reedom Soul fecha o ano e aponta o futuro do rap BA, com muita música, uma produção caprichada e a nata do rap baiano no palco bagaçando!!!
A Freedom Soul é uma produtora que atua no cenário do rap baiano há muitos anos, sempre buscando o fortalecimento profissional da música rap e da cultura hip hop, sem nunca esquecer o 5 elemento, a produção de conhecimento. Tendo começado como um estúdio, rapidamente os caras sacaram que o nós por nós precisava elaborar outros tentáculos e passaram a produzir eventos, assim como a atuar em escolas.
Nesse ano de 2018 a produtora Freedom Soul passou a atuar um pouco mais pesado, e em duas frentes diversas e complementares. A fundação do centro cultural Freedom Soul na Massaranduba, CBX (cidade baixa de Salvador), se configura agora como uma espécie de escolinha, onde novos grupos são observados e oportunizados, ao mesmo tempo em que diversas acções de formação ocorrem.
Prova disso foi que, nessa última festa realizada 10 anos depois da primeira vez da produtora no Pelourinho, os grupos 50 Batidas de Rap e Black Spot, foram peneirados na CBX e puderam se apresentar junto ao outro grande articulador Dj Leandro Vitrola. Participou também do apresentação do Dj Leandro, o rapper Vinny Gang.
Como Mr. Armeng nos confidenciou em entrevista, ele e DJ Leandro Vitrola, estão nesse sentido buscando profissionalizar a favela, produzindo conhecimento dentro do campo de barro (Centro Cultural Freedom Soul) para compor um time atuar no campo de grama (Pelourinho). Promovendo um dialogo necessário entre cidade alta e cidade baixa, ao mesmo tempo, em que formam um equipe da produção aos palcos de reais agentes da cultura hip hop soteropolitana.
Se nos últimos anos cresceu o numero de produtores boys que dominaram a cena local, a resposta da Freedom Soul é formar um time capaz de profissionalizar a cadeia produtiva em diversas esferas. Unindo-se assim a outras excelentes iniciativas como o Baile da Under, a Classudo RapJazz, o Rap Conecta e o Lama.
Local central da cidade de Salvador e onde as raízes do rap e do hip hop soteropolitano se firmaram de modo mais marcante na cidade, o Pelourinho viu no último dia 23 uma festa que encerrou o ano, mas ao mesmo tempo apontou o futuro para a cena local. Obviamente que aqui fazemos um recorte de quem lá estava, como uma espécie de amostragem da qualidade do todo da produção.
Como bem disse também Armeng: “Um pode até passar, mas será facilmente abatido”, sendo assim foi interessante notar a diversidade de artistas que a noite apresentou, desde de iniciantes até os verdadeiros pilares da música rap da Bahia. De algum modo, as palavras de Armeng e as iniciativas de comunhão e formação por parte de Dj Leandro Vitrola, se materializaram no palco da noite de domingo, pré véspera de Natal.
Ao mesmo tempo que a velha guarda se fazia presente para apreciar os shows, os novinhos e novinhas que nos arregaça no bate cabeça, também estavam presentes com toda a sua energia. Algo que se refletiu no Palco, onde podemos ver novos destaques da cena como Momo Shock, Vírus e BB (Lápide Rec.) que participaram do show do Nova Era, e os shows de abertura de Faustino e Mana Bella.
A promissora Mana Bella mostrou uma segurança muito grande com o mic na mão, com um discurso contundente e boa técnica, segurando a atenção da platéia enquanto o sol se punha. Já Faustino, que vem aos poucos e com passos acertdos fazendo seu nome dentro e fora da cidade, apresentou as faixas do seu disco Vibes Vol.1 (2018), com o auxilio de Yan Cloud no peso.
Em seguida tivemos a sempre intensa oportunidade de ver o show de DaGanja, o rapper que é um dos pilares da nossa música. Com o domínio de palco, conquistado por anos de carreira, ele desfilou os hits das ruas, presentes no seu último disco Bonde 36 (2017), além de outros tantos clássicos de sua longeva e importante carreira.
