Hip Hop em Quadrinhos, a relação da cultura com a nona arte tem se mostrado bastante frutifera e é hora de você conhecer algumas publicações
Passando pra dizer que a nona arte também é Hip Hop, artistas como: Ed Piskor, Ferréz, Alexandre de De Maio, a dupla alemã Julian Voloj e Claudia Ahlering e outros tantos, estão aí pra legitimar essa afirmativa.
Não é difícil estabelecer uma linha entre a cultura Hip Hop e os quadrinhos. Ainda nos idos dos anos 80, no Bronx, o jovem Eric Orr acentou essa ideia quando publicou o seu magazine “Rappin Max Robot”, o que viria ser umas das primeiras manifestações da arte dos quadrinhos direcionada ao público que prestigiava as tradicionais batalhas de Rap.
Aqui no Brasil o rapper Emicida é um dos que transita por esses dois universos, que pela ótica do artista, acaba sendo um só, ou melhor, a nona arte também é um elemento intrínseco a cultura Hip Hop.
A relação do Emicida com os quadrinhos iniciou-se e estabeleceu-se de maneira consolidada na adolescência do artista, quando o ainda garoto Leandro teve seus primeiros contatos com os quadros mágicos reproduzidos nas páginas dos gibis, quase que ao mesmo tempo em que teve com o rap! Não por coincidência, ambas as linguagens tenham tamanha significância em sua vida e arte!
Não é de agora também que artistas do rap flertam com essas reverências “quadrinísticas” e estão sempre trazendo recortes desse universo pra dentro de suas produções. Nomes já consagrados da cena nacional como Drik Barbosa, o já citado Emicida, Rodrigo Ogi, Black Alien são apenas alguns desses atores que trazem referências desses elementos a suas linhas
Com a popularização e expansão das redes socais, essas duas linguagens passaram a interagir ainda mais, onde pudemos ver trabalhos brilhantes como o premiado Hip Hop Genealogia, do desenhista americano Ed Piskor (com prefácio do rapper Emicida na versão brasileira/Editora Veneta), a essencial arte biografia de Yellow Benji e do seu Guetto Brother, aqui numa época em que podemos classificar cronologicamente de um período “pré-Hip Hop” (Editora Veneta).
Em terras brasilis, podemos citar a dobradinha dos vanguardistas Alexandre de Maio e o escritor Ferréz, com uma linguagem real de quem conhece o código e o proceder das ruas, nos trazem as já clássicas: Os Inimigos Não Mandam Flores (Media Pixel) e sua fantástica continuação (Anadarco Editora), considerada já um clássico no segmento. Antes, ainda em 1999, o artista Alexandre de Maio, um dos pioneiros no Brasil na fusão dessas artes, já mandava seus traços em sua coluna de HQ: Páginas das Ruas, nas primeiras edições da extinta revista Rap Brasil.
E já que estamos falando em quadrinhos, uma outra obra que vale demais a citação é o projeto simbiótico chamado de “Rap Nacional em Quadrinhos”, idealizada pelo YouTuber Gil Load e seu parceiro e ilustrador Wagner Loud, trazendo pro universo dos quadrinhos varias referências do rap nacional, num amálgama sensacional!
A cultura Hip Hop não é algo imutável e inalterado, não é um totem a ser reverenciado como um “elemento estático”, ainda que mantenha os seus elementos primários perpetuados desde que foram concebidos.
A cultura permanece em constante processo evolutivo, motivo pelo qual, ainda que tenha sido criada a mais de 40 anos, permanece tão relevante e fundamental, sobretudo, como símbolo de transformação, resistência e percepção da realidade. O Hip Hop foi, é e continuará sendo foda, onde quer que ele se meta…
Deixamos aqui uma trilha sonora para leituras:
– Hip Hop em Quadrinhos, uma relação deliciosa!
Por Paulo Brasil
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