Nesta matéria, Tom Siqueira traça o perfil da Diva Satanica, uma das vozes mais promissoras do death/thrash metal, que estará na Live do Oganpazan na próxima quarta-feira, dia 03 de março.
Março chegou, porém, Março Não Basta! É por isso que vamos abri-lo com o som mais vigoroso e alto possível, para que o faça reverberar por todo o ano. Por isso mesmo, no dia 03, estarei entrevistando uma grande força feminina, uma verdadeira diva, Rocío Vázquez, a Diva Satanica.
Resiliência. Não consigo pensar em outra palavra para o que deveríamos ser, incorporar, viver, em 2020. O artista teve que se reinventar, o ser humano teve que se conhecer novamente, e precisávamos fazer as coisas acontecerem, ainda que na quarentena.
Se alguém teve uma quarentena agitada, essa foi a Diva. Desde o anúncio da “troca da guarda” na Nervosa, seu nome e o nome da banda entraram para os assuntos mais comentados e debatidos no meio do metal e da música extrema em geral. Fazendo com que, junto com a potencialização por parte da logística do confinamento, acompanhássemos seus passos, como em um reality show.
E por falar em shows de realidade, a vocalista conhece um pouco do conceito, e de como lidar com essa super exposição. A Diva foi pioneira dentro do seu estilo vocal, no programa La Voz, versão espanhola do The Voice, a franchise global que promove a famosa competição entre “novos” talentos do canto.
A Diva Satanica causou imensa surpresa aos jurados e acabou trilhando uma caminhada muito interessante ao lado do cantor Juanes, líder do seu time, que sempre se mostrou encantando com suas performances. A cantora acabou se tornando um dos principais nomes, quando pensamos em música pesada em mídias como essa, ainda mais como mulher trabalhando com o vocal gutural.
No Bloodhunter, com o resultado do disco autointitulado, seguido de The End of Faith e Live in Madrid, a vocalista se firma como uma verdadeira promessa para dias de consolidação feminina dentro do metal extremo. Se antes, ficávamos abismados com as performances animalescas das icônicas Sabina Classen, Holy Moses, e Angela Gossow, Arch Enemy, hoje, acompanhamos um crescimento absurdo no número de frontwomen para grupos dentro da música pesada. E com certeza, falamos aqui de uma artista que não tem medo de se entregar, seja nas escolhas de direções vocais, seja em performances cheias de simbolismo e teatralidade. Sem dúvidas, entre os principais nomes da cena atual.

Ainda sobre Resiliência. Em 2020, o ano que o mundo parou, a Nervosa se desfez para renascer na forma de Perpetual Chaos, álbum que mostra a banda encontrando um nível de profissionalismo e solidez que ainda não tínhamos visto. Mérito da caminhada? Sim. Mas acima da energia e do peso que são inerentes a essa instituição, temos a chegada de integrantes que realmente entenderam o verdadeiro significado que a Nervosa tem para o seu público.
A Diva Satanica tinha duas missões muito importantes, migrar do melodic death metal para o som primal do thrash, e ainda se mostrar “nervosa” o suficiente para segurar todo o material que já estava sendo trabalhado na mente da guitarrista Prika Amaral. Isso tudo via video calls, redes sociais, e-mails, e ainda tendo que administrar as expectativas e incertezas naturais de se assumir a posição de front de uma banda que já tinha muito a dizer em sua bagagem.

Já rasguei elogios demais na última matéria, mas não custa nada reafirmar, a Diva é realmente impressionante. E, ao invés de focar nesses encargos já citados, sua decisão foi a do equilíbrio: se despir sim do gutural, sua técnica tão celebrada, mas não para se apequenar às nuances de um estilo “x”, mas abrir novos caminhos para ele, e para ela mesma, enquanto artista, compositora, e amante da conexão entre técnica e emoção.
Em Perpetual Chaos, a cantora realmente jogou a favor das canções, e procurou uma elasticidade nos matizes da sua voz, que revelam um animal diferente em cada uma delas. Ela incorporou personagens, deu vida a diversas energias, combinou muito bem ares do growl, scream, fry, influências do black metal, sempre com muita força no grave e no agudo. Ainda é importante frisar a veemência com que trata cada frase das letras, nos teletransportando para os traumas de cada uma das tramas, e nos trazendo o fogo necessário para os momentos que precisamos de combustível para superação.
O resultado está aí, e o ingresso da Diva Satanica na Nervosa é a consolidação de tudo que foi dito antes. Neste período, em que nos foi negado a oportunidade do toque, do contato, dos shows, a chama no seu trabalho encontrou esse novo caminho para chegar até nós. A Diva já se solidifica como uma das vocalistas mais impressionantes do metal no momento, e semana que vem, aguardamos vocês para abrir o mês das mulheres com todo o carisma e profissionalismo com que ela sempre nos brinda. Até lá!
Leia a matéria de Tom Serqueira sobre Perpetual Chaos, álbum de estreia da nova formação da Nervosa com a Diva Satanica nos vocais:
Nervosa se mostra revigorada em novo álbum
Ouça Perpetual Chaos:
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