Os australianos da King Gizzard & The Lizard Wizard abandonam a psicodelia em seu novo álbum e mergulham nas profundezas do som extremo!
Duvido que você consiga falar King Gizzard & The Lizard Wizard na velocidade 5 do Creu sem dar um nó na língua. Essa banda australiana que tem esse nome que mais parece um trava língua, daqueles que a fonoaudióloga usa como exercício pra corrigir a dicção das pessoas, causou espanto ao lançar um álbum totalmente fora dos padrões sonoros apresentados nos álbuns anteriores.
A banda se projetou e ganhou destaque lançando excelentes álbuns pautados em elementos psicodélicos, prog e boas pitadas de indie. Quer dizer, os caras se tornaram conhecidos por se lançarem de cabeça no experimentalismo. Sem recorrer a firulas e ideias mirabolantes, compondo músicas pautadas em camadas sonoras e estruturas melódicas simples, criativas e bem executadas.
Só que agora os caras vieram com uma sonoridade totalmente diferente daquela feita nos álbuns anteriores. Muito peso, distorções acentuadas, riffs arrastados, muitos barulhos e efeitos sonoros mais sujos e andamentos rápidos. Não economizaram em explorar as vertentes do som extremo como trash, death e doom metal.
Confira abaixo performance ao vido da banda tocando músicas de PetroDragonic Apocalypse:
Isso tudo porque o conceito por trás do álbum é chamar atenção para o rumo que a humanidade tomou ao longo do século XX, no que diz respeito à degradação ambiental, e no qual, nas primeiras décadas do século XXI, permanece seguindo.
O futuro distópico alardeado ao longo dos últimos quarenta anos, que mostra um planeta devastado por catástrofes naturais, consequência da ação predatória do ser humano sobre os recursos naturais, através da extração desenfreada de matérias primas para produção de combustíveis e outras comodities com a finalidade de acumular capital nas mãos de uma parcela ínfima da burguesia mundial, se tornou realidade. ,
Já estamos imersos nessa realidade. No verão de 2022, cerca de 61 mil pessoas morreram devido à onda de calor na Europa, conforme noticiado em matéria do G1 que você pode conferir aqui. Não está sendo diferente no verão de 2023 em todo hemisfério norte (América do Norte, Europa e Ásia) conforme os dados apresentados nesta reportagem. Quem não se lembram dos incêndios na California que tingiram de vermelho os céus de várias cidades estadunidenses. Veja aqui. Nos Estados Unidos este ano foi registrado como o mais quente da história do país, confira aqui.

Por isso o título do álbum da King Gizzzard & The Lizard Wizard remete a uma realidade climática marcada por fogo, altas temperaturas e uma aridez climática violenta. O título é longo mas dá o tom sombrio do reigsto: PetroDragonic Apocalypse; or, Dawn of Eternal Night: An Annihilation of Planet Eart and the Beginning of Mercicless Damnnation.
Saquem a tradução e vejam o quão trevosa é a mensagem presente no álbum acerca do futuro próximo do planeta: Apocalipse PetroDragônico; ou, Amanhecer da Noite Eterna: Uma Aniquilação do Planeta Terra e o Início da Danação Impiedosa.
A escolha da figura do dragão como referência para expressar o conceito do álbum condensa a imagem de terra arrasada pelo fogo, pela fúria do calor extremo. Vocês lembram a desgraceira que foi a Daenerys em cima do Drogon ateando fogo pelas ruas de Westeros né?
Aqui o ser humano é a Daenerys, Drogon é o capitalismo e Westeros é a Terra. Se você não viu o final de GOT vai lá pra ver o estado que Westeros ficou. Cá entre nós, o dragão se apresenta como metáfora perfeita para os resultados da ação predatória do ser humano sobre a natureza que estamos presenciando através das ondas de calor intenso dos últimos anos. A temperatura do planeta sobe a cada ano.
Olha essa capa do álbum e veja a imagem escancarada do mundo consumido em fogo. É só vermelho, amarelo, laranja, só variações da cor vermelha, numa paleta onde as cores e as imagens remetem ao apocalipse através da impiedosa danação pelas chamas ardentes.
Diante dessas imagens infernais de chamas, danação, calor insuportável, fogo pra todo lado e terra árida, seca e infértil, bota o disco pra rolar e veja se a sonoridade não casa perfeitamente com essa imagem de mundo!! Você vai correr pra tomar um banho, beber água e plantar uma árvore.
Carlim
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