Vandal soltou o clipe BALAH IH FOGOH com as participações de Djonga e Baiana System, formando um trio sonoro contra o fascismo brasileiro!
“Realista, verdadeiro realista, eu sou o povo, cero, fogo nos fascista!”
O Brasil vive um contexto de fascismo e nazismo ativo em um grau público nunca antes visto em nossa história. Em tempo, recentemente o escritor dominicano Leuvis Manuel Olivero, foi assassinado enquanto caminhava na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Autor de um livro sobre Marielle Franco, também preta e assassinada, seu assassinato encontra-se ainda sem solução.
No caso de Leuvis por dias, no caso da vereadora carioca por mais de ano. Poderíamos aqui citar mais centenas de nomes recentes de homens, mulheres e crianças negras que tombaram recentemente por conta da constante atualização do genocídio negro em curso no nosso país.
Esta política de estado que perdura há séculos, e que segue vitimando milhares de vidas todos anos, possui tentáculos em diversos níveis da vida brasileira. E sobretudo, não dá sinais de que encontra um momento de inflexão, pelo contrário, se insinua de modo insuspeito vitimando trabalhadores negros e pobres de covid-19 e agora: fome.
Em Salvador, há pelo menos mais de 6 anos, um hino já vem catalizando toda a revolta e a fúria de uma juventude negra que conhece a cena do rap local e ou cola nos carnavais atrás do Navio Pirata! Primeiro através do trabalho solo e o lançamento da mixtape TIPO LAZ VEGAZH (2015), assim como do volume 2 da mixtape Família Ugangue, Vandal levou esse hino na sequência, através das apresentações dele junto com o Baiana System.
Vandal juntou Djonga e Baiana System para um ataque ao fascismo!
Chegou às plataformas digitais na última sexta feira 21, o novo clipe do MC baiano Vandal, um dos artistas mais originais e precursores de novas sonoridades na história do rap nacional. Vandal juntou-se a Djonga e ao Baiana System, outras duas enormes potências da música preta brasileira num audiovisual da Phodismo e do Cartaxo. Se trata de uma releitura da faixa BALAH IH FOGOH, um hino da MPB brasileira (Música Pra Bagaçar do Brasil).
A relação de Vandal com o Baiana System é já de longa data, conhecida e remete aos começos do próprio artista com o Russo Passapusso, das suas relações de troca e de vida, em suas carreiras artísticas e no cotidiano. Tem haver com o Dubcílio e com a própria linha evolutiva da música baiana, tendo no Navio Pirata e nos shows do grupo seus pontos mais conhecidos.
A aproximação com Djonga é outro ponto fundamental para o sucesso desse empreendimento, sendo o mineiro hoje uma das figuras mais importantes do cenário no rap nacional. A agressividade que Djonga imprimiu em seus discos (clique aqui), os sucessos e hits conquistados em sua carreira são todos na perspectiva de um combate político ativo contra os racistas nacionais. E foi exatamente uma ligação do mineiro ao Vandal depois que este tinha sofrido um episódio de racismo em um show, que os aproximou inicialmente.
Os três juntos produziram um “trio” potente contra o fascismo neopentecostal brasileiro, com o Baiana System groovando para Vandal e Djonga unirem-se musical e simbolicamente, unindo forças numa BALAH IH FOGOH NOZH RACIZTAZH, pra brocar os colete dessa corja!
Juntando dois grandes nomes da lírica agressiva do rap nacional, podemos perceber que Ballah ih Fogoh de Vandal, aqui recebe essa releitura e simbolicamente pela participação do Djonga, junta-se a Fogo nos Racistas. Porém numa construção groove com um beat mais orgânico, em base ancorada na Bahia rítmica do Baiana System!
