O disco dessa galera de Fortaleza chega para nos avisar que a velha ladainha declarando a morte do rock não passa disso: ladainha! Na boa, esse blá blá blá modorrento só sai da boca de quem vive no passado, não tem culhões para encarar o presente e construir possibilidades para o futuro.
O espirito juvenil e contestador que dá ao rock’n roll sua substância fundadora e primeira está contido e intacto neste disco de estreia. São doze canções em que os garotos deixam claro não estarem a fim de muita conversa. Eles botam pra fuder! Guitarras altas, ritmos rápidos e muito, muito cinismo. “Eu não sei de que lado estou, por isso eu vou.” E nesse ir a música de Jonnata arrasta consigo todo o verniz moral que aprendemos a passar por cima dos nossos desejos. Fazemos isso a fim de nos adaptarmos à vida adulta e à beleza das nossas posições sociais. Sim, ele não toma posições, procura apenas as suas linhas de fuga, segue rindo e nos fazendo rir das suas e das nossas misérias. Uma recusa em se adaptar às convenções normativas, que produzem as “pessoas de bem” como a figura do Senhor Walber ilustra muito bem numa das músicas do disco.
Cínicos, sujos e barulhentos! As músicas passeiam por temas caros à história do rock: inconformismo, pedofilia, drogas, loucura, sexo, relacionamentos amorosos e amizades. As influências vão de Stooges, Dead Boys, New York Dolls (Jonnata Doll) e o que se convencionou a ser chamado de pré-punk, ao pós-punk de bandas como The Cure. O uso de teclados em algumas músicas nos lembram bandas como Yard Trauma e Modern Lovers.
As guitarras de Edson Van Gohg e Leo Breedlove conversam rapidamente. Esse dialogo pavimenta a estrada sobre a qual Jonnata Doll pode desfilar seus delírios, histórias trágicas, e as pequenas críticas que quase sempre vem embrulhadas no cinismo antes citado. A cozinha, formada por Marcelo Denisdead na bateria e Saulo Raphael no baixo, segura a onda com segurança e versatilidade.
Durante todo o disco percebemos nas letras a reconstituição de cenários (Rua de Trás), atitudes (consumo de drogas, sexo, pedofilia), personagens (Karine Pit, Camila Pequena, Senhor Walber, Namorada Fantasma) ligados ao underground e à vida de uma urbes delirante e decadente. Capaz de evocar desde amores da infância até o abuso sexual e violência dentro de uma família, passando pela descrição do consumo de opiáceos e a internação decorrente da dependência de drogas.
Em todos os casos a tônica é o humor cínico e a performance tresloucada do vocalista Jonnata Doll juntos aos Garotos Solventes. As músicas no geral seguem os três minutos e meio de duração, restando a última música do álbum, a soturna Esperando por Você que fecha o disco com seus mais de seis minutos. Desta forma, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes nos oferece um disco todo urgência e catarse, pleno da força original do rock’roll que questiona a bunda molice universitária de bandas e artistas pseudo descolados.
Esperamos que o Jonnata Doll & Os Garotos Solventes consigam continuar nessa pegada no seu já aguardado segundo álbum, que parece estar sendo gravado com o produtor Alexandre Kassin.
http://www.rdio.com/artist/Jonnata_Doll_e_os_Garotos_Solventes/album/Jonnata_Doll_e_Os_Garotos_Solventes/
Jonnata Doll e os Garotos Solventes (2014)
Lançado por Eletrônica Viva
Produzido e mixado por Yuri kalil e
Gravado por Lucas Gutierres no Magnólia estúdio em 2013 , Fortaleza Ce.
Masterizado por Fernando Rocha em El rocha estúdio em São Paulo SP.
Letra e Música: Jonnata Doll
Vocal: Jonnata Doll
Baixo: Saulo Raphael
Guitarra: Edson Van Gohg
Guitarra: Leo Breedlove
Bateria: Marcelo Denisdead
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