A Black Pantera, após lançar o single I Can´t Breathe, solta o EP Capítulo Negro, em celebração à representatividade de luta do Dia da Consciência Negra.
A Black Pantera havia anunciado que o lançamento do seu EP, “Capítulo Negro”, seria feito no dia 20 de novembro. Dia que renova nossa memória de que ainda estamos em luta contra o racismo e a opressão direcionada ao povo negro em todo território brasileiro. Às vésperas do Dia da Consciência Negra, o racismo entranhado em nossa estrutura social foi mais uma vez esfregado em nossas caras. Seguranças brancos de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre espancaram até a morte um homem negro nas dependências do hipermercado (aqui).

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que já havia feito declarações negando a existência de um racismo estrutural no Brasil, que impediu a Fundação Palmares de celebrar o Mês da Consciência Negra, que considera Zumbi dos Palmares um falso herói dos negros, que alterou as regras para inclusão de nomes de personalidades negras na galeria de notáveis da Fundação Palmares, retirando assim, nomes como Milton Nascimento, Conceição Evaristo, Martinho da Vila e Elza Soares, (veja tudo isso aqui) usou sua conta no Twitter para fazer mais um ataque ao povo negro brasileiro.
Camargo se refere a João Alberto como marginal, pois não era um “negro honrado”, dando a entender que por isso teve o que mereceu. Essas declarações vindas de Camargo, presidente de uma instituição criada para atender às demandas sociais e culturais do povo negro brasileiro, mostram o quanto ainda as pessoas negras em nosso país, tem que lutar para alcançar o status de cidadãos brasileiros.
Por isso mesmo, bandas como a Black Pantera são necessárias, pois trazem músicas de combate para o campo de batalha. Enquanto gravam seu novo álbum, gravaram e lançaram um EP voltado para marcar o Dia da Consciência Negra de 2020. Um dia para lembrar que há uma luta em curso e que não devemos baixar a guarda. Em “Capítulo Negro”, a banda mineira faz versões sonoramente agressivas de hinos de denúncia, combate ao racismo e empoderamento do povo negro em nosso país.
São as músicas Identidade de Jorge Aragão, Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro de Alexandre Meneses, Marcelo Lobato, Marcelo Yuka e Nelson Meireles, que faz parte do álbum de estreia de O Rappa lançado em 1994 e A Carne de Marcelo Yuka, Seu Jorge e Ulisses Cappelletti, que ganhou projeção na versão poderosa de Elza Soares.
A Black Pantera imprimiu nos arranjos dessas faixas a fúria e a verve presentes na sonoridade da banda, o resultado não podia ser diferente, um som agressivo o suficiente para despertar a ira de quem ainda precisa lutar para sobreviver. Desse modo, a abordagem crua e direta desses clássicos da música brasileira dão um direcionamento combativo, na medida que retira o caráter contemplativo e de entretenimento que o público médio atribui a estas canções.
Os caras aproveitaram o ensejo para lançar um curta metragem que tem como fio condutor de sua narrativa os temas em comum das canções, quais sejam, o empoderamento negro, o racismo e a luta constante contra o racismo. A direção ficou a encargo de Leonardo Ramalho, da Pajé Filmes, que já havia trampado com a Black Pantera nos clipes de Punk Rock Nigga Roll e I Can´t Breath, lançado em protesto pelo assassinado de George Floyd pela polícia estadunidense em junho deste ano. Atua no filme o ator Edson Militão, presente em cada um dos 3 atos que compõem o curta. Cada ato é uma das canções componentes do EP.
Diante da realidade cada vez mais opressiva que vivemos, bandas como a Black Pantera, preocupadas em construir uma obra de conscientização e de luta são urgentes. Estamos desde já na expectativa pelo lançamento do novo álbum dos caras. Até lá.
Carlim
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