago 10 bandas que vocês têm por obrigação ouvir, são elas:
1. Triste Fim de Rosilene
Banda que tinha como frontgirl Dani Rodrigues, ela aparecerá por mais vezes aqui, com seu vocal super agressivo e devastador. Tive o prazer de conhecer essa banda vendo um show em Salvador, no Festival do selo Estopim Records, na extinta Blue House, de pronto fiquei impressionado e virei fã.
2. xREVERx
Powertrio straight edge que tinha como pauta das suas letras o VEGetariANISMO, sendo a demo de estreia repleta de textos sobre libertação animal e contra o especismo.
A banda era formada por ex-componentes da Triste Fim de Rosilene: Dani Rodrigues (Baixo/Voz); Alex (Guitarra/Voz) e Ivo Delmondes (Bateria).
3. The Renegades of Punk
Mais uma empreitada de Dani Rodrigues, dessa vez empunhando uma guitarra e soltando a voz ao lado de seu fiel escudeiro de banda Ivo Delmondes, na bateria.
A banda teve alguns baixistas, sendo atualmente a vaga ocupada por Lilo (ex Ternura/ES).
A Renegades figura no seleto rol de bandas nordestinas que já fizeram tour europeia.
4. The Jezebels
Eu não exagerei que ela apareceria aqui muitas vezes. Dessa vez Dani Rodrigues se juntou com as amigas Paula e Paloma para fazer um Punk Rock Riot Girl de primeira linha. Em minha opinião uma das melhores bandas de Dani Rodrigues, e talvez a que teve menor duração de 2008 a 2011.
Apesar da curta duração, a Jezebels deixou como legado esse EP com seis faixas maravilhosas.
5. Karne Krua
Ele foi meio que deixado de lado, mas agora vale destacar que em algumas dessas bandas citadas anteriormente tinha um membro também bem importante pra cena punk / hardcore sergipana: Ivo Delmondes.
Ivo além de fazer belíssimos cartazes para GIG Punks e demais eventos, foi responsável por organizar, ao lado de amigos e amigas, diversos shows na cidade, agitando e formando uma cena sólida por muito tempo, deixando um verdadeiro legado.
Ivo tocou baixo na Triste Fim de Rosilene e bateria na xREVERx e The Renegades of Punk, tendo posteriormente se juntado aos veteranos da Karne Krua, banda com mais de décadas de existência e de serviços prestados ao Punk nacional, para tocar baixo ao lado do frontman Silvio Campos, outro agitador da cena punk / hardcore sergipana, dono da loja Freedom, um verdadeiro oasis do rock e do underground.
6. Ordinals
Representando a nova safra sergipana, trago-lhes a banda Ordinals. Um post-hardcore com pitadas de grunge, algo repousado no mofo dos anos 90, mas com o vigor da atualidade.
7. Zeitgeist
Outra banda relativamente nova, cheia de gás, é a Zeitgeist. Os caras chegaram escaldando tudo na cena com um belíssimo EP de estreia, o “Zero”, e no ano seguinte metendo o álbum homônimo.
Pegada dos caras é punk/hardcore estilo antigo, com muita agressividade envolvida. Fiquem com esse EP de pouco mais de 7 minutos e bota o capacete.
8. Demonkrätzie
Esses aqui também agitaram e muito a cena de Aracaju. Sendo responsáveis pela organização de shows e na divulgação de outras bandas locais, os caras lançaram um EP maravilhosamente agressivo, tocando algumas vezes aqui em SSA.
O EP da Demonkrätzie é tão foda que por diversos estados do Brasil que você passe e converse com alguém que de fato curta hardcore/punk esse EP sempre será mencionado e, por muitas vezes, irão perguntar o que aconteceu com a banda.
Aconteceu que quem viu viu.
https://www.youtube.com/watch?v=w9vDlOANJTs
9. Nucleador
Outra banda com um potencial imenso, com qualidade, técnica e muita fuleragem era a Nucleador.
A banda fez tour pelo sudeste, tocou algumas vezes aqui em SSA e deu muito o que falar quando estavam na ativa, por conta dos shows bem enérgicos.
O EP “Zombeer Fest” é um clássico dos bueiros dessa nação. Trashcore de primeira!
10. Clamor
Das bandas que marcaram época, a Clamor deu muito o que falar e que criou uma imensa expectativa na cena hardcore nacional. Os caras tinham uma energia diferenciada.
Fazendo um hardcore oldschool com melódias, tinha um vocal que passava toda a emoção das letras. A Clamor foi uma banda que merecia ter uma discografia mais extensa. Mas, ao inverso disso, os caras têm lançado apenas algumas faixas no Split 4way “Transformando a distância em possibilidades“, que contou com as bandas: Diante dos Olhos (BA), Sëmbrär (ES), Escolaclassicadepiano (ES) e os Clamor (SE), um lançamento que colocou quem estava “fora do eixo” na boca de toda cena hardcore nacional.
Sobre o autor:
Dudu é Straight Edge, Membro do coletivo Saco de Vacilo , vocalista da banda Antiporcos, Rubro Negro e viciado em música
Dudu
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