Na track A Sigla DDH segue o tratamento em sua segunda fase, agora é hora de diagnosticar os nossos problemas.
Seguindo a trilha de um single por semana, Mobb e Baco depois do sacrifício de muita mediocridade que ouvimos por aí com Abra a Cabra, partem agora com A Sigla pra explicar melhor o porquê do nome DDH e quais os índices que nos aprisionam neste manicômio.
De dentro do hospício eles montam suas trincheiras, abrindo buracos na linguagem que se aparentam e muito aos túneis vietcongues, por onde mensagens da mais pura resistência ecoam, num direto sem abertura pra esquiva, tornando claros os principais problemas destas nossas paranoias coletivas.
Fazendo as rimas delirarem do nacional ao internacional, do atual ao histórico, do real ao cinematográfico, os manos mostram como seu trabalho dialoga oportunamente com o nosso momento político, sem perder de vista a história. Zeitgeist (Espirito do Tempo) captado por rimas que se impõem pela propriedade política e poética em traçar esse diálogo poucas vezes visto com tanta propriedade.
Diante da trama montada em roteiro muito bem estruturado pelo estado e suas políticas de combate a drogas, nos fazendo presenciar um filme trágico onde nossos jovens são levados a interpretar um Shakespeare pervertido. Onde Capuletos e Montecchios lutam constantemente para se prender dentro de pequenos territórios geográficos e subjetivos, num combate sem vencedores, para impedir a concorrência nas vendas de drogas.
Em A Sigla DDH opõe Django (versão Tarantino), “caçando por Candyland, matando por amor e liberdade, esse é o game, viver a real malandragem”, que certamente é caçar, aniquilar a opressão, ou seja, não seguir os roteiros pré-estabelecidos pelos poderes vigentes. Contra-narrativa diante da realidade que nos é posta cotidianamente na cara, às quais muitas vezes nos torna impotentes.
Muito forte e interessante essa e outras identificações com os oprimidos da história, sejam quais forem as minorias, e de que lugares forem: negros, vietcongues, travestis, palestinos, crianças sírias e chinesas. Num jogo inteligente e politicamente revolucionário que atravessa o horizonte e não perde de vista os problemas históricos. Demonstrando todo o arsenal e clareza políticas desses cabras, sem proselitismos ou barreiras ideológicas que impeçam algum combate a qualquer tipo de opressão.
O rap underground encontrando os índices mais fortes da política nacional e internacional, sem perder o humor que demonstra o ridículo dos opressores (Bolsonaro e Fidelix tomando um White Shower), com uma força musical e poética muito grande.
E A Sigla é apenas o segundo single. Segunda sessão que promete não deixar neurônio sobre neurônio nas ideias fracas dos reaças de plantão, sejam em quais posições eles jogarem, os meninos aqui jogam nas onze.
Leia mais sobre o D.D.H. clicando aqui.

Danilo
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