
Tem muita gente que gosta de tirar sarro do Ringo Starr. Ele é geralmente considerado o menos talentoso dos Beatles, o menos boa pinta, o cara que tava lá só pra completar o time. Mas será mesmo?
Não vou discutir sobre a beleza física do rapaz, mas será que a sua contribuição para a história de uma das melhores bandas do universo foi assim tão irrisória? Pra começar John, Paul e George faziam questão de frisar a importância do baterista na criação musical do grupo. “Ele é o coração da banda”, costumavam dizer.
Vale lembrar que durante muitos anos a dupla Lennon-McCartney meio que monopolizou as composições dos Beatles e mesmo que a imagem da banda fosse vendida com ênfase nos quatro integrantes, os dois eram sempre considerados “o cérebro da operação”.
A primeira composição de George a entrar em um disco do quarteto foi Don’t Bother Me no álbum With The Beatles de 1963. Ringo só veio a emplacar uma música inteiramente sua em 1968 no White Album com Don’t Pass Me By; antes disso ele havia participado da composição de What’s Going On do Rubber Soul.
Nunca testemunhei muito entusiasmo em relação aos Beatles enquanto instrumentistas. Você dificilmente encontrará o nome deles em listas de melhores guitarristas, baixistas ou bateristas da história. Apesar disso, ao longo da trajetória da banda, todos eles desenvolveram bastante suas habilidades musicais, conseguindo construir um legado que conquistou a admiração e o respeito de muitos dos nomes que encontramos nessas listas. Afinal não dá pra conceber um Sgt. Pepper’s tendo um domínio limitado dos instrumentos, certo?
A fase em que a banda decidiu parar de fazer shows foi muito positiva para John, Paul e George que deram um salto notório em relação ao domínio dos seus instrumentos. Ringo, por outro lado, não se beneficiou tanto dessa decisão. O próprio baterista sentiu que estava ficando aquém dos seus companheiros com a falta das apresentações ao vivo e a ênfase no trabalho em estúdio. Isso teria motivado a sua vontade de abandonar o barco, algo que foi inteiramente descartado pelos outros integrantes. Para dar uma animada em Ringo eles fizeram o White Album.
Pelo menos é o que se costuma contar. Boa parte da proposta do White Album teria sido concebida pensando no Ringo como instrumentista. A variedade de ritmos do disco duplo foi um desafio para ele, e seu estilo todo particular pôde finalmente brilhar. A aparente simplicidade do seu toque tende a esconder sua destreza e criatividade na condução das batidas. Com frequência ele surpreendia em músicas simples e era preciso em composições mais experimentais. Um mestre da bateria minimalista, sem firulas nem arroubos de virtuosismo.
Recentemente foi divulgado um vídeo na internet em que grandes feras da bateria deixam claro o quão importante foi Ringo para a música pop e para suas carreiras. Uma homenagem mais do que merecida. Se não estou enganado o vídeo foi exibido pela HBO como apresentação na cerimônia de nomeação do ex-beatle ao hall da fama do rock. Dave Grohl (Nirvana), Chad Smith (Red Hot Chilli Peppers), Ahmir “Questlove” Thompson e Stewart Copland (The Police) estão entre os bateristas que fazem reverência à Ringo.
Infelizmente o vídeo não permite que o coloquemos aqui no post, se ficou curioso clique nesse link pra conferir. Pra não deixar passar em branco dá uma olhada também nesse top 10 de grandes momentos de Ringo nos Beatles.
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