Maria Pérola expressa em suaves melodias vocais as sutilizas imanentes à sua peculiar sensibilidade de compositora.
A MPB é um celeiro de brasilidades nata. Ela emprega características que remetem à riqueza do vocabulário tipicamente nacional, fazendo conexões que engrandecem a força da nossa dialética, o peso histórico da nossa luta e os rumos incertos do nosso futuro.
Olhando para a cena contemporânea, o Brasil está passando por um pico criativo, pensando principalmente no cenário da produção independente. É um momento bastante propício e que está revelando grandes intérpretes, capazes não só de conseguir promover uma leitura cuidadosa sobre o contexto caótico de nosso país, mas que se posicionam e que prezam por uma leitura lúcida da realidade.
São mulheres como Xênia França, Luedji Luna, Josyara e tantas outras que além de colocar o “Nordeste no topo dos festivais” – como diz o rapper Rapdura Chique-Xico – dá espaço para que a maioria não seja tratada como minoria. É a relevância do Nordeste (meu pais) misturada com a sensibilidade que vai do mainstream ao underground, cuidadosamente revelando nomes que mais do que o puro hype, procuram espaço para crescer e amadurecer seu eu lírico artístico.
É uma batalha por mostrar sua própria voz. Uma luta diária que faz parte do corre independente e que motiva vozes como a de Maria Pérola, compositora pernambucana que reside em São Paulo. Dona de uma grande sensibilidade, a habilidosa cantora mostra muito quando senta em seu banquinho e pega a viola para dar voz à sua resistência.
Como parte da programação de shows do Centro Cultural FIESP, a cantora trouxe um repertório rico de referências e que passeou de maneira sublime por seu próprio repertório autoral, além de prestar belas homenagens frente aos grandes compositores brasileiros. Com uma liberdade poética capaz de colocar o Criolo e o Belchior no mesmo contexto, Maria Pérola fez duas entradas com seu trio, formado por Manuela Vincenzi (baixo) e Caroline Lucena (percussão).
Promovendo um show que foi cuidadosamente arranjado para o final de semana do dia 02 de fevereiro, Maria Pérola comandou um set muito gracioso. Contando com o quê Jazzístico da jovem porém talentosa Manuela Vincenzi, além do versátil preenchimento rítmico de Caroline Lucena, o set foi bastante leve, muito cuidadoso e extremamente orgânico.
Nota-se um cuidado muito grande, tanto da compositora – pensando em expressão de fato – como de sua banda, que estava em plena sintonia, num show que preza por engrandecer os sotaques do Brasil. Com uma entrada às 13:00 e outras às 16:00, o trio conseguiu calorosas palmas dos transeuntes que ocupavam a região da Avenida Paulista. Vale lembrar que a FIESP está com uma programação musical em seu Café e que todos os shows são de graça, basta acompanhar a programação, entrar e sentar-se comportavelmente à espera do som.
Esse set foi uma grata surpresa. Mostrou mais uma voz que definitivamente vale a pena acompanhar. Mais do que isso, ainda deu espaço para que outras duas instrumentistas da cena pudessem mostrar o seu trabalho… O set funcionou tão bem que é provável que esse trio volte a fazer shows juntos. Foi nítido como as 3 senhoritas estavam confortáveis sob esse contexto e quem tem a ganhar com isso é a música e os nossos ouvidos que se acalmam frente ao acalanto que motiva a arte, oxigena a música e alimenta a alma.
Escutem “Café”, uma das composições autorais de Maria Pérola. Vocês não vão se arrepender.
https://open.spotify.com/track/7mx2zERBJ6ZIK4GWX9rG6d?si=axeA1E6gTwa9IH-GAKkLaw
Matérias Relacionadas
Assine a nossa Newsletter
*Conteúdo exclusivo direto no seu e-mail
No ar!
Oddish “Castro” solta single e EP como um prólogo para o “ÉPICO da SUJEIRA”
Um dos grandes nomes do Rap baiano, Oddish “Castro” lançou o single “Gargantilha” e o EP “Pernambués” com produção do El Piva. O mês de abril tem marcado o retorno do MC Oddish “Castro” ao cenário do Rap baiano, com lançamentos que preparam o seu…
Pós-Salvando “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, resposta ao seu áudio Mattenie!
Saiu hoje o segundo disco da dupla Matéria Prima & Goribeatzz: “Fazendo o Melhor Que Eu Posso”, contando com 13 tracks pelo boombap e o house! Disco novo da dupla Matéria Prima & Goribeatzz, com baixos estratégicos do Cizco, DJ Novset riscando, Cravinhos em guitarras…
Samba Bedetti
Felipe Bedetti já lançou seu terceiro álbum, mas aqui vamos falar do single “Samba Gerais”, uma música que indica novas aspirações do jovem compositor mineiro. A essa altura do campeonato, o novo álbum do cantor e compositor mineiro Felipe Bedetti já está batendo em tudo…
Os Passarinhos carcomidos do Orelha Seca
Orelha Seca, banda soteropolitana cheia de ódio desse mundo fabricado antes da gente nascer e onde a gente só se fode lança o Ep “Corvos, Abutres e Pardais”, que é pra você ter certeza que estão te fudendo, e não é de um jeito gostoso. …
Zadorica e a sua “Sina”: “o Rap ninguém me apresentou, ele aconteceu” – Entrevista
Entrevistamos a Zadorica, MC e produtora que acaba de lançar o seu disco de estreia: “Sina”, para você saber melhor sua caminhada e ideias! A agência entre formação pessoal e desenvolvimento artístico não opera por causalidades, a todo um trabalho de “reflexão” – flexionar para…
Tigran Hamasyan: folclore, erudição e improviso – o escape para encontrar a liberdade musical
Tigran Hamasyan é um pianista armênio, que conseguiu atenção mundial quando sua interessantíssima visão sobre música folclórica, clássica e improvisação começou a receber atenção do público e das grandes gravadoras. Sempre registrando projetos por selos proeminentes, principalmente do mercado europeu e norte-americano (como Nonesuch Records…
A revolução que vem de Rondônia,o MC kami lauan é o “tTrazedor de Notícia Ruim”
Com dois discos lançados em 2025, o rondoniense kami lauan chega com “tTrazedor de Notícia Ruim”, um disco fora da curva! kami lauan e o seu disco “tTrazedor de Notícia Ruim” é um acontecimento para o rap nacional em 2025. Se você acompanha de fato…
“Tertúlia” de Galf AC & DJ EB, lírico e rítmico, a música e a poesia Rap – Entrevista!
Com muitas participações, Tertúlia de Galf AC & DJ EB é um disco raiz do rap nacional com uma roupagem atual e consistente! Um dos grandes discos do ano até aqui, “Tertúlia” contém 11 músicas e diversas participações de nomes como Rodrigo Ogi, Ravi Lobo,…
