“Ódio Mortal”: o hardcore baiano “cheio de ódio”!
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“Ódio Mortal”: o hardcore baiano “cheio de ódio”! 

Com sonoridade agressiva e letras explosivas, a banda soteropolitana Ódio Mortal, lança uma Demo “cheia de ódio”!

Ódio
Arte de capa de “Ódio Mortal” por Raphael “Rafiukis” Brito.

Salvador é chapa quente! Carrega todas as dores e prazeres de uma cidade grande, mas, desde sempre, as dores ocupam um espaço maior no cotidiano da população periférica.

A PM baiana está entre as mais violentas e letais do país. Em comum com as PMs dos demais estados está o alvo: pessoas pretas, cujo CPF indica um território onde a abordagem é livre para acontecer da forma mais bárbara e violenta possível.

Assim, o ódio é um sentimento comum entre essas pessoas, e pode ser convertido em combustível para a revolta popular. Ainda que não chegue à ebulição social, que ao menos sirva como expressão da indignação de quem vive a repressão dos governos por meio de seu braço armado: a polícia militar.

Ódio Mortal, banda soteropolitana de hardcore, já carrega no nome a insígnia desse sentimento transformador. Lançada no início de abril deste ano, a demo Ódio Mortal traz um line-up com faixas de curta duração e largo impacto no ouvinte.

Ao longo do EP, somos apresentados à expressão do ódio em diferentes frentes. Em Ódio Mortal, faixa de abertura, o sentimento aparece em estado bruto — sentido intensamente, mas ainda sem encontrar um alvo específico no mundo real.

É um ódio latente, matéria-prima que, a meu ver, pode ser explorada para uma transformação social. Fica claro que se trata da indignação gerada pela brutalidade do Estado contra os cidadãos periféricos.

Em Bomba Relógio Humana, encontramos alguém sob intensa pressão, à beira da explosão. Aqui, o ódio já possui um direcionamento claro: os instrumentos de repressão materializados nas instituições do Estado, como a PM e o sistema financeiro, que exige verbas públicas para alimentar sua fome voraz.

Seguimos para Lixos Pra Sociedade e nos deparamos com o ódio provocado pelo descaso social,  a desilusão de quem luta, se esforça, se revolta e, ao fim, se frustra. Somos descartáveis nesta sociedade neoliberal: ferramentas usadas e jogadas fora.

Disciplina, faixa que encerra o EP, versão da música Teach Me Violence, da banda SS Decontrol, trata do ódio provocado pela violência estatal como instrumento de disciplina. Novamente, a polícia é a mão que bate para conter manifestações por melhores salários e condições de trabalho, algo comum entre servidores públicos, em especial os professores.

A sonoridade do álbum é veloz e agressiva. Sem rodeios, o som explode nos ouvidos com intensidade e urgência,  resultado de uma energia musical canalizada com precisão.

Ouçam Ódio Mortal e experimentem o ódio em sua forma pura, brutal e transformadora!

 

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