Vinícius Cavalo é um dos músicos instrumentistas mais atuantes da cena rock e outras vertentes em Belo Horizonte

Vinícius Cavalo é um baixista amplamente conhecido no circuito do rock mineiro e outras vertentes como pop, jazz e música brasileira; sobretudo na capital Belo Horizonte. Cavalo é conhecido também por sua personalidade acessível e carismática, conseguindo se inserir em diferentes nichos e dialogar com diversos meios da cena musical da cidade.
Agora, ao se reinventar por meio de seu trabalho autoral como produtor musical, ele traz toda essa bagagem à sua sonoridade rap, punk e eletrônica que surpreende para quem estava acostumado a ver Cavalo tocando seu baixo em grupos de rock, jazz e música brasileira. O nome do projeto é bastante adequado: Cavalo Doido, e a entrevista a seguir é para entender como se deu esse proceso.
A seguir, compartilhamos um pouco da ideia que levamos com o Vinícius Cavalo aqui para o Oganpazan. Uma ótima oportunidade para aprender e compreender como pode se dar o amadurecimento de um músico que está sempre se aprimorando. Confira!
Como foi a transição de músico instrumentista para produtor musical autoral?
Por mais importante que seja estudar música e eu sempre fui de estudar bastante, muitas coisas estavam me deixando saturado e pouco inspirado… então, vez ou outra, já vinham várias ideais de composição e produção autoral em casa mas que eu não dava vazão por que estava mais focado em ser um músico instrumentista. Isso me fazia acreditar que não era possível arriscar, cantar com a própria voz, fazer do meu próprio jeito pois afinal eu não estudava canto, sou baixista e tudo mais… Com o tempo, fui vendo que essa mentalidade só estava me prendendo e por meio do punk, do rap e do eletrônico fui conseguindo dar vazão a isso por serem estilos que valorizam mais a atitude do que a complexidade de notas e acordes. Então, veio muito bem a calhar e até agora tenho ficado muito satisfeito com os resultados alcançados.
Você mencionou o punk, o rap e o eletrônico. Pode falar um pouco mais sobre suas referências?
Musicalmente, grupos como Kraftwerk me inspiram demais e toda cena underground do eletrônico. Pesquiso e leio muito sobre eles e em termos de letra todo o rap e cultura hip-hop. Grupos como Racionais, RZO, Sabotage, 509-e… música com letra visceral, que não dá volta, não floreia muito… foge também de uma complexidade forçada, de uma poesia excessivamente rebuscada. O visceral me pega mais e isso o punk tem também, né?!
Legal, e como você chegou até essa sonoridade vanguardista que você apresenta em “Nem Sei Rezar”?
Acho que isso tem a ver com um certo distanciamento que eu decidi tomar do estudo formal de música para começar a desbravar mais a produção musical. Durante a pandemia me dediquei a cursos de mixagem e produção musical e vi que minhas referências foram mudando com o tempo também… tudo isso contou muito.
Quanto ao processo de composição foi tudo em casa, sem grana, porque vivo de música e a pandemia piorou demais a situação pra todo mundo, né?! Isso me forçou a me virar sozinho, misturando baixo e guitarra com beats produzidos no computador. Mesmo os instrumentos não foram usados de forma tradicional, fora de gêneros mais conhecidos como blues, samba, jazz, etc. Usei apenas para criar clima em vez de fazer groove, funk, linha de baixo ou guitarra… foi pensando mais na música do que no instrumento. Tocar pela linguagem musical, não para me mostrar enquanto músico.
Para finalizar, quais os próximos passos do projeto Cavalo Doido?
Montar banda! (risos) Tem gente que gostou e já se ofereceu a participar do projeto. Tenho muita vontade de ter uma banda e rodar com esse som aí… levar o computador pra não perder o eletrônico, enfim, pensar soluções… em relação ao álbum vai ser um EP com mais 3 músicas que já estão prontas e vou finalizar com a ajuda de amigos próximos. Já, já sai o segundo single aí.
Para finalizar, penso também que o artista deve pretender deixar um legado enquanto alguém que produz arte reflexiva. Minha tentativa é resgatar o rock visceral, voltar às origens… galera quer por o rock pra disputar com o pop e sai perdendo… minha contribuição é reforçar um conceito visceral que me fez começar a escuta rock quando moleque, só que dessa vez de uma forma atual sem tentar ser um Led Zeppelin ou Metallica por mais maravilhosos que esses grupos consagrados possam ser.
E aí, curtiu as ideias e a trajetória de Vinícius Cavalo? Então, aproveite para assistir o clipe e acompanhar o trabalho do artista para não perder os próximos lançamentos que saem logo menos. Vou ficando por aqui, Oganautas. Câmbio, desligo!
-Vinícius Cavalo e o seu punk rap eletrônico em “Nem Sei Rezar” (Entrevista)
Por Gustavo Marques
Fotos por Wagner Corrêa
Gustavo Marques
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