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Festival Hardcore de São Paulo 2025, uma cobertura olhando de longe e de dentro

O Festival Hardcore de São Paulo ocupou os meus dias 11 e 12, assistindo tudo pelo youtube, então aí vai minha cobertura a distância!

Nos últimos dias 11 e 12 de outubro, aconteceu em São Paulo o Festival Hardcore de São Paulo, um dos maiores eventos hardcore da América Latina e que reuniu bandas de diversas partes do mundo.

O Festival Hardcore de São Paulo é um evento tradicional que ao longo dos anos foi se reinventando, sua organização mudou, porém a essência hardcore se mantém, demonstrando assim toda força da subcultura 

Na edição de 2025, foram 18 bandas, divididas em dois dias de muito hardcore, moshpit, suor e sing alongs. Conversei com algumas pessoas que fizeram parte disso, para tentar entender e passar a vocês, público do Oganpazan, toda energia e caos do evento.

Daniel AZT é um dos organizadores do evento e nos conta um pouco sobre a história até os tempos atuais. Segundo AZT:

“O Festival Hardcore de São Paulo, era um evento organizado pelo Coletivo Verdurada a alguns anos atrás, porém como Coletivo Verdurada ficou em hiato durante algum tempo, sem aquela frequência dos grandes festivais que costumavam fazer, incluindo uma vez no ano o Festival Hardcore de São Paulo, me vi nessa posição de voltar a fazer”.

Um dos pontos que deve ter facilitado o Daniel assumir tal projeto, é o fato de ter feito parte do Coletivo Verdurada, conhecendo de dentro toda logística do Festival. Atualmente AZT faz parte do coletivo BLC, o qual foi responsável pela organização do Festival Hardcore de São Paulo 2025. Um dos motivos AZT reacender a chama do Festival Hardcore de São Paulo, foi uma viagem para Europa, com o pessoal da banda Violent Stomp.

“Depois de um rolê que fiz junto aos meninos do Stomp (na época Violente Stomp) na Europa, foram 30 dias, conhecemos a cena de lá, que é sempre muito forte. Fui em alguns festivais, deu aquela acendida de voltar a organizar umas paradas, foi aí que começamos a fazer o Festival Hardcore de São Paulo novamente. O nosso formato é bem parecido com o clássico, porém em uma casa um pouco menor. Diz AZT.

Entretanto, o Festival Hardcore de São Paulo, em seu retorno, encontrou dificuldades que tentaram apagar essa chama, a pandemia de COVID-19 que assolou o mundo foi uma delas, como relembra o Daniel:

“Rolou edições até um pouco antes da pandemia. Ficamos esse período de pandemia parados, ano passado voltamos com uma ideia maior, mais estruturada”. 

E de fato, pelo que se viu nessa última edição do Festival, o mesmo encontra-se mais forte que nunca, cumprindo seu papel em ser um dos maiores eventos do gênero na América Latina.

Um dos responsáveis pela identidade visual do Festival foi o Alexandre Kool, vocal da banda hardcore Em Chamas. Ele nos falou um pouco sobre o quão foi gratificante contribuir com o Festival, pelo fato de ser composto por pessoas que são conhecidas da cena hardcore paulista.

“Eu sempre fiz alguns cartazes de shows aleatórios para eles, pro Festival foi um tanto quanto importante pelo fato de ter bandas ali da América Latina, ter essa diversidade tanto de não ser um festival focado só em bandas brasileiras, não ser um festival focado só em bandas de Sâo Paulo, por exemplo teve banda do Rio de Janeiro, da Bahia, de Belo Horizonte, de Porto Alegre, do interior de São Paulo, do Vale do Paraíba, Americana e Piracicaba e outra coisa importante é também ter a diversidade de ter bandas com membros trans, LGBTQIA+, bandas com mina tocando, teve pessoas no festival expondo materiais LGBTQIA+, então teve toda essa preocupação deles [organização do festival]”.

Com relação a arte em si, o Kool diz: 

“Eu me senti muito livre. A arte veio de um esboço deles, me convidando e eles disseram que queriam uma ideia, passando as referências, e disseram que queriam alguém que fizesse a identidade, mas que fosse alguém que desenhasse e colocasse a ideia em prática. Eu comecei o esboço, e como trabalho com folha sulfit e lápis fui fazendo o esboço e mostrando para organização do festival, que foram adorando tudo e me deixando muito livre pra criar essa identidade. Fiz o letreiro, o personagem e no processo final acabou sendo uma collab com o José que toca nas bandas Joker e Big, sendo que ele finalizou o cartaz. Fiquei muito feliz em colaborar com o evento e espero que rolem outros convites”.