Saindo finalmente dos bastidores onde já tinha trabalhado pra caralho, Mr. Armeng apresentou um show impactante, também utilizando a experiência para suavizar o cansaço e mandar um som que mescla os nossos ritmos com as batidas do rap, utilizando percussão no palco, junto ao grande Dj Leandro. O show do Mr. Armeng contou também com a participação do trapstar Zidane. De algum modo, as palavras presentes na entrevista que fiz com esse mano, é o condutor desse texto.
Hoje certamente está fora da moda falar em união dentro de quaisquer perspectivas que se queira, é um valor em desuso, falar em solidariedade também. E durante a sua entrevista Mr. Armeng, foi bastante enfático em utilizar analogias do futebol pra falar do seu projeto.
Ele que junto ao Dj Leandro tem feito da Freedom Soul uma espécie de clube esportivo, como acima já ventilamos. A certa altura da entrevista com uma lucidez incrível, Mr Armeng utilizou a metafóra do time, pra explicar algo que deveria ser nítido pra quem trabalha em música. Não há a possibilidade de termos 11 atacantes dentro de um time de futebol, o que podemos ter é um time, com destaques individuais, mas sobretudo com o fortalecimento coletivo. Ponto pro técnico e pensador Mr. Armeng.
Sendo assim, já chegando ao final das apresentação subiu ao palco o Nova Era, Dj Kbeça, Moreno e Ravi, trio que é ponta de lança da cena baiana, com incursões de sucesso em São Paulo e em outros estados. Terror e verdade, os caras sacudiram os presentes como sempre, com sucessos como Salvador Tá Escaldado, Na Madruga e outros que são cantados em coro.
O Nova Era que em 2019 vem com disco novo, o aguardado Renovação (2019), disco que já tivemos o prazer de escutar algumas faixas, e que sem sombra de dúvidas podemos afirmar ser o melhor da carreira dos caras até então. Seja pela diversidade dos temas abordados, pela saída da zona de conforto rimando em outras batidas, e mesmo pelas participações e pela produção. Aguardem.
Finalizando a noite o camisa nove do rap Ba, Vandal que como sempre faz o bate cabeça alcançar o auge da noite. Aquele momento em que nós retiramos as últimas energias pra conseguir acompanhar a galera mais nova. Vandal, acompanhado de sua Dj Bruxa Braba, fazem hoje sem sombre de dúvidas um dos melhores shows de rap do Brasil, de tudo que já vimos aqui na cidade ou mesmo pela internet.
Em 2019, Vandal já anunciou em suas redes sociais, vem o seu primeiro disco super aguardado: VANGUARDAH (2019), para reafirmar algo que a cena baiana já sabe: ele é merecidamente um dos nomes mais importantes do rap brasileiro atual. Mas como não gourmetiza seu discurso, porque insiste em se afirmar como vida crua, não se faz muito palatável para o gosto classe média/suavizado que tomou conta de parte da cena e do público no Brasil.
Em seu show, Vandal oportunizou a participação de uma figura que pela força de sua apresentação, sem som lançado na pista ainda, vai chegar com os dois pés na porta em 2019. Cronista do Morro, é uma mulher preta daquelas que quando empunham um microfone, assustam. Pela qualidade, pela desenvoltura, pela assertividade, e pela força que carrega em sua arte.
Durante seu show, antes e após a apresentação da Cronista do Morro, Vandal fez algumas colocações que coincidem bastante com as falas de Armeng. O grande Fernando Baggi, da Du.Solto filmes, baiano radicado em Pernambuco, aqui de passagem registrou na integra esse show e o discurso.
Discurso que resumidamente dizia algo bastante simples e importante: “não tem nordeste no topo e não tem preto no topo, são os brancos que controlam o game e o game é pago.”
Assistam abaixo o show na integra:
Danilo
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