André Sampaio Alagbe (2017), um lançamento fantástico que anuncia o segundo disco do artista e nos direciona para novos caminhos em sua arte

Quando você se cerca de pessoas especiais a tendência é que outras pessoas extraordinárias se aprocheguem. E foi com a inserção do poeta Nelson Maca em nossa rede no facebook, nome de vulto da arte brasileira, que tomei contato com a arte de André Sampaio. Músico, cantor e compositor que me assaltou logo, com a excelência e com o ineditismo de sua proposta musical. E não é exagero nosso, primeiro porque é uma das figuras de proa a produzir uma música calcada no afrobeat no Brasil. Depois por ser um dos primeiros a cantar sobre esse viés em nossas terras, onde os outros excelentes trabalhos são majoritariamente instrumentais.
E por último, mas não menos importante, por produzir experimentações, clivagens entre o afrobeat e ritmos da cultura negra brasileira, além de buscar outras expressões da diversa música africana. Prova disso é o seu disco de estreia, o enorme Desaguou (2013), e enorme aqui também não é outro exagero nosso. Além de sua duração de atuais e incríveis 1:20hs, o disco é uma mistura maravilhosa de artistas e ritmos tão diferentes quanto complementares. Trazendo a sonoridade fortemente nigeriana do afrobeat, mas também cruzando com informações fruto da viagem de pesquisa que o artista empreendeu pelo Mali, Burkina-Faso e Moçambique em 2012. Além de muita música afro-brasileira, samba, coco, tem também música jamaicana: dub, num disco plural e maravilhoso em sua proposta. Trazendo ainda participações pesadíssimas como: B.Negão, Buguinha Dub, Karla da Silva, Vieux Farká Touré, Manjul Souletie, Sekou Diarra, Assaba Drame e Fatim Kouyaté. E foi nesses cruzamentos entre África e Brasil, que a guitarra mandinga de André Sampaio produziu junto ao seu canto e composições um disco de algum modo fundador de outras possibilidades dentro da infinita música diaspórica.
Porém, todo artista que se preze não para quieto e se coloca sempre na disposição de experimentar outras sonoridades. Sendo assim, chegamos no último single lançado pelo André Sampaio, música que abre os caminhos para o seu segundo disco de estúdio. A guitarra mandinga do músico, que vem traçando seus caminhos pelas mais diversas vertentes da música africana, tem suas origens no reggae (André integrou o grupo Ponto de Equilíbrio por mais de 10 anos) e agora, vem a frente numa pegada Afro-Rock.
O Afro-rock é a promessa desse novo disco, essa nova proposta chegará aos ouvidos com Alagbe (2017) disco a ser lançado pela Sony Music, mas que estará disponível na próxima sexta feira 3/11 em todas as plataformas digitais. Fruto do retorno das heranças enviadas para a América séculos antes, o Afro-rock é um gênero musical surgido na África, em diversos países, após os mesmos receberem as influências do rock e do funk americanos, de quem são as raízes. Grupos seminais como The Funkees (Nigéria), Amanaz (Zâmbia), Wells Fargo (Zimbabwe), The Witch (Zâmbia) Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou (Benin), serão influências desse novo trabalho.
O primeiro single homônimo, Alagbe, reflete a um só tempo, o exercício sacerdotal exercido pelo artista e seu trabalho de pesquisa e resgate das raízes da música africana. André Sampaio é Ogan Alagbe (guardião da música sagrada do candomblé) e também como supracitado, um pesquisador ávido dos conhecimentos ancestrais. A letra da canção é uma ode ao respeito pela ancestralidade africana, pelo respeito a sua força espiritual que conseguiu resistir a escravidão e a toda sorte de violências no continente e na diaspora.
Um registro duplo do sagrado e da música, tanto no culto aos orixás quanto a tradição musical em que se insere. Acompanhado nessa primeira empreitada, de um grupo luxuoso de excelentes instrumentistas: Mauricio Bongo (bateria), Rico Bass (baixo), Joás Santos (tama(talking drum)e gan), Marcos Maurício (clavinete), Maurício Fleury (órgão farfisa), Lenna Bahule e Kuky Lughon (coro).
Contando ainda com a produção luxuosa do grande Cris Scabello (Bixiga 70) e do próprio André Sampaio, o single nos anuncia o que podemos esperar já a partir da próxima sexta feira 03/11. Um disco com a gigantesca força da música plural africana, responsável por praticamente tudo, senão tudo, de bom que a música do século XX nos deu. Mesclando essa herança com suas origens brasileiras e com a espiritualidade do candomblé, Alagbe (2017) – o disco – promete ser um dos grandes disco deste ano que tem sido rico em excelentes lançamentos.
Enquanto isso vai apreciando sem moderação Alagbe – o single:
Danilo
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