Apesar de carregar em seu nome o Hardcore, o festival em si acaba abarcando outros estilos musicais, deixando claro que o hardcore está muito mais ligado a ideologia que o som. Essa mescla é importante, pois deixa o evento não tão monótono e abre espaço para diversos tipos de interações. Rodrigo, baterista da Lasso, uma das bandas que se apresentou no Festival deste ano fala que “sonoramente sentir um forte apelo ao hardcore moshado, tornando pra mim, ainda mais especiais a participação das bandas que variavam um tanto essa proposta”.  Bandas como Velho de Câncer, Jovens Ateus e Alerta Vermelho destoaram positivamente das demais bandas que se apresentaram. Xopô, vocal e guitarra do Alerta Vermelhou falou um pouco sobre como foi participar dessa edição do Festival:

“A gente adorou. Eu fiquei particularmente feliz por que tem muita gente nova, diversidade em todos os aspectos. Como a galera se veste, agita, essa gana em chegar cedo e acompanhar tudo”.

Já Rodrigo, Lasso, disse que:

“Como banda, senti uma ótima recepção, tanto por parte da produção, quanto por parte do público, que apesar da menor interação nas músicas ou partes mais aceleradas, pareciam estar curtindo bastante.

Foi massa ter respirado um pouco o ar de um festival anunciadamente hardcore aqui no Brasil, mesmo em se tratando de São Paulo que é uma cidade com alcance muito maior que as demais localidades do país. Torço pra que se torne um festival cada vez mais tradicional e continue trazendo pessoas e bandas de todo canto do país, América Latina (como foi nessa edição) e até do mundo”.

Acerca do público, assim como Xopô, ele pontuou:

“O Festival teve uma participação grande de público jovem, trazendo uma renovação e inclusão não só etária, mas também de fluidez de gênero, uma evolução gigantesca no meio, fazendo jus ao que o punk e hardcore propõe”. 

Segundo AZT, a curadoria das bandas é simples e objetiva:

“Muitas das bandas que tocam são de amigos que fizemos durante esses anos ou indicações desses amigos, disso parte um dos pontos da curadoria.

Normalmente são bandas da América Latina, mais já rolou, bandas da Europa e EUA. Bandas nacionais a gente sempre vê quem tá em atividade, lançando material ou fazendo tour”.

Os critérios escolhidos, aliado ao bom gosto musical dos organizadores, fez com que o Festival Hardcore de São Paulo fosse heterogêneo e com uma qualidade invejável. Com apresentações bombásticas, é uma tarefa difícil definir quais shows foram os melhores do Festival, mas o Kool não teve problema algum em sinalizar que para seu gosto, os melhores shows foram das bandas Sem Remorso, que abriu o Festival e da Moved By Instict. Já para Rosane Calegari, que apesar de não ser da organização do Festival sempre chega junto no suporte, os melhores shows foram das bandas Lasso e Declive, pontuando ainda que estava bem empolgada pela apresentação do Jovens Ateus, a qual ela achou sensacional.

Para Rosane o Festival Hardcore de São Paulo é um evento importante, vez que sempre está apresentando novas bandas, bandas que têm algum tipo de representatividade e bandas de outros estados e países. Ela relata:

“Nossa cena é muito unida, nos apoiamos muito, vivenciamos muitas coisas e sempre abertos a conhecer novas pessoas, novas bandas. 

Essa edição foi gigante, mesclando vários tipos de som, desde uma parada mais agressiva, um post punk que faz todo mundo dançar, ou bandas que você fica parado tentando entender como conseguem fazer um som tão absurdo”.

Sem sombra de dúvidas a edição 2025 do Festival Hardcore de São Paulo foi marcante, não apenas pelas bandas ou pela organização, como pelo fato de ter tido transmissão simultânea, para todo mundo. 

Em uma parceria com o pessoal do Infâmia Rec, todos os shows do Festival foram transmitidos ao vivo pelo youtube, proporcionando assim que pessoas de toda parte do mundo pudessem sentir um pouco do clima do festival.

Desejo que o Festival Hardcore de São Paulo 2026 seja ainda maior que o deste ano e que esse clima de respeito às diversidades perdure, porque isso de fato é o que define a subcultura hardcore.

Como finalizou Rosane: “Ano que vem bora que tem mais!!!”

-Festival Hardcore de São Paulo, uma cobertura olhando de longe e de dentro

Por Dudu 

Fotos por Sasso, Gabriela Nery, Gio Andrade, Wilmore, Vitor Dalben

Bandas Festival Hardcore de São Paulo 2025: 

Dia 01 –  Sem Remorso, Moved by Instinct (Americana/SP), Nada a Cambio (Equador), Klitoria (Rio de Janeiro/RJ), Lasso (Salvador/BA), Liträo (Rio de Janeiro/RJ), Ritual (Argentina), Jovens Ateus (Maringá/PR) e Surra (Santos/SP). 

Dia 02 – Offside75 (Alemanha), Alerta Vermelho (Belo Horizonte/MG), Fraca, Defdot, Velho de Câncer (Porto Alegre/RS), Srtyker (Argentina), Institution, Declive e Despize (Escócia).

 

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