Mr. Catra um artista plural, e pouco conhecido pelas diversas vertentes musicais nas quais passou, com uma qualidade grande como no funk!!!!
O Funk é uma religião que salva muitas vidas, um milagre, dá integridade pra várias pessoas. Não existe fama, sucesso para o funkeiro. Para o funkeiro existe o trabalho. O funk é um movimento de resgate, é a cola da cidade partida. Favela não é só crime, favela também é arte. Estas são palavras de Wagner Domingues Costa, aka Mr. Catra, grande porta voz da música da favelas, o funk carioca.
O que se pretende discorrer nesta matéria não é uma biografia do artista que hoje
completa um mês de sua partida neste plano e sim abordar a pluraridade cultural de seu talento. Para homenagear esse grande artista, fizemos um apanhado de canções e projetos completamente diferentes em que Catra esteve participando desde quando iniciou sua carreira discográfica com o disco Bonde do Justo (1994) até os tempos atuais.
O polêmico artista falou sobre crime, favela, sexo, política, religião e passeou do pós punk ao samba, do rap ao metal. Vamos lá então camaradas, simbora começar nossa jornada no universo musical ouvindo um clássico de seu primeiro disco, a música O retorno é Jedi, que se tornou hino nos bailes funks cariocas:
O RETORNO É DE JEDI
O Miami Bass era a sensação dos anos 90 nas equipes de som que embalavam os subúrbios do Rio de Janeiro e a mensagem de Catra era equivalente aos versos de Bezerra da Silva ao abordar temas como caguetagem na favela. Ouçam O Vacilão, um papo reto em forma de gênero que era intitulado para a batida que embala este rap:
Vacilão
Traçamos aqui um paralelo na sua capacidade de interpretação, onde ele em parceria com a banda Os Templários no ano de 2015, deram uma nova roupagem a mesma canção que mencionamos acima:
O RETORNO É DE JEDI – OS TEMPLÁRIOS – 2015
A religião também foi tema em suas letras como consta em seu segundo disco O Esconderijo Do Altíssimo, de 1996. Nesta década, o Rio de Janeiro já era palco de grandes nomes do Hip Hop como Gabriel o Pensador, Mv Bill, Black Alien $ Speed e bandas como Planet Hemp, Funk Fuckers, Poindexter. A frente do tempo, Catra foi influenciado também por Public Enemy em ritmo, poesia e política. Ouçam O Altíssimo, rap de influência gospel cheio de balanço e boas melodias:
ESCONDERIJO DO ALTÍSSIMO – RAP GOSPEL
E já que o assunto no momento é o rap, segue aqui um hino entoado por uma geração, intitulado: Cadê o Isqueiro, interpretado em cima da base de The Next Episode, de nada mais, nada menos que Snoop Dogg and Dr. Dre:
Cadê o Isqueiro
E eis que mais uma vez, em 2002 a música recebeu um novo arranjo ao lado da consagrada banda Raimundos no disco Kavookavala:
Raimundos e Mr Catra – Pegamutukalá (Cadê o isqueiro)
https://www.youtube.com/watch?v=XcY1ZDQwldU
E por falar em ganja, eis aqui Catra ao lado de um dos baluartes da luta em defesa
da legalização da erva no país, Marcelo D2:
MARCELO D2 – GUETO
O grande Mr. Catra dialogou também com a nova geração do rap carioca, como no caso do grupo Cone Crew, em que trabalhou em Só pra começar:
Cone Crew e Mr. Catra
Catra dizia que o funk o encontrou através de Cidinho e Doca, dupla mais do que fundamental para a formação política e cultural do gênero que ganhou o mundo. Sem dúvida a música que definiu Catra como um nome importante foi o peso de O Simpático, gravado inclusive por grupos de pagode como Revelação. Pegue essa visão e pare de formar caô!
Simpático
O poder de suas músicas obteve prestígio entre os bambas do samba e aqui podemos citar Arlindo Cruz, mestre do partido alto e de inúmeros sambas de sucesso gravados no país afora:
Ela sambou, Eu Dancei – Arlindo Cruz
A caminhada e o respeito pelo trabalho do Mr. Catra no samba pode ser observado pela sua participação no programa comandado por Diogo Nogueira, o Samba na Gamboa. O artista lá cantou e obviamente gostaríamos de trazer o link aqui na integra, mas o vídeo foi removido do youtube. No especial em questão, Catra canta músicas de seu primeiro disco de samba lançado em 2012 chamado Com Todo Respeito Ao Samba.
Para você que ainda não ouviu, nós do Oganpazan elegemos uma música preferida para este disco, a canção Swing 021:
Swing 021 – SAMBA
No swing desse pagode, Catra foi convidado para participar com sua irreverência ao lado de Alexandre Pires e o jogador Neymar no pagodinho Kong:
KONG – ALEXANDRE PIRES E NEYMAR
Saindo do samba, atravessamos o oceano e desembarcamos na pequena ilha chamada Jamaica onde o Digital Dubs, expoente número 1 do soundsystem carioca produziu estes dois sons graves no instrumental e na voz potente do Catra:
Fala que é nóis – Digital Dubs
Lucro – Digital Dubs
Catra sempre teve o estigma de frequentador de puteiros, amante da boemia e estas referências não se encontram apenas no tempo de hoje em nossa música, vide Wilson Simonal e Carlos Imperial com suas pilantragens. Além de ter 32 filhos, o artista produziu paródias que se tornaram melhores até do que suas versões originais como é o caso de Adultério, versão feita para Tédio (1982) da banda Biquini Cavadão:
ADULTÉRIO
A imagem do funk promíscuo tem sujado o nome do gênero musical na boca das pessoas que não compreendem a linguagem popular em nossa sociedade, em que fala abertamente sobre sexo de modo não hipócrita, e sem falsos moralismos. Um documentário exemplar é o Sou Feia Mas Tô Na Moda, em que mulheres Mc’s falam de sua experiência com o funk e Catra aparece dando total apoio às mulheres, em suas expressôes sobre sexo, afrontando o machismo e o preconceito que são postos diariamente, contra elas:
Documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda
Recentemente, no ano de 2016, Catra estava com um programa chamado Bagulho Louco em que recebia convidados da música brasileira e um dos episódios, recebeu Caetano Veloso onde os dois interpretaram Vaca Profana numa versão pra lá de boa:
Vaca Profana – Caetano
E para encerrar nosso pequeno dossiê musical acerca da versatilidade do grande Mr. Catra, segue aqui o link do documentário 90 dias com Catra produzido em 2010, onde mostra o cotidiano da vida do Mc, pai de família e acima de tudo um cara de muitas palavras e sagacidade na vida.
90 dias com Catra
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