“Eu sou tão Cidade Alta, mas eu Amo a CBX”
A faixa ganhou um audiovisual todo trabalhado nas visões da Phodismo e do Cartaxo que assinam a direção do trabalho, num caso o boss dos clipes e programações visual de Vandal e no outro do Baiana System. É curioso, por exemplo, ver como Coreh não se repete nos trabalhos com Vandal e do mesmo modo o Cartaxo, dois artistas visuais que conseguem trabalhar singularidades com muita delicadeza, criando identidade/diferenças únicas. Uma sutileza que se traduz com bastante originalidade, e um toque bastante próprio e na mesma proporção, qualidade inventiva dos seus parceiros da música.
Os desenhos que entram na edição das filmagens do clipe são do artista plástico Super Afro, outro parceiro que já trabalhou com Vandal antes, no clipe da faixa SALVEH. E tudo é na CBX da cidade de Salvador, que pra quem não sabe é dividida em cidade alta e cidade baixa (CBX). Tendo a Igreja do Bonfim e a Baía de Todos os Santos como cenários principais do audiovisual trabalhado com uma fotografia em preto e branco, tal qual a posição definida e autêntica da música pede.

“Acredito em Ivone Lara e mãos a obra!”
Djonga participa da faixa trazendo punchlines que lhes são características e apresentando uma visão sobre quais referências o povo preto deve manter. Ao mesmo tempo, denunciando não apenas o racismo mas as estruturas sutis a que nos referimos acima, com a linha sobre quem quer ensinar ao povo preto como se portar, pensar etc…
A base cheia de groove que se inicia com a caixa/ tarol marcial que o Baiana System provindenciou foi providencial, apresentando a perspectiva na qual a música se assenta, desde de sua primeira versão. Dando-nos um gostinho do que vai ser ou o que na verdade essa música já é nas ruas e palcos de Salcity, e de certo nos palcos, carnavais, onde o grupo se apresenta com participação de Vandal. Afinal, é fundamental lembrar que o disco premiado com o Grammy: O Futuro Não Demora (2019) teve a participação de Vandal.
“Salvador já sabe eu só espero agora que ela entenda!”
A música e a arte de Vandal, além de sua postura diante do mercado, desde 2015 com o lançamento da mixtape TIPOLAZVEGAZH, é um ponto de singularidade única no país, e não é uma questão de opinião. Em Salvador, como as imagens inseridas no início do clipe com o artista sendo sacudido nos braços do povo, ele não se governa, assim como no áudio colocado no final da música, Vandal está nas vidas. Ao longo dos últimos 6 anos, basicamente todas as sonoridades que hoje fazem a cabeça de muita gente, já tinha sido explorada pelo MC, e em algumas como no grime e no drill como o primeiro artista.
Sua inserção entre quem encampa lutas reais nas comunidades negras e indígenas, nos favelão e no corpo de quem tá de verdade nas ruas, certamente está ali no mesmo patamar artístico, pois não se separa. Essa visceralidade é estampada de modo muito impactante com a inserção do áudio de Fernanda Pataxó, estudante indígena que foi detida por cantar a música, aqui em questão.
Esse é apenas um exemplo de como a música de Vandal é um dos signos mais potentes do rap/hip-hop nacional e ao mesmo tempo um impulsionador de uma agressividade necessária nos tempos em que vivemos. Um tempo que não cansa de nos mostrar que não é possível combater o fascismo com flores, goodvibe e dialógo.
A inserção dessa faixa seja no longevo trabalho com o Baiana System e agora com essa parceria com o Djonga, ganha um plus de alcance, e é fundamental. Atualmente, além de amplo arsenal produzido e tendo acado de lançar sua segunda mixtape: Phodismo (2021), Vandal está em processo de finalização de seu primeiro disco.
BALAH IH FOGOH já é um hino da música baiana faz muito tempo, Salvador já entendeu, só esperamos que agora ela ajude a espalhar esse rastilho como deve ser espalhado. E que o Brasil, esse sim agora entenda, que não é momento para diálogos arrivistas nem com governos fascistas e nem com o mercado. E que finalmente, se rompa o boicote que o eixo produz através da invizibilização de um dos artistas mais relevantes dos últimos anos no país!
-Vandal x Djonga x Baiana System mandando BALAH IH FOGOH NUZH RACIZTAZH
Por Danilo Cruz
Danilo
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