Chick Corea teve uma vida longa e produtiva, brindando os amantes do jazz com obras primas que marcaram seu nome entre as lendas da música!
Comecei a ouvir jazz no início da adolescência. Tive contado com diferentes tipos de instrumentos musicais na banda da minha cidade, o que me levou a ter curiosidade sobre o mundo da música instrumental. Lembro-me de ter ficado interessado pela coleção Gigantes do Jazz do meu pai, por ver na capa os caras tocando aqueles mesmos instrumentos musicais que se aprendia e se tocava na Corporação Musical União 7 de Setembro.
Ouvi todos os LP´s, igualmente fascinado, porém, o que me tirou da realidade foi o vinil sobre o Miles Davis. Nele tinha a faixa Miles Runs The Woodoo Down, que abre o lado b do disco 2 do seminal Bitches Brew (1969). Fiquei desconcertado diante daquele som, ao mesmo tempo admirado e desconfortável! Porém, o que mais chamou atenção foi aquele som estranho, cujo timbre não conseguia identificar a qual instrumento pertencia.
Leia sobre o icônico Bitches Brew aqui no Oganpazan.
Foi meu pai quem me disse se tratar de um teclado, que o som era diferente por ser um instrumento eletrônico capaz de emitir timbres diferentes. Junto com essa informação veio outra, o nome do tecladista, Chick Corea. Fiquei com esse nome na cabeça durante anos até conseguir ter acesso a um cd do Chick Corea. Nesse ínterim minha imaginação viajou tentando conceber a imagem daquele cara e quais outras músicas e sons esse cara criava.
Eu mergulhara de cabeça no fusion, conduzido por Miles Davis e posteriormente por Chick Corea e o Return To Forever, que juntamente com a Weather Report deram prosseguimento aos experimentos elétricos que os componentes de ambos os grupos desenvolveram sob a batuta de Miles Davis.
Desculpe caro leitor, cara leitora, por esse relato pessoal, mas acabei julgando que esse texto deveria cumprir uma função que fosse além do relato da morte de uma lenda do jazz. De se tratar de um dos caras responsáveis por mudar a direção do jazz na segunda metade do século XX, desenvolver uma linguagem sonora, um estilo próprio, sofisticado, que serviu de base para tecladistas, arranjadores e compositores de jazz até aqui e que assim permanecerá enquanto houver humanidade.
Quis prestar uma homenagem a minha experiência com o Chick Corea através da relaçãoq que construí com sua música. Compartilhar com todes que lerem esse texto uma das vivências promovidas por Chick Corea com sua música.
Tenho certeza que milhares de outras poderiam substituir essa, porque aqueles e aquelas que se interessaram pela música em algum momento da vida encontraram a música de Corea e tem seus próprios relatos sobre esse encontro para compartilhar.
Assim como foi a despedida de Chick Corea, o compartilhamento de sua visão acerca da sua vida através da música, que lhe permitiu aprendizagens, experiências únicas, emoções e sensações intensas.
Na página oficial do músico no facebook, foi divulgada na quinta feira (11), seu falecimento em decorrência de uma forma rara de câncer. Junto com ela um texto de despedida direcionada aos fãs, amigos, músicos com quem tocou e família. Abaixo a tradução da mensagem:
“Quero agradecer a todos que ao longo de minha jornada ajudaram a manter as chamas da música queimando forte. Tenho a esperança de que aqueles que têm uma inclinação para tocar, escrever, se apresentar ou algo do tipo o façam. Se não por vocês mesmos, pelo resto de nós. Não é apenas que o mundo precisa de mais artistas, mas também porque é muito divertido.”
“E para todos os meus amigos músicos maravilhosos que foram como uma família para mim desde que os conheço: Foi uma bênção e uma honra aprender com e ao tocar com todos vocês. Minha missão sempre foi a de trazer a alegria da criação a qualquer lugar que eu pudesse, e fazê-lo com todos os artistas que eu tanto admiro — esta foi a riqueza da minha vida.” (Tradução retirada desta matéria)
A mensagem original pode ser lida aqui, na página do músico no facebook.
Abaixo a banda de Miles Davis que gravara o Bitches Brew tocando Miles Runs The Voodoo Down em um concerto feito em Copenhague em 1969. Nela vemos um jovem Chick Corea ao teclado, com todo um mundo de sonoridades a ser explorado.
Carlim
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