Entrevistamos a banda punk catarinense Bubônica. Banda ainda muito jovem, mas que revela uma potência musical arrasadora.
A Bubônica é uma banda jovem, mas já chega com atitude e discurso afiados. Formada por mulheres, o grupo vem conquistando espaço na cena underground de Joinville com energia no palco e referências que vão do rock alternativo ao Riot Grrrl.
Carlim (Oganpazan): Vocês são uma banda jovem, no início da caminhada. Qual foi a motivação — ou quais foram as motivações — que levaram vocês a decidir formar uma banda?
Bubônica: Em geral, a vontade de criar um espaço confortável pra mulheres dentro da cena. Notamos como grupo que existe uma deficiência de representação feminina na música, especialmente no rock, e gostaríamos de mostrar pra outras meninas que apesar dos desafios, abusos, e negligências, é sim possível conquistar o seu espaço. Não só possível, como é algo que PRECISA ser feito. O projeto é feito para causar desconforto nos criadores desse estigma de que mulheres são intrinsecamente menos capazes.
Carlim (Oganpazan): O que vocês têm achado da experiência de ser uma banda, especialmente sendo uma banda formada por mulheres na cena underground?
Bubônica: Tem sido maravilhosa! Estar entre mulheres cria um espaço muito mais confortável para todas nós. É como uma grande família. É como se a banda se tornasse algo mais íntimo, justamente por todas passarem por desafios parecidos. Claro, em relação a cena, sempre tem um babaca pra apontar o dedo na sua cara e desmerecer seu trampo, mas esse tipo de coisa é exatamente o que lutamos contra todos os dias, já que o rock br é praticamente dominado por homens. Estamos aqui pra mostrar que garotas podem ser muito mais do que só a namorada do guitarrista.
Carlim (Oganpazan): Qual avaliação vocês fazem da cena underground de Joinville? Consideram que há algum tipo de diferença de tratamento entre bandas formadas por mulheres e bandas formadas por homens?
Bubônica: Uma das coisas que se observa, é a dificuldade em encontrar bandas com mulheres na composição. Isso não só na cena local, mas no mundo. A cena é hostil pra garotas, e sempre foi. O punkrock Br é um movimento cujas bases foram construídas por mulheres, pessoas negras, e pessoas queer. Negar essa essência, é negar o movimento em si. Mesmo assim, existe uma diferença muito evidente no tratamento entre mulheres e homens. Não significa que não estejamos recebendo muito apoio de outras pessoas! Muitos tem sido gentis, mas ainda existe esse preconceito.
Carlim (Oganpazan): Vocês já se apresentaram? Como tem sido essa experiência?
Bubônica: Ainda não, mas estamos ansiosamente aguardando nosso show de estreia em parceria com os queridos da stormy!! Fiquem ligados
Carlim (Oganpazan): No perfil de vocês no Instagram, vocês se descrevem como uma banda de rock alternativo. Quais são os gêneros do rock que mais influenciam a construção da identidade sonora de vocês?
Bubônica: Nós tiramos inspirações do punk e do emo 2nd wave, mas não gostamos de nos prender demais a gêneros específicos.
Carlim (Oganpazan): Aliás, qual identidade sonora vocês buscam construir?
Bubônica: Queremos tocar aquilo que expressa melhor a nossa luta e nossos sentimentos. Acreditamos que música é uma forma de revolta, e que revolta nem sempre se encaixa em rótulos.
Carlim (Oganpazan): Qual é a influência do movimento Riot Grrrl na formação pessoal de vocês e como isso se reflete na postura da banda?
Bubônica: O movimento Riot grrrl define tudo o que nós queremos representar como banda. É um movimento de desafio as normas, padrões, e à perspectiva de que é necessário um homem para que exista progresso em um projeto musical. Somos bastante radicais quanto a nossa política, e essa política não seria nada sem aquelas que vieram antes de nós, lutando por seus lugares na cena.
Carlim (Oganpazan): Vocês já iniciaram o processo de compor músicas próprias? Como tem sido essa experiência? Vocês compõem coletivamente ou alguma integrante chega com uma música ou ideia e desenvolvem juntas?
Bubônica: No momento estamos trabalhando em um EP com quatro músicas. Em geral é bem desse jeitinho mesmo, com uma de nós apresentando uma ideia inicial, e mais tarde trabalhamos nela juntas até que a estrutura esteja formada. A Mari, a Lydia e a Maju (namorada da Lydia e co-compositora) geralmente vem com as letras, enquanto os instrumentais são feitos em grupo. É maravilhoso ver uma música tomando forma.
Carlim (Oganpazan): Vi em alguma postagem no Instagram de vocês que a banda tem se apresentado tocando covers enquanto não finalizam composições próprias. Quais são as bandas e músicas que vocês têm tocado? Por que essas faixas entraram no setlist?
Bubônica: Bikini kill, mommy long legs, Jack off Jill, dazey and the scouts, Destroy boys, etc. Nós gostamos bastante do som que elas fazem, e da mensagem que passam. Tudo remete bastante o que nós queremos ser um dia, sabe? Especialmente Dazey.
Carlim (Oganpazan): Vocês têm recebido apoio de outras bandas nessa fase inicial? De que maneira esse apoio impacta no trabalho de vocês?
Bubônica:Recebemos apoio das meninas da Cacofonia, Scumbags e várias outras pessoas que botaram fé no projeto, e que quiseram ver dar certo. Somos muito gratas a todos!!
