Pai Guga explora conflitos internos e mistura sonoridades tradicionais e contemporâneas em seu álbum de estreia, “O Túmulo do Mergulhador”.
Velho, me cansa essa coisa da vida o tempo todos nos colocar em cheque. Fazer com que a gente se deprima, se entedie, se questione. E o pior, leva a gente a buscar formas de entender e lidar com tudo que tais condições nos trazem. Ouvindo “O Túmulo do Mergulhador” do fluminense Pai Guga, senti como se tivesse encontrado alguém versado, assim como eu, nas brigas internas consigo mesmo.
E o fruto dessas tretas compradas por Pai Guga consigo mesmo o levou a aventurar-se em compor um álbum solo. As letras revelam essa angústia humana de entender seu lugar no mundo a partir daquilo que sua própria história vai lhe oferecendo. Por isso o álbum nos soa genuíno e nos captura em suas letras, cujas ideias são muito bem reforçadas pelas melodias cuidadosamente lapidadas.
A sonoridade muito bem construída através de beats e ritmos pautados na cultura musical periférica imprime ao álbum uma camada de contemporaneidade, porém sem cair no lugar comum. Fica difícil até mesmo colar um rótulo de gênero musical ao álbum, uma vez que explora diversos elementos. Sem, contudo, precisamos ressaltar, ficar parecendo uma salada de informações e referências confusas.
A produção do álbum, feita por Gato, Raphael e o próprio Pai Guga, articula muito bem esses elementos afim de estabelecer uma ordem. Retocando as arestas e se concentrando nos pequenos detalhes, garantindo uma atmosfera de frescor, de novidade. Vamos torcer pra que esse seja apenas o início da caminhada e que novos passos sejam dados e nos revelem novos lugares.
Ficha Técnica
Produção:
Produzido por Gato, Raphael Garcêz e Pai Guga
Gravado e mixado por Gato e Raphael Garcêz
Masterizado por Fili Filizolla
Ano: 2024/2025
Participações Especiais (Músicos):
Gato, Raphael Garcêz, Hugo Cunha, Martché, Mestre André, Flavio Polito, Fernando Catatau, Marlon Sette, Jorge Continentino, Diogo Gomes
Composição:
Todas as letras por Pai Guga, exceto “Feitiço”, coescrita com Laura Berbert
Direção e Visual:
Direção artística e projeto gráfico por Ana Costa
Fotografi a por Elisa Maciel
Figurino por Ana Costa e Moisés Valente
Vídeos por Ana Costa, Pedro Toledo e Pai Guga
Este projeto foi viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo – Volta Redonda-RJ e Barra Mansa-RJ
