A música sempre foi meu templo. Sempre vi cada nota como um sermão religioso, algo para me elevar e que acima de tudo me isola 100% de todas as questões problemáticas de meu dia-a-dia. Acho que as notas conseguem certos insights que nenhuma outra forma de arte almeja ou alcança. Acredito no seu caráter de cura e o mais importante: em toda sua potência reguladora de energia, sentimentos e influências.
Cada nota que sai precisa ser valorizada e é isso que poucas bandas conseguem vislumbrar. E hoje em dia esse fato pode decidir quem consegue sair do lugar comum e quem, com muita fibra e paixão, consegue criar uma arte que pode ganhar status de seita e fanatismo de estado islâmico, tornando-se assim o seu templo. E recentemente encontrei mais uma casa sagrada dentre a grande produção de arte brasileira. Com os paulistas da Bombay Groovy, o nirvana chega e ainda se mistura com nosso próprio DNA em prol da miscigenação musical.
Line Up:
Lucas Roxo (bateria)
Jimmy Pappon (órgão)
Danniel Costa (baixo)
Rodrigo Bourganos (sitar)
Track List:
”Confounded Bridge”
”Jakarta Samba”
”Gypsy Dancer”
”Fonte de Castalia”
”Le Bateau D’Orpheu”
”Lunar Toth”
”Tala Motown”
”Floating Magick”
”Aurora”
”The Sphere Song”
Forma a jam também nas cordas, mas vai além, tal qual a voz de Plant fazia no Led como um nato e brilhante fator à parte, provendo a liberdade de ir e vir como se o tempo fosse apenas um detalhe! Fazendo frente ao groove eloquentemente melódico e acima de tudo requintado pela baianidade cósmica de Danniel Costa, encerrando o karma no ponto cego da cama de Hammonds do inventivo e Zappiano Jimmy Pappon, a mente que oxigena toda essa viagem.
É como se ”Confounded Bridge” abrisse um portal dentro da jam e fizesse com que a música voltasse a ser o idioma universal. Fazendo com que ”Jakarta Samba” ou ”Gypsy Dancer”, encontrem um equilíbrio que até ano passado só era visto no meridiano de Greenwich, marco zero do ponto central da terra, o equilíbrio dos dois hemisférios, que em disco mostra a visão de 10 camadas libertárias da Bombay Groovy. É transcendental.
Troca de Talas & Ragas:
1) Dia após dia percebo que apesar da música Pop ter nos bridado com nome brilhantes (como o Steely Dan), parece que uma das suas principais contribuições para o todo foi simplificar as coisas. A cada dia que passa as músicas perdem em instrumentação e ganham em beats, copiam riffs e criam mais do mesmo… Como vocês, uma banda que vai exatamente contra tudo isso, enxergam o cenário no qual estão inseridos e esse processo de perda de qualidade?
2) A mistura sonora promove rupturas, a alimentação base que estimula novas ideias. Agora com um segundo disco que dialoga com vários estilos diferentes, vocês pensam em alguma abordagem mais específica ou a ideia é justamente não se limitar?
3) Hoje a cena instrumental caminha de uma forma muito interessante. Quem aprecia o som da Bombay, por exemplo, está acompanhando tudo que a banda conquista e creio que vocês notam isso, parece uma divisão de nichos sonoros. Qual a opinião de vocês em relação aos benefícios desses acontecimentos?
4) A música indiana também é conhecida pelo uso da percussão, vocês tem alguma inclinação para esse lado (até buscando uma experiência mais raiz junto com o sitar), ou acham que isso acabaria sendo um empecilho na hora de novas experimentações?
5) Eu particularmente estou bastante curioso para ouvir o segundo registro de vocês, logo, gostaria de saber se existe algo que possa ser adiantado sobre o processo, sua sonoridade e os objetivos em relação às novas composições.
6) Já tive a oportunidade de vê-los ao vivo e até pela energia do trabalho em estúdio é quase que imediato imaginar um live, vocês tem planos para isso? Como é o trabalho para deixar as coisas tão orgânicas e naturais, tanto em estúdio quanto ao vivo?
7) Para finalizar, gostaria de saber o que cada um anda ouvindo recentemente e se isso acabou influenciando o processo de gravação de alguma maneira. Obrigado pela atenção e boa sorte para o futuro!
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