Surt lança um fuderoso EP de estreia, apostando todas as suas fichas num stoner bem equilibrado e pesado, e um vocal maravilhoso e instigante
É aquela velha história, o diabo mora nos detalhes e dentro da internet os detalhes só serão encontrados se você buscar boas conexões, que de resto não tem nada a ver com velocidade, não necessariamente. Faz um tempo que estamos admirados dos trabalhos do ilustrador gráfico Wendell NarkEndmi, e dessa vez estar ligado ao seu trabalho nos ofereceu um duplo presente.
Foi graças a linda ilustração desse grande artista, que serve de capa para o EP homônimo de estreia da banda de Recife: Surt, que fomos escutar o disco, e porrrraaa. Que disquinho minha gente, são apenas 5 faixas mas o nível da produção já nos leva a desejar o disco de estreia!
A banda recifense Surt tem 3 anos de estrada e produz um Stoner rock de primeiríssima qualidade, é fácil perceber as influências de clássicos do gênero mas, sobretudo dos californianos do Fu Manchu. Guitarras riffando em uníssono, baixo e bateria conduzindo tudo com aquela boa e velha elegância, sem firulinhas e tatibitati é o que esses recifenses tem a oferecer.
A banda, um quinteto, é formada pela bateria segura e experiente de Raone (Revolta Civil) pelo baixo que conduz e distorce do Kildare, pela força das guitarras que formam uma parede brutal, do André e Alisson, onde a maravilhosa Dimitria, desfila com uma força irresistível. Cantando as fortes composições em inglês e demonstrando bastante feeling e técnica para mandar um vocal que se adequa ora a porrada, ora as lentidões e quebras/variações de ritmos
As composições são de autoria da Dimitria e são um show a parte, trazendo o complemento ideal para o som da banda e da sua voz. Poderíamos, sem correr riscos de errar, afirmar que o som e as letras da banda trazem uma mensagem muito simples: “Liberdade e agora”. Uma urgência percorre todas as músicas, e ganham no discurso presente nas composições o norte que se quer alcançar.
As composições presentes nesse EP de estreia, versam em uníssono como as guitarras, variações sobre essa ânsia por liberdade. Seja na busca por se tornar quem se é, seja na fuga ativa de relacionamentos, seja buscando experiências libertadoras dos controles sociais, o tema é sempre liberdade e a necessidade urgente da mesma. Tomar a potência de viver com as próprias mãos e seguir o caminho arriscado mas feliz, de ser quem se é.
As 5 faixas seguem como já dissemos o caminho da porrada, e é uma atrás da outra, sem espaço pra churumelas, apenas a força de um som direto e reto atravessa todo o Surt EP (2018).O jogo entre o nome da banda, que batiza o EP de estreia, é bastante interessante também se levarmos em consideração essa ideia de buscar a liberdade que se faz presente dentro das canções. Afinal, numa sociedade doente, letargica e cada vez mais controlada como a nossa, “surtar” é um sinal de saúde.
Sendo assim podemos perceber que a Surt tem uma arte que reconhece o delirio como um aspecto ativo e politicamente revolucionário, buscando outros loucos que entendam a vida dessa mesma forma. Uma estreia de responsa, daquelas que nos fazem felizes em presenciar e já nos coloca na torcida para os próximos trabalhos.
Dimitria nos revelou que a banda agora segue, após o lançamento do EP o caminho natural dos palcos, afinal o povo precisa ver/ouvir essas pedradas ao vivo. A vocalista ainda nos contou que em breve teremos clipes e dentro em pouco, um novo EP, a banda segue com gás total no rumo de afirmar com força na cena. De nossa parte desejamos vida longa a Surt.
O EP da banda está presente em todas as plataformas digitais, escutem e fortaleçam o rock autoral feito no Brasil.
Danilo
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