Quando foi descoberto cantando nas ruas de Paris em 2012, Benjamin Clementine tinha apenas 24 anos de idade e vivia na capital francesa desde 2008, ano em que deixou a Inglaterra para tentar a sorte no país vizinho. Na época Clementine ganhava a vida com apresentações em bares e por não ter dinheiro para pagar acomodações mais apropriadas, passava as noites numa estação de metrô.
Felizmente suas habilidades como cantor, pianista e compositor chamaram a atenção de um agente que resolveu apostar no artista levando-o a tocar em importantes festivais na França; a partir daí foi prontamente reconhecido como uma grande revelação da música atual.
O primeiro EP lançado em 2013 pelo selo francês Barclay já mostrava a força monumental das composições de Clementine, arrancando elogios de Paul McCartney na ocasião de sua aparição no programa televisivo britânico Later With Jools Rolland. As músicas apresentadas nesse EP foram recebidas com entusiasmo, preparando o terreno para o lançamento do seu álbum de estréia intitulado At Least For Now (2015).
É difícil de imaginar um début mais promissor do que este com que o Benjamin Clementine nos brinda. A maturidade com que o artista passeia pelas onze faixas do disco é simplesmente espantosa. Cada uma delas trazendo uma carga dramática e um apuro técnico tão grandes que não por acaso tem sido comparado com uma das maiores cantoras da história do jazz: Nina Simone.
O estilo de Clementine, porém, toma um caminho distinto e bastante original. Com uma voz potente e aveludada (que vem sendo classificada por especialistas como tenor spinto), o músico mistura elementos do jazz e do soul a influências da música erudita numa roupagem minimalista, com ênfase nos arranjos de piano. A maneira peculiar com que combina esses elementos faz do trabalho do artista algo muito complicado de categorizar.
Seu piano oscila entre a suavidade melódica do músico francês Erik Satie e a dureza percussiva de Thelonious Monk, numa estrutura que envereda por direções inesperadas, mas que ao mesmo tempo é capaz de provocar uma agradável sensação de familiaridade. Ou seja, Clementine nos tira da zona de conforto sem, contudo, transformar a experiência em algo cansativo e penoso.
A produção acerta em cheio ao fazer uso de batidas eletrônicas suaves – como nas faixas Condolence e London – e em utilizar de forma moderada os arranjos de violino que surgem em momentos pontuais, mas extremamente precisos. Assim, desde os primeiros acordes de Winston Churchill’s Boy, faixa que abre o disco, somos conduzidos a um universo musical de emoções intensas, onde é impossível ficar indiferente frente a canções tão inspiradas quanto Adios e Nemesis.
As letras introspectivas, repletas de ironia e vulnerabilidade, são embaladas pelo piano hipnótico do músico inglês, exigindo do ouvinte certo nível de compromisso que, uma vez assumido, leva a um envolvimento emocional marcante. A cada audição o álbum parece crescer em relevância e terminamos com a certeza de estarmos diante de um artista brilhante e singular.
Longa vida à Clementine!
Benjamin Clementine
Álbum: At Least For Now
Ano: 2015
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