Downtown Boys segue em sua luta musical contra todas as formas de opressão a que somos expostos usando o punk como ferramenta transformadora
A melhor música – arte – ainda é filha da urgência, da força em resistir sobre os diversos poderes que nos querem subjugados. Dos micro aos macro poderes, o artista busca criar beleza com uma violência que nos tira do conformismo que o cidadão de bem, que o homem médio confiam como locais apaziguadores para sua existência medíocre. Seja no espectro de reivindicações políticas, ou mesmo na criação de um quadro, o pintor, o poeta, o escultor, o artista enfim, combate, ora contra o seu material em busca de uma forma de expressão nova, ora ou junto, contra o estado de coisas em que vive.
A Downtown Boys é uma banda surgida no lobby de um hotel, não numa reunião entre empresários e gravadoras, mas entre dois funcionários. Victoria Ruiz e Joey De Francesco trabalhavam em um luxuoso hotel em Renassaice Providence, onde Joey já atuava na luta por melhores condições de trabalho para os seus colegas dominicanos. Ele também fazia parte de um grupo chamado What Cheer Brigade, quando decidiu se demitir e unir música e política ao ato com sua banda. Uma performance filmada, que é o sonho de muitos dentre nós que vendem sua força de trabalho onde a nossa produção é roubada, nosso tempo esmagado e nossa força criativa extirpada.
O vídeo bombou e logo após esse acontecimento, a dupla se juntou a outros músicos e ativistas: Will Cioffi (sax alto), Emmett Fitzgerald (sax tenor), Norlan Olivo (bateria) e Dan Schleifer (baixo), com o ímpeto de fazer música revolucionária. Assim nasceu o Downtown Boys, embarcando num punk energético e dançante e com a rapaziada se pautando contra todas as formas de opressão, homofobia, racismo, capitalismo, machismo e etc. Com essa combinação entre discurso politicamente revolucionário e um punk alegre, a banda vem construindo excelente reputação dentro dos U.S.A. Lançaram no ano seguinte a sua formação o seu disco de estreia e auto intitulado Downtown Boys(2012), do qual se seguiu o elogiadíssimo Full Communism(2015), que recebeu criticas entusiasmadas de veículos especializados como a Pitchfork, Rolling Stones e da New Yorker.
Esse ano lançaram Cost Of Living (2017), com Adrienne Berry assumindo o sax, e é outro petardo, dessa vez pela casa do “grunge” a Sub Pop. O disco que contém 12 faixas, como o título nos faz antever versa sobre as agruras do capitalismo, mas não apenas. No primeiro single lançado pela banda, “A Wall” critica vai ao murro em construção na fronteira com o México. Uma composição que implica “os murros” que separam-nos enquanto diferenças, uma excelente metáfora, para todas as discriminações cotidianas.
E no segundo single e que agora virou clipe, “Somos Chulas (No Somos Pendejas)”, o ataque prossegue a politica de imigração do governo Trump. Banda bilíngue, suas composições se dividem entre o inglês e o espanhol, e o título do clip/single é uma afirmação contra suspensão do DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals). O programa criado na gestão do ex- presidente americano Barack Obama, previ uma regularização temporária para quem tivesse imigrado a terra da liberdade, ainda menor de idade. Programa encerrado agora pelo atual presidente e sua agenda racista e fascista.
O clipe que conta com a direção de Eavvon O’Neal, traz imagens de lindas crianças de diversas raças e etnias num parque, a detonar piñatas com a forma do presidente americano. Ao mesmo tempo mescla cenas das fortíssimas apresentações ao vivo da banda com tudo terminando numa divertida guerra de tortas. No clipe, nos conquista não apenas a música, feita com vigor e honestidade, mas o vínculo da luta ás crianças e aos jovens. Números estimados dizem que pelo menos 750.000 jovens imigrantes serão afetados pelo fim do DACA. E junto a defesa dos direitos dos pequenos e dos jovens é muito importante também trazê-los para a luta. Mesmo que seja deliciosas lutas contra piñatas e munição de tortas!
Assistam essa maravilha e ouçam os discos linkados na matéria!
Danilo
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