Thiago Elniño lançou um clipe que certamente deveria passar a ser conteúdo obrigatório nas aulas de pedagogia do Brasil inteiro, Pedagoginga
Porque será que grandes homens negros da nossa história precisaram ser encarcerados para descobrirem os estudos? Malcom X, Rubin Carter ou mesmo o grande escritor Chester Himes, se aproximaram da leitura e alcançaram a escrita e as palavras como método de expressão depois de presos. Enquanto isso, o filme The Wall baseado no disco homonimo da banda inglesa Pink Floyd e sua clássica cena da escola como linha de montagem é apresentada como elemento de questionamento do atual sistema de ensino.
Longe de questionar a utilização dessa peça musical e cinematográfica antológica, gostaríamos de pensar porque nossa educação não combate a uniformização e a homogeneidade curricular a partir dela. E uma das respostas a essa questão é o pleno desconhecimento da herança africana como elemento potencializador de nossas práticas em sala de aula. Se levarmos em conta que @s noss@s estudantes em escolas públicas é de plena maioria negra em grande parte das cidades brasileiras.
Thiago Elniño, rapper carioca da cidade de Volta Redonda, acaba de soltar um pedagógico videoclipe abordando essas e outras questões, com a participação do Sant e do Kmkz. A música Pedagoginga presente em seu primeiro disco cheio, o icônico e afrocentrado A Rotina Do Pombo (2017), é desde já obrigatória em nossas faculdades de pedagogia.
O não reconhecimento das diferenças que nos compõe com país e uma falsa ideia de igualdade produz em nossas salas de aula, práticas excludentes e que não reconhecem a história e as identidades que compõe as diferenças em sala de aula. Produzindo, obviamente entre outros problemas, evasão escolar em massa e desinteresse diante dos “conteúdos universais obrigatórios”. Ao mesmo tempo, reproduz no campo da história por exemplo, um apagamento da força histórica de África. Fazendo com que os nossos estudantes não se reconheçam naquilo que lhes é ensinado.
No clipe dirigido, filmado e editado por João Victor Medeiros, num pique de super produção e muito bem roteirizado, as imagens nos conta a história de um moleque que rouba livros. Ilustrando perfeitamente a letra dos rappers ao rimar sobre como nossas escolas mais alienam do que libertam as mentes das nossas crianças e jovens. Algo que o hip hop tem combatido desde sempre em nosso país, servindo na maioria das vezes como o verdadeiro instigador pela busca de conhecimento.
Em cima do beat produzido por Scooby, Thiago Elniño e Sant desfilam linhas impactantes que deveriam calar fundo em quem está em sala de aula no nosso país. Eles que outrora estiveram sentados assumem a frente da sala de aula, se colocam embaixo dos holofotes e mandam através de sua poesia diversos motivos para nos fazer repensar nossa educação, tanto no aspecto individual, quanto coletivo. Ao mesmo tempo, em que reafirmam a lugar e o papel da cultura hip hop como arma de resistência politica, social e racial em nosso país.
Uma música e um vídeo que coloca em jogo: pensamento, história, ancestralidade, educação, liberdade e autonomia, elementos fundamentais para a produção do que de melhor o rap é capaz. Mas sobretudo para a conquista de um povo consciente de si, através de sua história, e capaz de projetar um futuro mais pleno enquanto donos de sua própria consciência.
Escutem esse discaço e baixem ele aqui.
Danilo
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