Billie conta a vida da maior cantora de todos os tempos sem reducionismos e moralismos, valorizando a complexidade da vida e obra de Billie Holiday.

Billie Holiday é sem dúvida um dos maiores nomes da música do século XX, merecedora de análises que coloquem em relevo sua obra e suas contribuições para a música. Sua biografia é intensa e possui todos os elementos que compõem uma narrativa que revela a condição social e política da população negra estadunidense na primeira década do século passado. Ainda mais por se tratar de uma mulher negra, construindo sua carreira como cantora de jazz num ambiente dominado por homens, que desse modo, a coloca num contexto ainda mais opressor e difícil de se sobressair.
Billie, lançado em 2019, é o documentário que promete mostrar a natureza complexa da vida de Billie Holiday. O filme chegou às plataformas stremaing nos EUA em dezembro de 2020 e deve estrear aqui no Brasil em 2021. O roteiro é baseado na biografia incompleta que vinha sendo escrita pela jornalista Linda Lipnack Kuehl, que não pode terminar sua obra sobre Lady Day devido sua morte precoce em 1978. Kuehl havia entrevistado inúmeras pessoas ligadas à Billie Holiday, como o baixista Charles Mingus, o baterista Jo Jones, o crooner Tony Benetty e o bandleader e pianista Count Basie. Como boa parte desse material foi registrado em vídeo, teremos esses depoimentos em imagem e áudio em Billie.
A expectativa em torno do documentário para os público brasileira interessado pelo jazz não pode ser maior, isso porque promete ser uma obra que cobre detalhadamente a vida de Billie Holiday. Linda Kuehl, ao longo de uma década, gravou mais de 200 horas de entrevistas em cassete com os famosos e esquecidos que fizeram parte da vida da cantora – músicos, policiais, colegas de classe, amantes, cafetões, abusadores, gerentes e espectadores. Juntas, as entrevistas contêm muita especulação, muitas generalidades e muitas discordâncias entre as visões dos depoentes sobre quem era BIllie Holiday. Isso porque cada uma dessas pessoas formou seus próprios mitos sobre Holiday até então.

A direção do filme é do cineasta britânico James Erskine, que já tinha feito os bons Shooting For Socrates de 2014 e Sachin de 2017. E ao que tudo indica o diretor, que roteirizou o documentário, valorizou os registros de Kuehl e construiu uma narrativa filmográfica que explora as idiossincrasias, contradições e elucubrações por trás da rápida e intensa vida de Billie Holiday. Então, não teremos uma história que tenta nos vender uma imagem reducionista e simplificada da cantora.

Vale ressaltar a participação da brasileira Marina Amaral, reconhecida mundialmente como uma das maiores coloristas de fotografia em P&B em atividade. E foi ela quem coloriu digitalmente mais de 100 fotos utilizadas neste documentário, além de alguns frames e definiu as cores que foram reproduzidas e aplicadas nos vídeos em estúdio na Índia.
Só pra lembrar, existem duas outras obras cinematográficas sobre a vida e a obra de Billie Holiday, Lady Sings the Blues de 1972, filme do diretor Sidney J. Furie, no qual a diva do jazz é vivida por outra diva, Diana Ross, além do New Orleans de 1947, no qual Billie Holiday contracena com Louis Armstrong e outros nomes do jazz.
Carlim
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