PE Squad completa 4 anos: O Trunfo e o Triunfo de uma galera dedicada a música e a cultura hip hop de modo profissional e talentoso
Esse texto talvez tenha sido um dos mais difíceis que eu tive de escrever porque, geralmente quando gosto muito de algo, entro num conflito interno sobre como mostrar isso para quem vai ler sem que pareça uma carta emocionada do presidente de um fã clube para seu ídolo ou um post pago por jabá, ou até mesmo uma publicação unicamente para tentar fazer mais pessoas conhecerem e gostarem das coisas que curto (essa última opção realmente parece ser a mais acertada), foi assim quando escrevi sobre o “Eletrocardiograma” da Flora Matos, “DDGA” do Rico Dalasam e agora sobre a PESQUAD.
O motivo é simples: Comecei a conhecer a cena de rap de Recife em 2016, ano do nascimento da banca, e vi as coisas acontecerem. O cenário tomou força, a estética se profissionalizou, o underground comentava, os haters apareceram, ou seja, todas as peças que uma marca em ascensão precisa se encaixaram e Pernambuco viu nascer dele um selo independente que revolucionaria o mercado fonográfico e sua cena local.
Contemporizar os acontecimentos dessa turma ao mesmo tempo em que eu me descobria enquanto artista, conhecendo picos, pessoas e histórias, é algo nostálgico e especial. Revira lembranças e atinge os mais diversos sentimentos. É como se a trilha sonora desses meus momentos se confundissem com beats de Mazili e JNR, e pelas as vozes de Luiz Lins, Bella Kahun, Gustto e OG Thug. Esses dois últimos, antigos membros que hoje não fazem mais parte da marca.
De início, é importante afirmar que isso não é “rasgar seda”. A PE SQUAD, mesmo quatro anos depois de iniciada, é o selo hip-hop mais importante do estado e isso é um fato incontestável. Pernambuco tinha um trunfo na mão: Uma produtora que não deixaria nada a desejar se comparada às diversas e famosas produtoras do país, encontradas no eixo Rio/São Paulo, a jogada foi feita, resultado certeiro. O triunfo da junção entre artistas realmente talentosos e uma equipe de marketing/produção profissional e inteligente era só questão de tempo, e realmente aconteceu: Números antes nunca atingidos por cantores independentes nos serviços de streaming, viagens pelo país, entrevistas em grandes portais, teve música em novela da Globo e apresentações em festivais famosos.
Olhando num panorama, a firma não só trouxe visibilidade pra sua terra. Uma vez ouvi de um amigo MC que a PE SQUAD tinha trazido esperança para quem estava vendo o lugar alcançado em território nacional, sendo representado em alto patamar. Perspectiva. Essa é a palavra certa. Diversos artistas do underground enxergam no selo um farol que facilita a visão de onde e como explorar esse mar duvidoso que é viver de arte, nesse caso, voltado para música, e arrisco dizer que isso acontece surpreendendo os próprios integrantes. Talvez nem fizesse parte do plano ser a estrela-guia de toda uma geração de novos artistas, mas acabou sendo.
Os que estão para vir explorarão as trilhas com pegadas deixadas por esse grupo de amigos. Grupo esse que, vale dizer, não são todos que tem conhecimento científico na área atuante, seja de música (como curso de canto no caso dos cantores) ou na área de marketing (como graduação no que vale aos produtores). A coisa sempre foi, além de trabalho, claro, sobre feeling.
Conversando com Gaijin (produtor) perguntei a ele o que ele achava que tinha feito as coisas darem tão certo e a resposta foi:
“Eu acredito que a gente meio que formou o time perfeito, não os mais habilidosos, mas os mais propostos a serem. Não é papo de meritocracia, mas eu nunca cursei nada (na área de marketing pois ele é formado em Gastronomia), só meti a cara, falhei, aprendi, falhei de novo e segui fazendo. Eu to conversando contigo e escrevendo o roteiro de um clipe (eram 03:37) , Mazili e LL tava produzindo até as 1h da manhã hoje, Rostand (editor) ta editando material, Bella está se preparando para gravar. A gente está sempre trabalhando, acho que somos viciados em trabalho, mas não é porque a gente quer ganhar grana, é porque todo mundo tá muito realizado onde está e isso não tem nada a ver com dinheiro entrando ou números altos, tem a ver com fazer o que gostamos e vivermos como queremos.
Aparentemente, não existem reflexos que apontem sobre quantos aniversários ainda virão pela frente ou sobre contratações ou rupturas. Luiz Lins se prepara para lançar “Plástico”, seu álbum, e Bella Kahun, um EP, ainda sem nome confirmado, ambos previstos para sair ainda esse ano. A banca (por mais que eles não se vejam como mas é assim que também são conhecidos) vive um dia de cada vez, sonhando em ritmos construídos por eles mesmos, sem se dobrar a cobranças de público mas sempre tentando se entender dentro de tudo em que estão propostos a fazer.
Saúde pra vocês da PE SQUAD! É o que importa.
-PE Squad completa 4 anos: O Trunfo e o Triunfo
Por Soffio
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