Ilessi, Bixarte, Afari e Siamese e a censura dos corpos dissidentes! Conheça já, vamos seguir visibilizando expressões artísticas anti-padrões
Sob regimes fascistas como o que estamos vivenciando atualmente em nosso país, a sanha pela “normalização” das expressões estéticas é uma constante. Boa parte do entendimento – se é que podemos chamar assim – do outro, ocorre através da negação da alteridade e consequentemente pela eliminação das diferenças. O longo processo histórico de luta das minorias em nosso país hoje encontra talvez seu maior obstacúlos e desafio, vivendo dentro de um regime que pretende instaurar uma teocracia miliciana de cunho machista, racista e homofóbico como projeto de poder. Por isso é fundamental que estejamos – crítica e público – cada vez mais atentos às expressões estético e discursivas oriundas de movimentos dissidentes. Daqueles corpos que não cessaram de ser negados, mas que ainda assim resistem nos apresentando a beleza e a força plasmada em obras.
Nossa história racista, patriarcal e homofóbica estrutura em nosso país o senso comum que pretende ditar quais os corpos e quais os discursos merecem ou não visibilidade, quais as expressões são dignas do público, e o que é normal ou não. Diga-se de passagem que não é necessário transcender o espectro estético para entendermos que esses corpos mesmos, seguem correndo risco de vida, dado o sistema e a estrutura que nos cerca. Esses padrões históricamente construídos sob o recalque, castração e o supremacismo branco buscam constantemente a “invisibilização” de corpos negros, femininos e LGBTQI+, política que vem sendo constestada por uma parcela necessária e importante da produção musical e estética contemporânea.
Não àtoa parte da estratégia do atual governo é uma busca e um ataque sistemático às produções culturais, artísticas e às universidades públicas do país. Para o atual desgoverno, lugares onde há possibilidades e onde mesmo que de modo tímido exista alguma resistência às narrativas fascistóides e revisionistas, quando não delirantes da realidade, onde a busca para compreender, acolher, produzir conhecimento de modo democrático, são o alvo principal do atual governo fascista. Da mesma sorte, as expressões artísticas que são de extrema importância para educar a sensibilidade de uma sociedade maculada por tantas chagas preconceituosas, são também alvo do ataque dos fascistas.
Não é por menos que recebemos através da coluna da Mônica Bergamo a notícia da censura do Canal Bis, canal fechado da Rede Globo, ao videoclipe da cantora carioca Ilessi. Produção audiovisual que acompanha a cançãol a colocar na roda uma crítica severa a esquerda branca e racista, e aos “fachos” que assassinaram a Marielle Franco.
Da mesma sorte, o corre independente de artistas talentosissimas como Bixarte e Siamese no fronte LGBTQI+ são por diversos motivos invisibilizados pelos meios de comunicação e difusores de conteúdos. Por último, mas não menos importante temos aqui a impactante rapper capixaba Afari (instagram: @Afari), que destrava toda sua poesia combativa, contra o atual governo.
Deveria já nos ser óbvio que o momento confuso que vivemos entre os movimentos sociais e a esquerda brasileira, é o apelo epocal necessário para o fortalecimento dessa onda fascista que atravessa o mundo e o nosso país. De modo, que é cada vez mais necessário aproximar-mos pautas, reconhecermos transversalidades, entedermos quem são os aliados, mesmo no ápice da tensão, mas sobre tudo entendermos de uma vez por todas a necessidade de criarmos uma pauta comum.
Para além dos jogos de uma democracia burguesa, nos é imperativo uma movimentação democraticamente mais ampla, em nossa própria faculdade de julgar. É essencial hoje como nunca na história desse país uma educação das sensibilidades que esteja no rumo de entender expressões divergentes dos padrões consolidados. Cada vez menos preconceituosa nos diversos campos com corpos, credos, sexos, generos, transgêneros, posições socials. E nisso a arte pode e é o elemento mais necessário.
Como sociedade nenhum imperativo real de dignidade humana nos conduziu até aqui, desde as nossas estruturas mais profundas, todas as formas que emergem de nossa história e que vieram agora a tona em nossa contexto social e político atual, já nos são largamente familiares. Fomos criados assim, nos desenvolvemos dentro desse escopo de crueldade, sofrimento e exclusão e tivemos por muitos poucos e breves momentos de nossa história, algum respiro. Não nos deveria ser um fato novo, a essa altura da matança e da exclusão de milhões, que a nossa constituição seja apenas um marco histórico nunca plenamente respeitado. Pois, tudo que ali existe de humano, de defesa e garantia dos nossos direitos nunca foi nem de perto respeitado, para além dos breves e constantes espetáculos institucionais. Agora que estamos caminhando abertamente para a censura, a opressão declarada e a aniquilação, resta-nos a luta pela defesa desse minimo que até aqui tivemos. Que estejamos conscios de que sem essa luta, estamos todos condenados a viver num estado que decreta a morte das diferenças. Sejam elas quais forem, mas que já temos vistos quais os alvos principais.
Enquanto nossas instituições democráticas não retomam o seu sentido originário previsto na constituição de 88, é essencial que mantenhamos um vínculo mínimo de civilidade, e sobretudo de reconhecimento cada vez maior de qual projeto de civilização estamos lutando.
Entedemos aqui no Oganpazan, democracia como uma construção cada vez maior de horizontes de oportunidade e liberdade. Isonomia e equidade, são básicos para qualquer sociedade que se pretende minimamente saúdavel e normal. Entedemos aqui normalidade como uma sociedade que privilegia a felicidade e a liberdade de todos, aquilo que chamaram outrora de bem comum.
Pois bem, apresentamos aqui ao longo do texto quatro artistas que precisam ser conhecidas, que necessitam fazer parte desse projeto de educar as sensibilidades de nosso povo. Resta a você, caro leitor, a missão de disseminar a arte e o pensamento e acompanhar quem realmente vive a dissidência.
-Ilessi, Bixarte, Afari e Siamese e a Censura dos Corpos!
Por Danilo Cruz
Danilo
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