O quinto álbum da inclassificável TOOL, Fear Inoculum, não empolga, porém não decepciona… será?
A TOOL é uma banda que impressiona devido ao domínio técnico absurdo de seus integrantes sobre seus instrumentos. É assim desde seu primeiro álbum lançado há 26 anos, Undertown (1993).
Contudo, Fear Inoculum nada tem a ver com a fase inicial da banda, delimitada por seus dois primeiros álbuns. Consiste numa viagem de 80 minutos através de sete faixas, compostas por variações sonoras abstratas e articulações melódicas sem nenhuma visceralidade. As músicas são peças frias, não passando de demonstrações da capacidade da banda de fazer bom uso das técnicas musicais que dominam com excelência.
A banda estava há 13 anos sem lançar algo novo, o que não é nenhuma surpresa, visto que faz parte da prática da banda lançar seus novos trabalhos após grandes intervalos de tempo. Pra maioria dos ouvidos, álbuns como Fear Inoculum, são massantes devido os malabarismos e excessos experimentalistas que marcam sua identidade. Porém, há quem encare esse tipo de som com outros ouvidos, isso porque trata de uma guinada na sonoridade da banda. Podemos colocá-lo numa perspectiva de buscar por novas formas, encontrar um novo conceito sonoro. Pra dar aquele voto de confiança pra banda, que pelos trampos até Lateralus (2001), é mais que merecido.
Falando em Lateralus, podemos notar a repetição de algumas estruturas sonoras deste álbum em Fear Inoculum, com certa expansão de conceitos mais alternativos trabalhados pela banda em 10,000 Days (2006). Ao meu ver a banda erra bastante na mistura dessas proporções sonoras extraídas de trabalhos anteriores e acaba por trazer ao mundo uma obra que não passa de um amontoado de complexidades desprovidas de propósito.
Fear Inoculum se apresenta como uma obra de densidade fake, colocando-nos diante de uma complexidade gratuita, que não chamamos de confusão em respeito ao conjunto da obra da banda. Nesse sentido, os fans incondicionais da Tool estarão ocupados durante os próximos 13 anos em tentar organizar essas 7 peças que formam Fear Inoculum de modo a dar-lhes algum sentido.
E aí talvez resida minha incompreensão deste álbum da Tool. Talvez seja necessário ouvi-lo mais atentamente, esperar o tempo da digestão fazer todo seu ciclo. Não atingi a plenitude espiritual para ter esse tempo de espera, até porque se tivesse atingido teria sido por acaso, já que não a busco. Então, resta-me esperar que alguém apresente uma crítica positiva sobre essa obra e mostre sua grandiosidade, para mim ela é no máximo um café requentado, você bebe se não tiver café passado na hora, mas faz careta ao final de cada gole.
Carlim
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